A COMÉDIA BAR ESTRÉIA COM TEXTO DE SPIRO SCIMONE, DA NOVA GERAÇÃO DE AUTORES ITALIANOS
Retomando o diálogo entre o teatro italiano e o brasileiro, a peça BAR estréia no dia 2 de novembro, quarta-feira, no Instituto Cultural Capobianco, com texto de um dos mais talentosos autores da nova cena teatral européia, Spiro Scimone. Primeira montagem do espetáculo no Brasil, a comédia foi traduzida pelo ator e diretor italiano Alvise Camozzi (junto com Elisa Band), que também atua ao lado de Bruno Kott e assina a direção junto com Cacá Toledo, além de dividir a concepção do espetáculo com William Zarella Jr. No cenário, alto-falantes e microfones recriam o ambiente de um bar, reproduzindo sons de conversas, pratos, copos e talheres batendo.
Com texto do autor siciliano Spiro Scimone, representante da nova dramaturgia italiana, a peça BAR é encenada pela primeira vez no Brasil e retoma o diálogo entre o teatro italiano e o brasileiro. O espetáculo estréia dia 2 de novembro , quarta , às 21 horas , no INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO . No dia 25 de outubro, terça, às 21 horas, acontece a pré-estréia da peça, em sessão apenas para convidados, também no Capobianco, como parte da programação da 5ª Semana da Língua Italiana no Mundo, evento promovido pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.
“Uma comédia simples, tipicamente siciliana, com pitadas de comicidade clownesca e influência da crueldade de Harold Pinter, além de toques da comicidade de Samuel Beckett e da rudeza poética de Rainer Werner Fassbinder.” É assim que os diretores Alvise Camozzi e Cacá Toledo definem BAR . Para Alvise, a “montagem tem grande significado pois, além de retomar esse diálogo entre o teatro italiano e brasileiro, o faz com um dos grandes representantes da nova geração”. Ele ressalta que a dramaturgia italiana está vivendo um momento muito fértil, com grande volume de montagens, não só na Itália como por toda a Europa.
A encenação brasileira de BAR tem como um de seus pontos altos, conforme o ator e diretor italiano Alvise Camozzi, a instalação cenográfica inusitada.”A platéia será envolvida na peça por meio de estímulos auditivos”, explica Alvise, que atua ao lado de Bruno Kott e também é responsável pela tradução do texto (ao lado de Elisa Band) e pela concepção da peça (junto com William Zarella Jr). Cacá Toledo completa: “Apesar do texto ser sofisticado, a trama é simples”.
Para recriar o ambiente de um bar e passar a sensação do público integrar o espetáculo, o cenário conta com alto-falantes e microfones, que reproduzem sons de gente conversando, carros passando, pratos, copos e talheres batendo. “Além disso, c ada movimento dos atores ou dos objetos cênicos emite um som, criando todo o clima de que o texto de Spiro necessita”, afirma Cacá Toledo sobre o cenário, que leva a assinatura de William Zarella Jr.
Diálogos cinematográficos
O espetáculo desenvolve-se em quatro quadros que representam quatro dias cruciais na vida de dois homens fechados em um bar: Nino (interpretado por Bruno), um garçom que sonha arrumar um trabalho onde tenha chance de demonstrar sua habilidade em preparar coquetéis, e Petru (personagem de Alvise), um viciado em jogo que sempre visita o amigo no bar onde trabalha. Os dois se encontram para bolar um plano contra Jani, principal adversário de Petru no jogo de pôquer. A linguagem cinematográfica dita o ritmo dos diálogos sincopados entre os dois personagens principais. Alvise conta que no texto não existem momentos em que acontecem monólogos: “Toda a peça é feita por diálogos. Costumo brincar que parece um jogo de tênis. Só que, em vez de bolas, temos palavras”.
Além dos diálogos, as quebras que ocorrem entre eles também ditam o ritmo circular do espetáculo. “Temos a impressão de que BAR não termina. A historia não se desenvolve, ela parece sempre recomeçar da mesma maneira, pois Spiro não constrói e divide sua dramaturgia de uma maneira tradicional”, explica o diretor.
“A peça tem influência clownesca, impregnada de inquietude urbana , uma atmosfera de filme noir , além de lembrar muito os filmes de máfia italiana porque Jani, personagem citado no espetáculo a todo momento, nunca aparece em cena”, conta Cacá, explicando que se baseou nestas influências para dirigir o espetáculo.
