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DANÇA EM PAUTA 2006

 

REm 16 dias e reunindo 13 criações de 9 diferentes coreógrafos ou grupos,
a quarta edição do Dança em Pauta coloca em destaque a dança contemporânea nacional. Em 2006, um dos focos do evento são os artistas brasileiros que se firmaram no Exterior. Da Alemanha, vem Sônia Mota, com o espetáculo solo Vi-Vidas, que marca momento especial na importante carreira dessa criadora e intérprete. Da França, vem Osman Khelili, com três criações inéditas no País. Outro espetáculo de autoria brasileira já visto por platéias Européias é Homens, de Cristina Moura, que conta com participação do bailarino moçambicano Horacio Macuacua, cuja estréia nacional ocorre no Dança em Pauta 2006. Novos talentos – como Diogo Granato, que estréia Aretha -  também integram a programação, além de montagens concebidas especialmente para o evento por artistas de São Paulo. José Maria Carvalho, em parceria inédita com o ator Hélio Cícero, estréia espetáculo inspirado na obra literária de Guimarães Rosa. O autor de Grande Sertão:Veredas, livro que completa 50 anos em 2006, também é fonte de inspiração de 2Reflexos, criado especialmente para o evento por Mariana Muniz e Cláudia Palma, que  se apresentam juntas pela primeira vez. O evento, que tem curadoria de Ana Francisca Ponzio, completa quatro anos com o reconhecimento da Associação Paulista de Críticos de Arte, que premiou o projeto na categoria Fomento à Dança.
 Este ano, o público do Dança em Pauta ainda conta com o Kit Ingressos: quem comprar cinco convites paga somente três, ou seja, R$ 6 por ingresso

DO DANÇA EM PAUTA 2006 começa dia 10 de agosto e segue até 3 de setembro, com apresentações de quinta a domingo, no Centro Cultural Banco do Brasil. O evento confirma seu compromisso com a dança brasileira com uma programação essencialmente voltada para a produção nacional, com representantes de regiões, gerações e propostas diversas.
 
A edição de 2006 traz convidados do Exterior mas, diferentemente dos anos anteriores, não são estrangeiros, mas brasileiros cujos trabalhos encontram canais de produção e circulação em Países da Europa. Da Alemanha, vem a bailarina e coreógrafa Sônia Mota, com Vi-Vidas, espetáculo inédito em palcos brasileiros. Depois de conquistar amplo reconhecimento no Brasil, Sônia mudou-se para a Europa, onde vive há 17 anos. Nascida em São Paulo, ela integrou momentos e movimentos importantes da dança brasileira, como a renovação do Balé da Cidade de São Paulo, promovida por Klauss Vianna na década de 1980. Sônia pertence à geração que lançou a produção independente de dança em São Paulo, onde também se destacou como professora, de início da técnica de José Limón, uma das personalidades da dança moderna norte-americana, e depois de uma técnica desenvolvida por ela mesma, a partir de conhecimentos diversos.
     
Durante a temporada em São Paulo, Sônia ministrará workshop gratuito. Ela vem acompanhada da dramaturga alemã Koni Hanft, que assina a dramaturgia e a assistência coreográfica de Vi-Vidas e que também ministrará workshop.

Outro brasileiro que vem da Europa é Osman Khelili, com a companhia KassenK, que ele dirige na França e que se apresentará em São Paulo pela primeira vez. Mister K, Deserto 2 e Solo para Katja (que será interpretado pela bailarina alemã Katja Fleig) compõem o programa que a KassenK mostrará no Dança em Pauta. Ex-bailarino do Balé do Teatro Guaíra, de Curitiba, e do Balé da Cidade de São Paulo, Osman mudou-se para a Europa em 1991. Antes de se radicar na França, ele trabalhou na Bélgica, onde brilhou no elenco da consagrada companhia Rosas, dirigido por Anne Teresa De Keersmaeker.

Cristina Moura – bailarina e intérprete de Brasília, que atualmente mora no Rio de Janeiro – também apresentará espetáculo já visto por europeus mas inédito nos palcos brasileiros. Homens, mais recente criação de Cristina e apresentada ano passado na França, Alemanha e Portugal, terá sua estréia nacional no Dança em Pauta 2006. O público paulistano, que raramente tem a oportunidade de ver as apresentações de Cristina, poderá conferir duas facetas da coreógrafa. Primeiro em Like an Idiot, solo interpretado pela própria Cristina e que também já foi apresentado em festivais internacionais e depois em Homens, primeiro espetáculo que Cristina dirige, sem participar como intérprete.  No elenco estão o bailarino brasileiro Thiago Granato, o bailarino moçambicano Horacio Macuacua (que está vindo para o Brasil especialmente para participar do Dança em Pauta) e o ator com formação em circo Renato Linhares (que também integra, no Rio, o grupo Intrépida Trupe). Agora radicada no Brasil, Cristina Moura viveu na Europa de 1995 a 2002, quando trabalhou em expressivas companhias de Portugal, Espanha, França e Bélgica.

Valorização da dança brasileira
Assim como em edições anteriores, o DANÇA EM PAUTA 2006 proporciona estrutura de produção para grupos de São Paulo, que desenvolvem espetáculos para estrear na mostra. Neste ano, os representantes da produção paulista são: José Maria Carvalho que, cultivando a multidisciplinaridade do evento, está realizando parceria inédita com o reconhecido ator, professor e diretor teatral Hélio Cícero, e ainda a dupla Mariana Muniz e Cláudia Palma. Reconhecida dançarina, atriz e coreógrafa independente de São Paulo, Mariana Muniz nunca havia trabalhado antes com Cláudia Palma, cujo nome está associado ao Balé da Cidade de São Paulo, onde ela é uma das bailarinas mais expressivas do elenco.
Tanto o espetáculo de José Maria Carvalho e Hélio Cícero (O Homem dos Avessos), quanto o de Mariana Muniz e Cláudia Palma (2Reflexos) têm como tema a literatura de Guimarães Rosa, cuja obra símbolo, Grande Sertão: Veredas, completa 50 anos em 2006.

