SATYROS ABRE ESPAÇO PARA O AUTOR FRANCÊS BERNARD-MARIE KOLTÈS
Com direção de Francisco Medeiros e interpretação de Otávio Martins, A Noite Antes da Floresta estréia dia 17 de fevereiro no Espaço dos Satyros
Traduzido em mais de 30 línguas, encenado em mais de 50 países, o dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, reverenciado no mundo todo, terá sua primeira peça, A Noite Antes da Floresta , montada pela primeira vez no Brasil. Escrito em 1977 e apresentado no festival off de Avignon, o texto ganha encenação do diretor Francisco Medeiros e interpretação do ator Otávio Martins e estréia dia 17 de fevereiro , sexta-feira, às 21 horas, no Espaço dos Satyros.
Com iluminação de Domingos Quintiliano, cenografia de Maria Duda, trilha sonora de Aline Meyer, p reparação de corpo de Thiago Antunes e figurino de Elena Toscano, a nova montagem acontece passados mais de 15 anos da morte do dramaturgo, surgido entre os "marginais" no fim dos anos 70 e hoje um clássico contemporâneo constantemente montado na França, onde essa sua primeira peça recebeu 42 encenações diferentes, entre 1983 e 1999. Agora a universidade o leva a sério e a literatura o reconhece como um de seus filhos mais inovadores. As peças de Koltès estão sendo montadas nos Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina, Chile, México, Inglaterra, Suécia, Espanha, Itália, Áustria e em mais 17 países.
Responsáveis pela tradução do texto, Francisco Medeiros e Otávio Martins revelam o entusiasmo com a oportunidade de mergulhar no universo do autor francês (cuja dramaturgia é pouco encenada no Brasil) e revelar ao público traços de sua personalidade marcante por meio de sua obra contundente. Para o diretor, Koltès é “um tigre enjaulado que lança seu olhar sobre o ser humano. Um dramaturgo que trabalha a palavra como um elemento material da comunicação”. Para o ator, “ele é um exemplo vivo da falta de fronteiras entre o criador e a criatura”.
Um outsider, radical na arte e na vida, Bernard-Marie Koltès estruturou sua peça em uma frase de 62 páginas, sem ponto. “Dessa forma, o autor o ferece um olhar peculiar e fundamental sobre o homem moderno, uma leitura contundente e apropriada ao nosso tempo. Como nos grandes gênios, volta suas antenas para questões universais como a exclusão, a solidão e o desejo do homem contemporâneo. Provido de um rigor absoluto de criação, ele imprimia ritmo, sonoridade e melodia às suas palavras, que fazem mover a ação da cena”, diz Chiquinho.
O texto (cuja tradução literal seria A Noite Logo Antes das Florestas ) apresenta o encontro de dois seres que vagam na noite, estrangeiros e marginalizados. Numa esquina de um centro urbano qualquer, um homem que, sem ter para onde ir e completamente ensopado pela chuva, tenta se comunicar com outro homem na rua, estabelecer um contato humano diante de condições sub-humanas de sobrevivência. Não se vê este interlocutor, que pode ser o próprio espectador ou ainda um duplo do personagem, mas ele está o tempo todo em cena.
Sobre Koltès, Francisco Medeiros ressalta que “como outsider, ele tem também uma grande irreverência e destila ironia fina com relação às contradições do homem. Seu humor, muitas vezes, acaba por instaurar uma sensação de patético e de grotesco que contribuem ainda mais para comprovar uma poética extremamente pessoal e peculiar”.
Sobre o autor
Nascido em 1948, em Metz, na França, Bernard-Marie Koltès foi um europeu aberto e apaixonado pela África e pelas Américas. Começou a escrever aos 21 anos, depois de ter ido ao teatro pelo primeira vez assistir a uma representação de Medéia, numa encenação de Jorge Lavelli, interpretada par Maria Marie Casares. Viajante, esteve no Canadá, Estados Unidos, Nigéria e outros países da África, chegando a passar seis meses na Guatemala. Em 1984, esteve no Senegal e, em 1985, no Brasil.
Nos anos 80, as peças de Koltès foram montadas pelo francês Patrice Chéreau (o mesmo que dirigiu no cinema o filme Rainha Margot ). Entre suas peças mais conhecidas (escreveu 10), destaque para Na Solidão dos Campos de Algodão , Cais Oeste e Roberto Zucco , todas encenadas no Brasil. Koltès morreu de aids, em 15 de abril de 1989, aos 41, em Paris. Leitor de Pascal, Victor Hugo, Koltès também se alimentou de Shakespeare e Molière. Grudava os olhos no cinema de Marlon Brando, James Dean, Robert De Niro e Brigitte Bardot e os ouvidos na música de Bob Marley e Tracy Chapman.
Filho de um pai soldado, sempre ausente (em guerra), e de uma mãe autoritária, Koltès foi além de sua própria experiência para tocar a humanidade. Mesmo assim s ão identificáveis em sua obra as situações vividas durante a infância e a adolescência: a violência nos cafés árabes que explodiam em Metz e em Strasbourg, o preconceito, a intolerância, a educação católica e a rigidez que formavam o pensamento do cidadão médio.
Para roteiro:
A NOITE ANTES DA FLORESTA
Com Otávio Martins . Estréia 17 de fevereiro , sexta-feira, 21h30. Direção – Francisco Medeiros. Texto – Bernard-Marie Koltès. Tradução – Otávio Martins. Iluminação – Domingos Quintiliano. Cenografia – Maria Duda. F igurino – Elena Toscano. Trilha sonora – Aline Meyer. Preparação corporal – Thiago Antunes. Assistência de Direção – Tatiane Daud. Produção - Walter Gentil. Assistente de produção - Rafael Aranha. Pesquisa - Luís Cláudio Machado. Temporada – Sextas-feiras e sábados às 21h30. Duração – 80 minutos.
ESPAÇO DOS SATYROS – Praça Roosevelt, 214 – Centro. Telefone (11) 258-6345. Capacidade – 50 lugares. Ingressos – a confirmar.
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