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GRUPO SOBREVENTO COMEMORA 20 ANOS COM ESTRÉIA DO ESPETÁCULO O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS

Em um espetáculo que explora uma dramaturgia pouco convencional – uma estrutura paralela, onde um Cabaré divertido, elegante e irônico divide a cena com uma história dramática, singela, pungente, vivida por marionetes – o Sobrevento traz à cena diferentes tipos de bonecos, com os quais nunca havia trabalhado antes: marionetes de fio, títeres de varão – nas variedades portuguesa e siciliana –, bonecos de ventríloquo e autômatos, além dos bonecos de papel do Teatro de Brinquedo, uma especialidade do grupo

 

No ano do seu vigésimo aniversário, o SOBREVENTO, um dos Grupos teatrais brasileiros de maior renome nacional e internacional e um dos maiores especialistas no Teatro de Bonecos e de Animação do país, estréia, no dia 31 de março , sexta-feira, às 21 horas no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho , seu mais recente trabalho, O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS . Destinado ao público adulto, como raras vezes se vê no Teatro de Bonecos do Brasil, o espetáculo, que tem direção de Luiz André Cherubini e dramaturgia do próprio grupo, encerra o projeto subvencionado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

O espetáculo, que conta com quatro atores, três músicos e 40 bonecos, explora uma dramaturgia pouco convencional: uma estrutura paralela, onde um Cabaré – divertido, elegante e irônico – divide a cena com uma história dramática, singela, pungente, vivida por marionetes. Assim que o espetáculo começa, o espectador vê-se envolvido em uma espécie de Cabaré, de Teatro de Variedades, onde os atores propõem ao espectador uma noite de diversão e de esquecimento, de prazer e de relaxamento. Com o argumento de que é preciso aproveitar a vida, divertir-se, preocupar-se com o próprio prazer, enfrentar as agruras da vida – tão fugaz – com leveza, e até mesmo com deboche, os atores vão-se opondo aos bonecos com os quais se divertem e que vivem um drama “real e humano”.

O drama das marionetes, paralelo ao Cabaré, inspira-se livremente no Conto de Ninar , do dramaturgo húngaro Ferenc Molnár (conto que deu origem à peça Liliom e aos filmes Liliom , de Fritz Lang e Carrousel , um musical hollywoodiano). Incapazes de entender ou de se reconhecer no drama das marionetes, os atores do Cabaré terminam por revelar uma postura superficial, desumana e cínica, muito menos humana do que a dos próprios bonecos. Mágica, ventriloquia, números cômicos, canto e dança tomam conta do palco deste Cabaré, um local de reunião de privilegiados.

O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS possui uma dramaturgia paralela, uma história passional, dramática, vivida pelos bonecos, que são quase-vivos. Já no Cabaré, onde são apresentados vários números divertidos, os atores são pessoas superficiais, que julgam a vida dos outros, ou seja, os quase-mortos.

 

40 bonecos confeccionados pelo grupo

Diferentes tipos de bonecos, num total de 40, são usados no espetáculo, e o SOBREVENTO vale-se de técnicas de animação que nunca havia usado antes: as marionetes de fio – que ganham um realismo extraordinário, graças a uma técnica rara e elaborada de confecção e manipulação –; os títeres de varão – uma forma teatral que teve grande expressão e hoje encontra-se abandonada e esquecida no Brasil; autômatos; bonecos de ventríloquo, além do Teatro de Brinquedo (figuras bidimensionais de papel), uma especialidade do grupo.

O diretor do espetáculo, Luiz André Cherubini, que também atua em O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS , conta que todos os bonecos são confeccionados pelo grupo. “São bonecos de madeira, a maioria bonecos de fio, mas também mostraremos técnicas pouco usadas no Brasil”, adianta ele. O SOBREVENTO é um dos grupos de teatro brasileiro que mais se apresentam no exterior. “Fazemos, pelo menos, uma turnê internacional por ano”, conta Luiz André.

O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS reúne artistas que figuram entre os de maior destaque do país. Além do grupo SOBREVENTO (responsável pela interpretação/ manipulação e dramaturgia), o espetáculo conta com cenário e figurinos de Márcio Medina, iluminação de Renato Machado e direção musical de Pedro Paulo Bogossian, artistas que têm em seu currículo muitos dos Prêmios de Teatro mais importantes do Brasil (Shell, APCA, Mambembe). No palco, os quatro membros do SOBREVENTO dividem o palco com três músicos (ao violino, piano e bateria), dentre os quais o próprio Pedro Paulo Bogossian.

 

Direção para atores e bonecos

Luiz André comenta que, apesar de O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS possuir cerca de 40 bonecos, o espetáculo não é infantil. “Não é a primeira vez que montamos um espetáculo de bonecos para adultos”, afirma ele, que diz que o teatro é a prioridade do grupo. “Em primeiro lugar está o teatro, depois vem o “de boneco”, brinca o diretor.