O Dança em Pauta 2006 apresenta ainda a Cia Siameses, que estréia Olhar Oblíquo.  O diretor e coreógrafo da Siameses é Maurício de Oliveira, bailarino e coreógrafo brasileiro que voltou para o Brasil em 2004, depois de trabalhar na Europa, principalmente na Alemanha, em companhias importantes como o Teatro Coreográfico de Johann Kresnik e o Frankfurt Ballet, dirigido pelo super-prestigiado William Forsythe. A Siameses, por meio da qual Maurício está desenvolvendo repertório próprio de criações, está sediada em São Paulo. Seu elenco, formado por jovens talentos, se apresentará no Dança em Pauta 2006 com uma convidada especial: a bailarina carioca Maria Alice Poppe. Discípula de Angel Vianna, Maria Alice já integrou uma das melhores companhias de dança contemporânea do Rio de Janeiro, a Staccato, dirigida por Paulo Caldas e se destaca como uma das melhores intérpretes de sua geração.

 
Representante dos novos talentos de São Paulo, Diogo Granato estréia o solo Aretha, inspirado na música da diva pop americana Aretha Franklyn. De Brasília, o Núcleo Alaya vem com criações de duas duplas de jovens criadores, Kenia Dias e João Negreiros (autores e intérpretes de Vacuum) e Alexandre Nas e Júlio César Campos (Marte com S). Dirigido na capital federal pela reconhecida professora e coreógrafa Lenora Lobo, o Núcleo Alaya mostra, no Dança em Pauta, os desdobramentos de sua produção de 15 anos, hoje representada pelos artistas que se formaram na companhia.

De Belo Horizonte, o Dança em Pauta traz o frescor de Horas de Um Desejo, espetáculo de Morena Nascimento, artista revelação da dança brasileira, que em 2005 ganhou o prêmio APCA de melhor criadora e intérprete. Com 25 minutos de duração e ao som de Amália Rodrigues, Horas de um Desejo será apresentado no saguão do CCBB, na semana de abertura do evento, pelas bailarinas Joelma Barros, Joana Wanner e Liana Safadi.

 
Workshop gratuitos com Sônia Mota e Koni Hanft
Os workshops gratuitos que Sônia Mota e a dramaturga alemã Koni Hanft ministram durante o Dança em Pauta 2006 são dirigidos para bailarinos, coreógrafos e profissionais de teatro. Os grupos deverão reunir de 20 a 30 pessoas. Local: sede do Balé da Cidade de São Paulo, rua João Passalacqua nº 66, Bela Vista, fone 3241.3883.

O workshop de Koni Hanft, que aborda o desenvolvimento do personagem, a partir da dança elementar e da dança expressionista alemã, se realizará nos dias 10, 11 e 12 de agosto, das 16 às 18h.

O workshop de Sônia Mota, denominado Arte da Presença, será nos dias 17, 18 e 19 de agosto, das 16 às 18h

 

Sobre o Dança em Pauta
Desde 2003, quando realizou sua primeira edição em São Paulo, o evento Dança em Pauta vem efetivando e expandindo suas propostas básicas: fomento à dança contemporânea brasileira; implementação de canais de reciclagem e intercâmbios, em âmbito nacional e internacional; estímulo à produção; difusão da cultura da dança junto ao público e conseqüente formação e expansão de platéias; manutenção de uma plataforma capaz de difundir novos e consagrados talentos, sem esquecer a história, ou seja, os nomes que construíram o percurso de evolução da dança brasileira. Exemplo bem-sucedido da valorização dos nomes que construíram a modernidade na dança brasileira foi o espetáculo Desassossego, apresentado e produzido pelo Dança em Pauta em 2006 e que trouxe de volta aos palcos a exponencial artista Marilena Ansaldi. Conquistando grande repercussão e muitos elogios, Desassossego foi eleito pela revista Bravo! um dos melhores espetáculos de dança já apresentados em palcos brasileiros nos últimos oito anos.

O reconhecimento à concretização das propostas do Dança em Pauta formalizou-se em 2005, quando a Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) concedeu ao evento o prêmio de Fomento à Dança. No livreto que marcou essa premiação, a APCA registrou o seguinte comentário: “Serão sempre saudadas a abertura e a expansão de lugares-vitrines para a dança, abrigos onde dançarinos e coreógrafos expõem seu produto artístico. O Dança em Pauta efetivou seu projeto ao se inscrever no roteiro de eventos que acolhem profissionais de São Paulo e de outras regiões do País. E cumpre a meta de formação de público e ampliação do olhar para a dança.”

 

PROGRAMAÇÃO

De 10 de agosto a 3 de setembro, semanalmente,
com espetáculos de quinta-feira a domingo.

DIAS 10 A 13 DE AGOSTO
HORAS DE UM DESEJO, COREOGRAFIA DE MORENA NASCIMENTO (MINAS GERAIS).
Local – Saguão do CCBB

 

Horas de um Desejo trata do universo feminino , ao som de Amália Rodrigues


Inspirado em ícones femininos, como as figuras da bailarina, boneca e prostituta, o espetáculo Horas de um Desejo, dirigido e coreografado por Morena Nascimento, tem como tema a solidão da mulher. Ao som da fadista portuguesa Amália Rodrigues, as bailarinas Joelma Barros, Joana Wanner e Liana Safadi apresentam-se no saguão de entrada de CCBB, na primeira semana do evento. “A coreografia não foi criada para três bailarinas, e sim como um solo para cada uma delas, que dançam no mesmo espaço. O corpo, quase sempre em queda, procura o colchão, um objeto que acolhe a alma feminina”, explica Morena, que relaciona a construção coreográfica aos colchões de espuma usado pelas bailarinas. “Toda ação parte desse objeto e volta para ele”.

Morena explica que, no colchão, o corpo escorrega, cai, deita, se recupera e rola o tempo todo, e o estímulo da música escolhida também define a qualidade da movimentação. “Nos ensaios, fui muito rígida em relação à conexão das bailarinas com a música, não dei muita liberdade para diferentes interpretações no que diz respeito à musicalidade. Com isso, consegui transportar o balanço inconfundível do fado para o corpo, em especial o canto da Amália, que evoca uma tristeza, um passado, uma dor e uma beleza, aspectos que constroem as contradições do corpo de uma mulher”, diz. 