Mesmo com a sofisticação das influências do texto (Beckett, Fassbinder), o que motivou Alvise a montar a peça foi sua simplicidade: “Mesmo com um acentuado tom regionalista, com fortes indícios da cultura siciliana, BAR pode ser montado em qualquer canto do planeta, graças à sua simplicidade”, comenta Alvise. Para ele, as piadas e a própria história de Bar remetem à simplicidade das cenas e diálogos de filmes da dupla O Gordo & O Magro
Um bar prestes a desabar
“A trama de Spiro Scimone tem um clima de suspense, mesmo sendo uma comédia. Durante o espetáculo, a platéia acha que algo ruim pode acontecer com as personagens. A tensão se estende para o cenário”, afirma William Zarella, responsável pela cenografia de BAR , que é dividida em duas partes por um compensado de madeira (representando o teto). Na parte de baixo, fica o espaço onde os atores atuam. Em cima, William recriou um depósito de um bar: “Assim como todo o depósito, o nosso é bagunçado, com fios, canos, tecidos e sacos de lixos espalhados na parte superior do bar cenográfico. O espectador vê aquele amontoado de coisas e tem a impressão de que, a qualquer minuto, aquilo tudo irá desabar sobre as cabeças dos atores”, explica o cenógrafo.
Pela platéia estão distribuídos, aproximadamente, 40 alto-falantes. Neles é reproduzida uma trilha sonora inusitada que, segundo William, pode ser dividida em três tipos. “O primeiro é composto por reproduções de sons de um bar (conversas entre pessoas, copos, talheres e pratos tilintando etc), além de ruídos externos como sirenes, carros passando, crianças brincando, entre outros. Também teremos, entre uma cena e outra ou nos momentos de black-out , uma música ambiente com som de chuva. No terceiro conjunto, entram os sons dos movimentos feitos no palco, captados por meio de quatro microfones colocados em uma vassoura, sobre a mesa, em um balde e na parte superior do cenário”, explica Zarella.
Outra curiosidade é o microfone instalado no depósito fictício. “Por uma escada, os atores podem ter acesso à parte superior do cenário. Lá temos um microfone munido de efeitos especiais que deixam as vozes de Bruno e Alvise mecanizadas, parecendo as de um robô”, conta William, explicando que o recurso, assim como todos os efeitos sonoros do espetáculo servem para brincar com conceitos paradoxais de exterior e interior.
A montagem brasileira
Alvise, responsável pela tradução do texto do italiano para o português ao lado de Elisa Band, optou por não fazer nenhuma adaptação. Segundo ele, “a única diferença é que em todas as montagens do espetáculo foram usados dialetos próximos à língua original do país. Esse tipo de recurso é uma tendência no teatro italiano de hoje”.
O envolvimento de Alvise no espetáculo foi tão grande que ficou impossível ele não atuar na peça: “Esse é um projeto que toda a equipe envolvida tem participado de todas as etapas. Eu, por exemplo, além de atuar, participei de diversas fases, como a direção. Na verdade, meu papel, mais do que dirigir, foi criar uma base estrutural que foi “lapidada” por Cacá Toledo posteriormente, que é responsável por dirigir a mim mesmo e o Bruno”, afirma Alvise, completando que a experiência de Cacá com textos cômicos foi fundamental para o resultado final.
Sobre Spiro Scimone
Nasceu em 1964 em Messina, Sicília. Estudou numa escola de teatro em Milão, onde representou peças de Beckett, Mrozek e Havel ao lado de Francesco Sframeli. Em 1994 escreveu a primeira peça, Nunzio , que foi adaptada para o cinema no filme Due Amici (2001) – ganhador do Festival de Veneza de 2002. Após Nunzio, Spiro escreveu Café (BAR), A Festa e Il Cortile . Segundo os principais críticos teatrais europeus, as principais características encontradas nas peças de Spiro Sciomone são influências das observações de paradoxo cotidiano e na linguagem ágil do cinema mudo, com uma atmosfera de filme noir. De acordo com a definição do crítico Franco Quadri, do jornal italiano La Repubblica, Spiro Scimone é a versão siciliana do dramaturgo britânico Harold Pinter.
Sobre Alvise Camozzi
Italiano, nascido em Veneza, o ator e diretor de 31 anos formou-se em Milão na Scuola d'Arte Drammatica “Paolo Grassi” (1994-98, com o espetáculo de formatura Quartett , de Heiner Müller, dirigido por Martin Wuttke), e na escola de Commedia dell'Arte “A l'Avogaria” de Veneza (1992-94). Entre seus trabalhos no teatro italiano estão La Commedia Degli Zanni e La Finta Ammalata , de Carlo Goldoni, La Turandot, de Carlo Gozzi; Rosencranz e Guildestern Sono Morti , de Tom Stoppard; S torie del Bosco Viennese , de Ödön von Horváth; Virún , de Barbara Valli; Lilith ed Enkidu , de B.Valli; Calibania , de Massimiliano Cividati; Salomé , de Oscar Wilde; Leonce e Lena , de Büchner; Il Giardino dei Cigliegi , de A. Tchecov; La Tragédia Dell'Uomo , de Imre Madách. Dirigiu Giochi di Sinistro , de Osvaldo Soriano, e Lied Antártico op.1 , de E.Shackleton, no festival de Veneza. No Brasil, fez Sonho de Núpcias , de Otávio Frias Filho, A Parca Norueguesa , com a Manufactura Suspeita, e Fausto Zero , de Gabriel Villela. Foi assistente de direção de Mauricio Paroni De Castro em Abelardo , de Hugo Possolo, O Pelicano , de Marici Salomão, e de Gabriel Villela em Don Carlo . Dirigiu Via de Regra , de Christine Röhrig, Inferno , leitura com Walderez de Barros, Renato Borghi e Cacá Carvalho, e Phoebe , de Fassbinder.