Para ele a direção do espetáculo é muito técnica devido à manipulação de tantos bonecos. “A direção que uso para os bonecos é a mesma dos atores, acrescida da técnica. Ás vezes me comparo a um músico, que precisa se apresentar para o público e ainda manipular seu instrumento”, conta Luiz André. Para o espetáculo, o diretor procurou deixar claro as duas formas de viver dos atores e dos bonecos. “São visões de mundo diferentes, mas que se mesclam e às vezes se invertem”, conta ele.

 

Sobre o Grupo Sobrevento

Formado em 1986, o Grupo Sobrevento é um grupo profissional de Teatro que mantém um repertório de espetáculos e que se dedica à pesquisa, teórica e prática, da animação de bonecos, formas e objetos. Desde sua fundação, o grupo mantém um trabalho estável e ininterrupto e tem-se apresentado em mais de uma centena de cidades de 15 estados brasileiros. O Sobrevento esteve, também, no Peru (1988), Chile (1996 e 2002), Espanha (1997, 1999, 2000 , 2001 e 2004), Colômbia (1998 e 2002), Escócia (2000), Irlanda (2000) Argentina (2001) e Angola (2004), representando o Brasil em alguns dos mais importantes Festivais Internacionais de Teatro e de Teatro de Bonecos.

Os espetáculos do grupo são muito diferentes entre si, quer seja na temática, quer seja na forma, na técnica de animação empregada, no espaço a que se destina ou no público a que se dirige. Todos eles têm recebido Prêmios ou indicações para Prêmios da importância do Mambembe (Funarte/Ministério da Cultura), Coca-Cola, Shell, APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Maria Mazzetti (RioArte), sendo sempre apontado pela crítica especializada entre os melhores de suas temporadas. Por duas vezes consecutivas, em 1994 e em 1995, o Sobrevento recebeu do Ministério da Cultura o Prêmio Estímulo, pelo conjunto dos seus trabalhos e “pela sua contribuição ao panorama das Artes e da Cultura do país”.

Além das apresentações de seus espetáculos, o Sobrevento desenvolve diversas atividades no campo do Teatro de Bonecos e de Animação, como a realização de Cursos, Oficinas, Palestras e Mesas-Redondas, tanto no Brasil como no exterior. Realizou, também, duas Mostras Internacionais de Teatro de Animação no Rio de Janeiro, em 1992 e em 1995, e foi diretor artístico do Primeiro Festival Internacional de Teatro do Rio de Janeiro – Rio Cena Contemporânea – em junho de 1996, e do Festival SESI Bonecos do Mundo, Brasília, agosto de 2005. Também, fora dos Festivais que organizou, foi responsável pela vinda e pela circulação pelo país de diversas companhias estrangeiras de Teatro de Bonecos.

Os últimos espetáculos do Sobrevento foram Um Conto de Hoffmann (1989), Mozart Moments (1991), Beckett (1992), O Theatro de Brinquedo (1993) Ubu! (1996), Cadê o meu Herói? (1998), O Anjo e a Princesa (1999), Brasil para Brasileiro Ver (1999) e Submundo (2002). Dirigido, ainda hoje, por Luiz André Cherubini, Sandra Vargas e Miguel Vellinho, seus três fundadores, o Grupo Sobrevento é reconhecido, nacional e internacionalmente, como um dos maiores especialistas brasileiros em Teatro de Animação e uma das principais Companhias estáveis de Teatro do Brasil.

 

Para roteiro:

O CABARÉ DOS QUASE-VIVOS – Estréia dia 31 de março , sexta-feira, às 21 horas, no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho. Dramaturgia – Grupo Sobrevento. Direção – Luiz André Cherubini. Elenco – Anderson Gangla, Maurício Santana, Agnaldo Silva, Luiz André Cherubini e Sandra Vargas. Músicos – Pedro Paulo Bogossian (piano), Rodrigo Gonzalez (bateria) e Micaela Marcondes (violino). Criação e Manipulação dos Bonecos – Grupo Sobrevento. Cenários e Figurinos – Márcio Medina. Iluminação – Renato Machado. Direção Musical – Pedro Paulo Bogossian. Temporada – S extas-feiras e sábados às 21 horas e domingos às 20 horas. Ingressos – R$ 12,00 (Estudantes com carteirinha e idosos têm 50% de desconto). Duração – 90 minutos. Censura – Recomendado para maiores de 14 anos. Até 7 de maio .

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – SALA JARDEL FILHO – Rua Vergueiro 1000 – Liberdade. Próximo à estação de metrô Vergueiro. Telefone – (11) 3277-3651. Capacidade – 324 lugares. Acesso para deficientes físicos. Ar condicionado.

 

 

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