Horas de um Desejo nasceu do Trabalho de Graduação Integrado - TGI, realizado por Morena Nascimento na UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, em 2001. Segundo ela, até hoje o espetáculo vem apresentando a necessidade de ser destrinchado, estudado e continuado. “Remontei esse trabalho em 2004, para o grupo 1º Ato, de Belo Horizonte, com bailarinas dos elencos profissional e experimental. O processo abriu outras possibilidades de composição poética para a mesma proposta e me deu a chance, enquanto coreógrafa, de experimentá-la em outros corpos e, assim, compreender melhor a gestualidade que construí”, diz Morena. sobre o espetáculo, inédito na capital paulista.

Sobre Morena Nascimento

Atualmente, é aluna de pós-graduação da Folkwang-Hochschule, Essen, Alemanha, e trabalha em parceria com a coreógrafa japonesa Chikako Kaido no projeto Death and Love. Graduada em Dança pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, no ano de 2001, dançou profissionalmente nas companhias Domínio Público, dirigido por Holly Cavrell (Campinas, SP) e 1º Ato Grupo de Dança (Belo Horizonte, MG), e trabalhou com os coreógrafos Lara Pinheiro, Ana Vitória, Jorge Garcia e Tuca Pinheiro, entre outros. Participou de projetos dirigidos por José Possi Neto, Arto Lindsay e Gisela Moreau, e recebeu prêmio de melhor bailarina pelo Sesc/Sated-MG, melhor bailarina revelação pela Associação Amparc-MG e APCA para a categoria melhor criação e interpretação com o solo Sexo, Amor e Outros Acidentes. É criadora e coreógrafa com Fábio Dornas e Marcelo Poletto do projeto 2 em super 8, convidado para diversos eventos no Brasil e exterior.

Ficha Técnica

Direção e Coreografia – Morena Nascimento
Elenco – Joelma Barros, Joana Wanner e Liana Safadi
Iluminação – Marcelo Poletto e Morena Nascimento
Trilha Original – Amália Rodrigues
Figurino – Morena Nascimento e Elenco
Produção – Júnio Nery
Duração – 25 minutos

 

DIAS 10 A 13 DE AGOSTO
VI-VIDAS, COM SÔNIA MOTA (ALEMANHA)

 

A mulher nas culturas brasileira, européia e islâmica inspira Vi-Vidas

Um discurso sobre o feminino no sistema patriarcalista, o espetáculo Vi-Vidas - que abre o Dança em Pauta 2006 - traz à cena a bailarina, coreógrafa e professora de dança Sônia Mota, radicada na Alemanha desde 1989. O espetáculo estréia no Brasil depois de cumprir turnê pela Alemanha no ano passado, figurando entre os cinco melhores de 2005 para concorrer ao Prêmio de Teatro e Dança da Cidade de Colônia.

Em 55 minutos de duração, com dramaturgia da alemã Koni Hanft, Vi-Vidas tem criação e interpretação de Sônia Mota, artista que vive na Europa desde 1989. Aos 57 anos e 46 de carreira, Sônia atuou nos últimos 25 anos como coreógrafa e professora, por meio de seu método, Arte da Presença.  Afastada dos palcos, voltou a dançar em 2005, quando criou o embrião de Vi-Vidas, o espetáculo Muçul-Humana, de 10 minutos, com o qual participou do Panorama Sesi de Dança.

Sônia Mota conta que Vi-Vidas é o primeiro espetáculo de uma trilogia sobre o papel da mulher – depois virão a mulher frente à sociedade e a mulher diante de outras gerações. “Coloco em questão o comportamento pseudo-liberal da mulher, por meio de três arquétipos femininos: a mulher muçulmana, a mulher européia e a mulher brasileira”, diz.

Inspirado no filme Osama (sobre uma menina que corta os cabelos e se passa por menino para sobreviver no Oriente Médio), do diretor afegão Siddiq Barmak, o espetáculo aborda uma mulher com seus véus. “Fazendo o solo, percebi que, como mulher ocidental moderna, também tenho os meus véus, os meus preconceitos. A partir daí, traço um paralelo entre as mulheres das culturas citadas acima. As três mulheres escondidas atrás de seus véus, de seus clichês”, explica.

A coreografia é construída sobre uma trilha com sons de passos. Assim, Sônia Mota caracteriza suas mulheres através do som de seus passos. “Curtos e rápidos são os passos da mulher muçulmana”, conta ela, que idealizou passos sonoros e decididos para “a mulher super-power” européia e passos irregulares e ásperos para a brasileira.

Como bailarina e coreógrafa de 57 anos, ela pretende contribuir com VI-VIDAS, para a discussão sobre a longevidade da carreira de intérprete e para a expansão de um mercado de trabalho para esta geração. “Apesar de ser um tema atual, a dança após os 40 anos ainda está longe de ser uma prática constante. Por meio de minha atuação, pretendo ampliar as possibilidades dos representantes de minha geração, que ainda têm muito a dizer, dentro da cena contemporânea da dança.”

Sobre Sônia Mota

Entre os artistas que se dedicam a cultivar a arte e a cultura contemporânea brasileira na cena internacional, Sônia Mota participou de movimentos importantes na dança brasileira, inclusive da renovação da dança em São Paulo, na época em que o Balé da Cidade de São Paulo realizou a virada do clássico para o contemporâneo. Nos anos 70, começo da dança experimental, atuou em grupos como Andança e Teatro Galpão, contribuindo para que a dança contemporânea brasileira conquistasse uma nova identidade.

A partir daí, Sônia passou a desenvolver suas próprias coreografias na cena livre de dança e teatro, recebendo, entre outros, os prêmios Governador do Estado e APCA como melhor bailarina. Até os dias atuais, é convidada para dar aulas e desenvolver trabalhos próprios em diversos países como Portugal, Itália, Espanha, Alemanha e Brasil. O projeto VI-VIDAS começou em 2004 com a primeira parte da trilogia, Muçul-Humana, apresentada no Festival Hautnah, na Alemanha, onde em 2005 estreou a versão completa. O espetáculo foi nomeado para concorrer ao prêmio da fundação Sk Stiftung na área de teatro e dança da cidade de Colônia, Alemanha.

Sobre Koni Hanft
Coreógrafa e dramaturga alemã, Koni é especialista em Dança Elementar, técnica desenvolvida por Maja Lex, uma das precursoras da dança expressionista alemã. Paralelo aos seus 15 anos de experiência como bailarina, coreógrafa e diretora artística da Cia. Maja Lex, sediada em Colônia, Alemanha, Koni foi uma das fundadoras da Kolner Tanz Agentur, primeiro centro de produção da cena independente de dança da região NRW.