Sobre Bruno Kott
Jovem ator de 22 anos, Bruno Kott, se formou na Carmina Escola de Atores em 2004. Participou de workshops ministrados por Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa, Marcio Aurelio e Mauricio Paroni de Castro. Foi dirigido por Mauricio Paroni de Castro em Os Giga ntes da Montanha, Antes (2005), Pornografia Barata (2005), O Engenho da Loucura (2005) e Farsas Libertinas (2005). Além disso, atuou no espetáculo Phoebe (2003), com direção de Alvise Camozzi. Na TV, Bruno participou de Carandiru – Outras Histórias , minissérie da Globo.
Sobre Cacá Toledo
Nascido em Santo André, o produtor, ator e diretor Cacá Toledo estudou Bacharelado em Artes Cênicas na Unicamp, Campinas – SP (1995-1998). É fundador, produtor e diretor da Cia Aberta de Teatro de Campinas, além de ter sido Delegado de Cultura do Orçamento Participativo da Prefeitura de Campinas (2003). Trabalhou como diretor assistente no espetáculo A Serpente , com Débora Falabella e direção de Yara de Novaes. Na peça Don Carlo participou como ator e assistente de direção cênica, sob a direção de Gabriel Villela. Dirigiu a dupla Os Longilíneos nos espetáculos da série Otelo Para Todos os Brasileiros e em O Dia em Que a Terra Parou . Foi ator nos espetáculos Os Saltimbancos (direção de Weber Reis); Morte e Vida Severina (direção de Christian Scholosser); Cabrália da Peste (direção de Johana Albuquerque). Produziu as temporadas paulistanas dos espetáculos Acredite, Um Espírito Baixou em Mim (direção de Sandra Pêra); A Idade da Ameixa (direção de Guilherme Leme); A Saga da Senhora Café (direção de Marília Pêra); Uma Relação Pornográfica (direção de Wilson de Oliveira) e O Coordenador (direção de Carlos Gradim), além de ter atuado na produção do espetáculo Honestamente (direção de Alvise Camozzi).
Sobre o Instituto Cultural Capobianco
Inaugurado em 4 de agosto de 2005 (com o monólogo Sonho de Um Homem Ridículo , com Celso Frateschi), o INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO está instalado no mesmo local onde, nos anos 20, funcionava a antiga fábrica de ladrilhos e pastilhas R. Capobianco & Cia., de Remo Capobianco, pai de Júlio Capobianco, o idealizador do espaço. Com o objetivo de trazer ao público uma programação cultural que preza pela qualidade, além do espetáculo de Dostoiévski, já passaram pelo ICC - Teatro da Memória o espetáculo de dança Prokofiev aos Pedaços (com as bailarinas Rosa Antuña e Jacqueline Gimenes, e os músicos do coletivi de hip hop Instituto), o projeto teatral Um Quarto de Pensão (coordenado por Vadim Nikitin, da Cia. Livre), a exposição Arquitetura da Resistência (com o coletivo Bijari) e o espetáculo teatral ao ar livre, Honestamente (com dramaturgia de Christine Röhrig e direção do ator e diretor italiano Alvise Camozzi) - todos eventos patrocinados pelo INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO.
Para roteiro
BAR
Com Alvise Camozzi e Bruno Kott . Estréia dia 2 de novembro , quarta-feira, às 21 horas. Texto – Spiro Scimone. Direção – Alvise Camozzi e Cacá Toledo. Tradução – Alvise Camozzi e ElisaBand. Concepção – William Zarella Jr. e Alvise Camozzi. Cenário e Efeitos sonoros – William Zarella Jr. Assistentes – Tico Batera e Giusepe Mogordo. Iluminação – Cacá Toledo. Produção – Elástica Espacial. Patrocínio – Instituto Italiano de Cultura de São Paulo Realização – Instituto Cultural Capobianco. Temporada – Quartas-feiras, às 21 horas. Ingressos – R$ 20,00 (meia entrada para estudantes e pessoas com mais de 65 anos). Duração – 50 minutos. Censura – 14 anos. Gênero – Comédia. Até 14 de dezembro .
INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO – TEATRO DA MEMÓRIA – rua Álvaro de Carvalho 97 – Centro. Fone (11) 3237-1187. C apacidade – 70 lugares. Bilheteria – De quarta-feira a domingo das 19 às 21 horas. Pagamento em dinheiro e cheque. Aceita reserva por telefone. Ar condicionado. Estacionamento na rua Álvaro de Carvalho 98 – R$ 5,00. www.institutocapobianco.org.br
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