Membro do júri do Festival Transit e diretora artística do Festival Tanzhautnah em 1998, 2001/04 e 2005, Koni também dá aulas no Instituto de Música e Pedagogia em Dança da DSHS, de Koln e Baden, na Suíça, e desenvolve coreografias para Novo Teatro de Música, Teatro Monteure, WDR Exposição Expressionista do Museu Ludwing, Música em Context e Teatro Consol.

Ficha Técnica

Direção e Coreografia – Sônia Mota
Trilha Sonora – Sônia Mota e Koni Hanft
Dramaturgia – Koni Hanft
Duração – 55 minutos

 

DIA 17 DE AGOSTO
LIKE AN IDIOT, COM CRISTINA MOURA (RIO DE JANEIRO)

 

Ao som de Gil, Mozart e Lauryn Hill, Cristina Moura
aborda questões políticas, sociais e sentimentais

Na definição da coreógrafa Cristina Moura, Like an Idiot funciona como uma auto-análise. Resultado de uma pesquisa de movimento e de linguagem realizada por ela desde que começou a criar suas próprias coreografias, em 1999, o solo leva para o palco as reflexões da bailarina sobre os mais diversos temas, passeando por questões políticas, sociais e sentimentais. Explorando o uso da palavra aliada aos passos de dança, a montagem, que faz um mix de momentos dramáticos e cômicos, tem trilha sonora com músicas compostas por Beat Halberschmidt alternadas com canções de Wolfgang Amadeus Mozart, Sainkho Namtchylak, Gilberto Gil e Lauryn Hill.

Cristina conversa com a platéia desde o começo da coreografia, quando explica "Esse é um espetáculo convencional. Vocês ficam aí e assistem, e eu fico aqui e danço". E a conversa continua durante o espetáculo: “Em alguns trechos, falo diretamente para a platéia, provoco com palavras e olhares”, diz. A bailarina explica também que não existe cenário: “Somente alguns objetos são utilizados para compor personagens e ilustrar aquilo que digo e penso. Porém, tudo é muito simples. Por exemplo, para dar vida à uma diva, uso óculos escuros”.

Cristina Moura conta que Like an Idiot também faz uma reflexão sobre o seu papel no mundo. “Quando criei a coreografia, estava num momento muito introspectivo, me questionando qual era minha função. Um monte de coisas acontecendo no mundo e eu lá, dançando? Por isso que, em algumas partes do texto, abordo (superficialmente, sem me alongar muito) questões mais sociais como a situação política brasileira e a exploração do trabalho infantil, entre outros assuntos” diz.

Sobre Cristina Moura

A coreógrafa e dançarina brasileira, Cristina Moura, estudou balé clássico e dança contemporânea e, desde 1984, trabalhou como dançarina profissional em várias companhias no Brasil e na Europa. Cristina viveu na Europa entre 1995 e 2002. Nessa época, trabalhou em companhias como João Fiadeiro (Portugal), Mudances/Angels Margarit (Espanha), L'Esquisse (França), Les Ballets C. de la B. (Bélgica) e Angela Guerreiro (Alemanha). Em 1999, Cristina começou a criar suas próprias coreografias.

Ficha Técnica
Criação, direção, coreografia e interpretação – Cristina Moura
Conselho de dramaturgia – Carmen Mehnert
Concepção Musical - Beat Halberschmidt e Cristina Moura
Músicas Originais - Wolfgang Amadeus Mozart, Sainkho Namtchylak, Gilberto Gil e Lauryn Hill
Iluminação – Sergio Pessanha
Direção técnica - Dalton Camargos
Duração – 55 minutos

 

DIA 18 DE AGOSTO

HOMENS - COMO FANTASMAS, COMO GORILAS, COMO MENTIROSOS, COMO ELES MESMOS, COMO COWBOYS - Concepção, direção e coreografia de CRISTINA MOURA (RIO DE JANEIRO)

Cristina Moura dirige espetáculo sobre universo masculino

Um bailarino brasileiro (Thiago Granato), um bailarino moçambicano (Horacio Macuacua) e um ator com formação de circo (Renato Linhares, um dos integrantes da Intrépida Trupe) se unem no espetáculo Homens - Como Fantasmas, Como Gorilas, Como Mentirosos, Como Eles Mesmos, Como Cowboys, concebido, dirigido e coreografado por Cristina Moura. No palco, em um cenário formado apenas por quatro cadeiras, os três intérpretes e criadores mostram diversos personagens masculinos que fazem parte das suas personalidades.

O espetáculo, que une texto e dança contemporânea, é uma continuação do trabalho desenvolvido por Cristina Moura que, pela primeira vez, dirige um espetáculo sem estar no palco dançando. A diretora explica sua pesquisa: “Estou sempre em busca de liberdade para usar vários elementos na minha criação. Dança, texto e interpretação podem ser apresentados em uma única cena, harmoniosamente. Não preciso dividir um espetáculo em partes de dança e outras só com texto”.

Durante os cinco meses de pesquisa para criar o espetáculo, Renato, Thiago e Horacio mergulharam em um universo de histórias masculinas: casos de domínio-público, pequenos dramas familiares, fatos inventados pelos bailarinos e trechos autobiográficos, entre outras. A diversidade de temas e tipos de pessoas gera, segundo Cristina, uma identificação da platéia, que se reconhece em algumas cenas. “São três visões de vida de homens bem diferentes que estão unidos em um projeto. O espetáculo começa com um solo de cada um. É uma maneira deles comunicarem ao público que, até aquele momento, cada um tinha uma vida diferente, porém, a partir de agora, eles caminham lado a lado”, explica Cristina.

Ficha Técnica
Concepção, Direção e Coreografia - Cristina Moura
Criação e Interpretação - Renato Linhares, Thiago Granato, Horacio Macuacua
Dramaturgia - Christophe Wavelet
Criação e colaboração: Felipe Rocha
Música Original - Beat Halberschmidt
Luz, Direção Técnica - Dalton Camargos
Assistência da Direção Artística - Luciana Fróes
Duração – 60 minutos

 

DIAS 19 E 20 DE AGOSTO

VACCUM E MARTE COM S, com NÚCLEO ALAYA (BRASÍLIA)

O homem moderno e o vazio são temas de Núcleo Ayala

Criado e dirigido pela bailarina e coreógrafa Lenora Lobo em Brasília, o Núcleo Ayala apresenta dois espetáculos na programação de 2006 do Dança em Pauta: Vaccum (de Kenia Dias e João Negreiros) e Marte com S (de Alexandre Nas e Júlio César de Campos). As coreografias têm como ponto central o uso do teatro do movimento, técnica criada pela própria Lenora, que tem como base princípios desenvolvidos por Klauss Vianna e Laban.

Em Vaccum (do latim, vazio), os bailarinos mostram trabalho de pesquisa sobre o significado do vazio. Essa investigação levou a dupla a refletir sobre dualidades como vazio e cheio, comunicabilidade e incomunicabilidade, silêncio e barulho, entre outros conceitos. Também serviram de base para a criação de Kenia Dias e João Negreiros (prêmio APCA de melhor intérprete e criador em 1999) fragmentos de dois textos: O Ovo, de Hermes Leão, e Nada, do próprio João Negreiros.

Em determinado momento do espetáculo, 12 manequins são lançados ao palco e a dupla de bailarinos se mistura aos bonecos, contracenando com eles e fazendo com que se movimentem. Neste trecho, Kenia e João vão tirando peças do figurino até ficarem com roupas no tom da pele. A intenção é deixar a platéia em dúvida sobre quem é bailarino e quem é boneco. A dualidade também está presente na trilha sonora: momentos de silêncio se alternam com músicas que começam com frases desconexas e, aos poucos, vão ganhando sentido.

A idéia do vazio também está presente na iluminação, que, segundo João, constitui o cenário. “Focos de luz branca representam o nada e são espalhados pelo palco. Eu e Kenia observamos esses círculos, fazendo com que nossos movimentos dialoguem com esses feixes de luz”, diz João Negreiros.

A segunda coreografia, Marte com S, de Alexandre Nas e Júlio César de Campos, tem como tema o homem moderno. Os criadores e intérpretes se inspiraram em uma das parábolas do livro Assim Falava Zaratustra, de Nietzsche, para criar a coreografia que mescla dança, teatro, música e recursos de vídeo. 

O espetáculo se divide em três partes, que representam a infância, a juventude e a maturidade do homem. No primeiro trecho, por meio de imagens e recursos de iluminação que remetem ao desenho do cromossomo XY, os bailarinos recriam a formação genética do homem e seu nascimento. No segundo momento, Alexandre e Júlio retratam conceitos ligados à masculinidade, como ‘homem não chora’, ‘homem precisa ter poder e pagar as contas’, entre outros. Além dos passos de dança, a dupla recorre ao vídeo para discutir os diversos papéis do homem na sociedade. Na última parte, os bailarinos dão sua visão do homem moderno, como explica Alexandre Nas: “Então, temos alguns passos em que o equilíbrio de um depende do outro. Queremos mostrar que, para um homem maduro e contemporâneo, o que importa é a cooperação em vez da competição”.

Sobre o Núcleo Alaya

Criada em 1989 pela dançarina e coreógrafa Leonora Lobo, a Cia. Alaya foi reconhecida por um levantamento do Projeto Itaú Cultural como uma das únicas companhias de dança contemporânea do país com mais de 15 anos ininterruptos de existência.

Composta por atores/dançarinos diretamente voltados para a pesquisa em dança, a formação do grupo vem sendo desenvolvida pela coreógrafa e diretora a partir da sistematização de um método próprio denominado, hoje, de teatro do movimento. Esse método é produto das vivências e estudos de Lenora nas diversas áreas da dança como a clássica, moderna, pós-moderna, popular e tem os princípios da técnica do Movimento Consciente, de Klauss Vianna e a Análise de Movimento, do método Laban, como linhas mestras.

Em toda a sua trajetória, a Cia Alaya Dança produziu oito espetáculos - Terra (1990), Ilusões (1992), Frevendo (1994). ..E sonha Lobato (1997), Origem (1998), Primata Terra (2000), Máscaras (2001) e Celebrare (2002) - e três mostras, abordando temáticas das mais variadas: desde uma pesquisa sobre o forró e o frevo, até o mundo ficcional do escritor Monteiro Lobato. A Cia já recebeu diversos prêmios, como a Menção Honrosa na primeira edição do Prêmio MinC/Troféu Mambembe de Dança e grupo revelação no 1º Cone Sul Dança, ambos pelo espetáculo Frevendo.

Kenia Dias, João Negreiros, Alexandre Nas e Júlio César Campos, representam a geração de criadores que se
desenvolveu na Cia. Alaya Dança e que agora se identifica como Núcleo Alaya.

Ficha Técnica – Vaccum

Interpretação, concepção e direção - João Negreiros e Kenia Dias
Fotografia, iluminação e programação Visual - Dalton Camargos
Figurinos - Guto Viscardi
Duração – 30 minutos

Ficha Técnica – Marte com S

Concepção, direção, coreografia, interpretação e design de luz – Alexandre Nas e Júlio César de Campos
Assessoria artística - Lenora Lobo
Sonoplastia - Roberto Mendes, Alexandre Nas e Júlio César Campos
Músicas – Nawang Khechog, Hugues le Bars, The Drummers of Burundi, Gareth Farr e Wim Mertens
Duração – 25 minutos


 

 

DIAS 19 E 20 DE AGOSTO


ARETHA, com DIOGO GRANATO (SÃO PAULO)

Diva da música americana inspira Aretha

A admiração do bailarino Diogo Granato pelo trabalho de Aretha Franklin inspira o solo inédito Aretha, em que o intérprete e criador realiza coreografias para várias músicas da diva do soul americano, como Spanish Harlem, Don't Play that Song, Rock Steady e Son of a Preacher Man. A coreografia é baseada em improvisações e Diogo usa algumas técnicas de movimento, como o break, dança contemporânea e o Le Parkour (esporte francês que utiliza o corpo de seus praticantes como única ferramenta para correr, pular, escalar, fazer manobras e vencer obstáculos comuns aos centros urbanos).  

O espetáculo é uma continuação de outro trabalho de Diogo, batizado de Soul, em que o dançarino coreografou músicas de um dos ritmos da black music. “É bem provável que eu faça outros espetáculos, usando outros gêneros musicais. A minha idéia é levar para o palco as coreografias que eu faço em casa, enquanto escuto um som. É claro que tudo de uma maneira mais elaborada. Quero mostrar às pessoas o prazer que sinto quando danço”, explica o bailarino.

A iluminação de Aretha fica a cargo de Marcelo Esteves, que assina o desenho e operação de luz. “A iluminação é um dos personagens do espetáculo. O Marcelo faz com que as luzes dialoguem comigo e com os meus movimentos o tempo inteiro. Vamos criando juntos. A luz também faz uso da improvisação. Uma apresentação nunca será igual a outra”, afirma Diogo. O figurino é um clássico do vestuário masculino: terno e gravata. “Ao longo da coreografia, vou perdendo algumas peças, conforme o clima esquenta dentro do teatro”, brinca o bailarino.

 

Sobre Diogo Granato
Diogo Granato dança desde os 12 anos, quando começou seu curso de consciência corporal ministrado por Beth Bastos, que fazia uso das técnicas de Klauss Vianna. Como ator, Diogo participou dos grupos CPT (direção de Antunes Filho), Tem Um Sol na Minha Boca (direção de Eugênio Puppo), Zero (direção de Rosane Bonaparte), Tacap Jovem (direção de Marcus Antunes) e faz parte do elenco da peça De Quatro (texto e direção de Gustavo Machado). Como bailarino, Diogo faz parte da Cia Nova Dança, dirigida por Adriana Grechi, e da Cia Nova Dança 4, dirigida por Cristiane Paoli Quito. Além disso, entre outros trabalhos, é criador e intérprete de solos, como Seis Sentidos?, que recebeu o Prêmio Estímulo à Dança, da cidade de São Paulo em 2003, e diretor do grupo de dança Silenciosas.

Ficha Técnica

Coreografia e interpretação – Diogo Granato
Iluminação – Marcelo Esteves
Músicas – Aretha Franklin
Duração – 50 minutos


 

DIAS 24 E 25 DE AGOSTO


OLHAR OBLÍQUO, com CIA. SIAMESES (SÃO PAULO), com PARTICIPAÇÃO
DE MARIA ALICE POPPE (RIO DE JANEIRO) e DIREÇÃO DE MAURÍCIO DE OLIVEIRA

Com espelhos no palco, solo de Maria Alice Poppe abre Olhar Oblíquo

 

Produzido especialmente para o Dança em Pauta deste ano, com direção e coreografia de Maurício de Oliveira, o espetáculo inédito Olhar Oblíquo tem como ponto de partida o solo Tempo Líquido, criado por ele para a bailarina carioca Maria Alice Poppe no ano passado. Na montagem, em que o tema é a busca da real identidade de cada indivíduo, após o solo de abertura, o coreógrafo apresenta a Cia. Siameses, grupo que traz no elenco os jovens bailarinos André Bizerra, Carol Martinelli, Kátia Rozato, Marina Salgado e Natália Fernandes.

Para retratar a temática, em meio à trilha sonora de Tato Taborda, eles dividem o palco com espelhos côncavos e convexos, onde o reflexo dos bailarinos é alterado. “O objetivo é o de apresentar ao público o contato visual direto com o corpo representado e, simultaneamente, ver a imagem distorcida deste mesmo corpo”, diz o diretor e coreógrafo recém-chegado da Europa e agora radicado em São Paulo. Ele explica que a imagem refletida não ignora a desestruturação do corpo e do movimento. “Cria-se, assim, um ponto de vertigem, em que a real identidade daquele corpo em evidência migra por meio da representação e seu reflexo”, afirma.

Com figurinos que mostram a costura, o espetáculo não acentua a vaidade e a perfeição dos movimentos. “O grupo tenta encontrar a beleza em uma estética desorganizada, incluindo a feiúra. Para isso, os bailarinos investigam o limite dos movimentos, aproximando as partes do corpo que não se alcançam - como se fossem nós, porém, sem a pretensão da exibição”, explica Maurício, que ressalta a atenção do público como questão primordial da montagem. “Quando o movimento se isola no palco, a atenção é única, mas neste espetáculo, ela se divide entre os dois planos: o representado e o deformado”.

Sobre Maurício de Oliveira

Diretor e coreógrafo da Cia. Siameses, voltou ao Brasil em 2004 depois de morar na Alemanha. Entre seus trabalhos, fez a coreografia dos espetáculos Agbara para o Balé do Teatro Castro Alves, em Salvador, Um Outro Tempo Líquido para a Distrito Companhia de Dança, em Ribeirão Preto, Tempo Líquido para Maria Alice Poppe no Festival do Sesc Copacabana – RJ, Jardim Noturno II para companhia de dança contemporânea Siameses, Jardim Noturno para Sônia Soares, Orbital Cavities  para a companhia Krisztina de Chatel, em Amsterdam, No(Mad) para o Festival Four Steps Forward, em Den Haag e Fabbrica para o Ca-Dance Festival, em Den Haag.

Na Holanda, além de participar de uma co-produção de Frankfurt Ballett e Korzo Theater, apresentando-a em quatorze cidades, Maurício fez trabalhos temporários para Leine e Roebana, para o Spring Dance Festival, Creoule, dirigido por ele e Paul Selwyn Norton, coreografias de Amanda Miller, Dana Caspersen, Beppie Blankert Grip e Mathilde Santing. Dançou em Jazzex Dance Company, Holland Dance Festival, entre outros.

Sobre Maria Alice Poppe

Bailarina e professora graduada em licenciatura plena em dança pela Faculdade Angel Vianna, onde dá aulas de dança moderna há 10 anos, fundou a Staccato Dança Contemporânea, subvencionada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, junto com o coreógrafo Paulo Caldas em 1993. A partir daí, desenvolveram trabalhos apresentados em muitos festivais no Brasil e exterior (Alemanha, Itália, França e Estados Unidos), entre eles o Panorama RioArte de Dança Brasil, Japan International Competition, Wettbewerb für Choreographen Hannover, Costante Cambiamento, AmericArtes/ J.F.Kennedy Center e Bienalle de la Danse de Lyon.

Realizou um solo de sua autoria no Circuito Carioca de Dança e trabalhos com os coreógrafos Paulo Mantuano e Alexandre Franco. Participou dos espetáculos Tempo de Valsa - Moderado com Elegância, dirigido por Márcia Rubim, e Tao Sertão, do músico Tato Taborda, além de atuar no projeto Multimúsica, apresentado em unidades do Sesc Rio de Janeiro, dirigido por Tim Rescala. Em 2005 estreou o solo Tempo Líquido, coreografado por Maurício de Oliveira, e recebeu o prêmio de melhor execução na Mostra para Novos Coreógrafos, promovido pelo RioArte. 

Ficha Técnica

Direção e Coreografia – Maurício de Oliveira
Participação especial – Maria Alice Poppe
Elenco da Cia. Siameses – André Bizerra, Carol Martinelli, Kátia Rozato,
Marina Salgado e Natália Fernandes
Trilha Sonora – Tato Taborda
Cenografia – Maria Duda e Zé Silveira
Iluminação – Domingos Quintiliano
Duração – 45 minutos

 

DIAS 26 E 27 DE AGOSTO


2REFLEXOS, COM MARIANA MUNIZ & CLÁUDIA PALMA (SÃO PAULO)

Guimarães Rosa é tema de 2Reflexos

 

Criado especialmente para o Projeto Dança em Pauta 2006, o espetáculo de dança 2Reflexos reúne duas criadoras e intérpretes de reconhecida e premiada trajetória no cenário da dança contemporânea - Mariana Muniz e Cláudia Palma. Com direção e roteiro de Mariana Muniz, 2Reflexos dá continuidade a uma parceria que começou em 2004, com o projeto Solo em Questão - prêmio APCA de melhor iniciativa em dança -, quando Mariana dirigiu Cláudia no solo Um Outro Corpo.

2Reflexos é um espetáculo de dança fundamentado nos sentidos da palavra reflexo e nas palavras de Guimarães Rosa, contidas no conto O Espelho, extraído do livro Primeiras Histórias. A partir daí, 2Reflexos revisita a bagagem em dança contemporânea das duas bailarinas, Mariana Muniz e Cláudia Palma. De acordo com Mariana Muniz, o conto serviu como referência para o roteiro. Ela  explica que o significado da palavra reflexo, no dicionário, remete a revirado, voltado para trás. “Esses conceitos inspiram movimento, aquilo que se volta sobre si mesmo. E o espetáculo se desenvolve a partir de idéias de movimento relacionadas com o campo de significações da palavra reflexo  e das imagens literárias de Guimarães, ao narrar o caminho de alguém em busca de seu rosto detrás das máscaras que o recobrem”, conta.

São 40 minutos de espetáculo, com música de Ricardo Severo, imagens de Aline Bonamin e Mariana Sucupira, iluminação de Celso Marques, figurinos de Mariana Muniz e Claudia Palma (as duas também intérpretes). No cenário, a imagem do reflexo do sol sobre janelas e prédios quer dar a idéia de que o “mundo de fora se reflete no mundo interior”.

Sobre Mariana Muniz

Bailarina , atriz e coreógrafa , formada em dança pela Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Mariana Muniz  dedicou-se ao trabalho com dança moderna a partir do encontro com Lurdes Bastos, Klauss e Angel Vianna. Ex- integrante do Grupo Experimental de Dança do Balé da Cidade, estudou em Nova York e na  França. Foi integrante do Grupo Coringa sob a direção de Graciela Figueroa. Atuou em teatro sob a direção de Ulysses Cruz, Naum Alves de Souza, Gabriel Villela, Ilo Krugli, Jorge Takla e Roberto Lage, entre outros.

A convite do Balé da Cidade, dirigiu o solo de dança Um Outro Corpo, com a intérprete-criadora Cláudia Palma (2005). Ganhou, com Carlos Martins e Eliana e Sofia Cavalcante, o prêmio de circulação de espetáculos da Caravana FUNARTE para as regiões sul e sudeste, pelo Projeto Extensões (2005). Apresentou-se no 3º Festival Dança em Cena de Maceió (2004). Apresentou o espetáculo, nos eventos Personalidades da Dança e São Paulo por Personalidades da Dança, no Panorama SESI de Dança e Teatro Municipal de São Paulo, respectivamente, em setembro e outubro de 2004. Em 2003 e 2004 ganhou o prêmio Estímulo à Dança Contemporânea do CCSP.   

Recebeu prêmios por sua atuação como intérprete e coreógrafa: APCA de melhor intérprete e coreógrafa (pelos espetáculos Nijinsky, Blásfêmeas e Paidiá), MAMBEMBE de melhor atriz coadjuvante (por Lago 21, direção de Jorge Takla), APETESP de melhor coreógrafa em teatro adulto (pelos espetáculos Corpo de Baile, direção de Ulysses Cruz; Corpo Estrangeiro, de Márcia Abujamra, e Pássaro do Poente, direção de Marcio Aurélio) e APCA de melhor intérprete (pelo solo Dantea). Atualmente desenvolve trabalhos solos, como bailarina e atriz, com a colaboração de Cláudio Gimenez.

Professora de Técnica de Dança Contemporânea na Faculdade de Dança Anhembi-Morumbi. Destaque, ainda, para seu trabalho nos espetáculos Mover-se e Túfuns (2003, no projeto Outras Danças do SESC Ipiranga), Mephistópheles  (2003, sob a direção de Antônio Abujamra e Hugo Rodas, SESI) e Mãe Coragem e seus Filhos (direção de Sérgio Ferrara, SESC Consolação e TBC, 2002).

 

Sobre Cláudia Palma

Paulista, graduada em Educação Física, começou a carreira como bailarina intérprete no grupo de dança Casa Forte (1981 a 1984 ), depois ingressou na  Cisne Negro Cia de Dança (1985 a 1992) e em seguida na  Republica da Dança (1994 a 1995). Desde 1995, está no elenco do Balé da Cidade de São Paulo, onde, atualmente, integra a CIA 2 .

Ao longo de sua carreira como coreógrafa, vem realizando vários trabalhos, alguns dos quais permanecem no repertório do Balé da Cidade de São Paulo. Recebeu o prêmio APCA de melhor bailarina, em 1989, e o prêmio estímulo Mambembe de melhor intérprete, em 1994. Com sua experiência, construída ao longo de 25 anos de dança, atualmente desenvolve seu trabalho de troca de informações por meio de oficinas.

Ficha Técnica
Direção - Mariana Muniz
Intérpretes criadoras - Mariana Muniz e Claudia Palma
Música - Ricardo Severo
Imagens - Aline Bonamin e Mariana Sucupira
Iluminação - Celso Marques
Figurinos - Mariana Muniz e Claudia Palma - assessoria: Tânia Marcondes
Produção - Mônica Bammann
Duração – 40 minutos

 
DIAS 31 DE AGOSTO E 1 DE SETEMBRO


O HOMEM DOS AVESSOS, com JOSÉ MARIA CARVALHO
e direção de HÉLIO CÍCERO (SÃO PAULO)

Obra de Guimarães Rosa também inspira Homem dos Avessos 

 

O espetáculo solo Homem dos Avessos – que marca a parceria inédita do bailarino José Maria Carvalho com o ator e diretor de teatro Helio Cicero – inspira-se em um episódio da obra máxima do escritor mineiro João Guimarães Rosa, o Grande Sertão: Veredas, que completa 50 anos em 2006.

Homem dos Avessos é o primeiro fruto de um trabalho de pesquisa que vem sendo desenvolvida há quatro anos por José Maria Carvalho, sobre a obra literária de Guimarães Rosa. Durante sua pesquisa, José Maria realizou viagens às regiões que remetem ao universo Roseano, pelos municípios de Cordsburgo, Morro da Garça e Andrequicé – percurso do sertão mineiro retratado no livro.

A partir do aspecto fantástico da obra, Helio Cicero e José Maria criaram uma coreografia com traços da cultura mineira, influências orientais - como o mangá (histórias de quadrinhos japonesas), faroeste e dança butô, que José Maria desenvolveu durante sua convivência com Takao Kusuno (1945-2001), artista japonês de múltiplas habilidades, que difundiu o butô no Brasil.

A influência do faroeste fica clara quando o bailarino retrata a constante transformação de sua personagem do real para o fantástico. “O herói, em constante metamorfose, vai deixando várias peles em seu caminho. A capa do boiadeiro, a maquiagem branca que cobre seu corpo, até chegar nas questões espirituais, simbolizadas pela cobra voadeira Urutu Branco, pintada na pele do bailarino”, explica o diretor.

O cenário do espetáculo é inspirado num jardim zen de areia e pedras. “É um lugar sagrado, místico, onde a energia do céu faz contato com as energias da terra”, diz José Maria. A trilha sonora vai de sons e músicas regionais coletadas no sertão mineiro até músicas contemporâneas e rock progressivo.

Sobre Helio Cícero

Formado pela Escola de Arte Dramática – EAD/USP, é ator, diretor de teatro e professor de interpretação da PUC – TUCA/SP e Indac. Atuou em peças de Antunes Filho e Ulisses Cruz, recebendo os prêmios Mambembe, Apetesp e Inacen de melhor ator, além dos espetáculos dirigidos por Cibele Forjaz, Samir Yazbek, Francisco Medeiros, Eduardo Tolentino, Emílio Di Biasi e Maucir Campanholi. No ano passado, dirigiu A Escolha do Jogador – Patrick Marber, com indicação ao Prêmio Shell.

Em televisão, participou do Rei do Gado, Imigrantes e Serras Azuis, Amor e Ódio e Canavial de Paixões, Começar de Novo, JK e Cristal. Em cinema, atuou nos filmes Expresso para Aanhangaba, Tapete Vermelho, Boleiros Dois e Garibaldi In América.

Sobre José Maria Carvalho

Dançarino, coreógrafo, professor e pesquisador da dança butô, dança contemporânea e danças brasileiras. Foi assistente de Klauss Vianna de 1981 até 1992. Em 1985 inaugurou o Espaço Viver Dança e Cia., onde atua como professor e diretor até hoje. Estudou e trabalhou com Roberto Freire, Miriam Muniz, Maria Duschenes, entre outros.

Formado no método Feldenkrais de Educação Somática pela Associarão Feldenkrais do Brasil, vem desenvolvendo pesquisa de linguagem em dança contemporânea, investigando a aplicação do método na criação de parâmetros corporais, estabelecendo uma ponte entre o butô, seus princípios e danças brasileiras. Atualmente, desenvolve pesquisa com a literatura de João Guimarães Rosa.

 

Ficha Técnica

Direção – Hélio Cícero
Coreografia – Hélio Cícero e José Maria Carvalho
Interpretação – José Maria Carvalho
Idealização – José Maria Carvalho
Duração – 50 minutos

 

DIAS 2 E 3 DE SETEMBRO


MISTER K, SOLO PARA KATJA e DESERTO 2,
com CIA. KASSENK,  direção de OSMAN KHELILI (FRANÇA)

Cia KassenK, grupo de Osman Khelili, se apresenta pela primeira vez no País

 

O brasileiro Osman Khelili, que reside na Europa desde 1991, vem ao Brasil com a Cia KassenK pela primeira vez e apresenta Mister K, Solo para Katja e Deserto 2, três coreografias que integram o ciclo de espetáculos batizado de  (auto)retrato(s). Iniciado em 2002, o projeto (auto)retrato(s) reúne criações de Osman inspiradas, respectivamente, por  uma imagem de uma estação de trem em Rennes, na França, que o artista traz na memória; pelas obras da pintora sul africana Marlene Dumas e por uma foto de sua avó. Com este ciclo, Osman Khelili afirma ter a oportunidade de brincar com o fato de ser um brasileiro que vive há muito tempo na Europa. Será que meus valores são mais europeus ou brasileiros?”, questiona ele sobre sua identidade.

Para o criador e intérprete, o solo Mister K é uma espécie de histórico de todos os seus trabalhos. Inspirada pela recordação de uma estação de trem em uma cidade francesa, a coreografia parte de uma pesquisa sobre o uso do espaço. Inicialmente concebida para ser realizada em um espaço aberto, a montagem sofreu adaptação. “Trabalho com uma limitação de espaço, com movimentos curtos, como se estivesse dançando em um corredor estreito, idéia que surgiu a partir da constatação de que uma estação é um lugar de passagem”, explica, informando que esta foi a primeira coreografia feita por encomenda, baseada na palavra nouvelle, que em francês significa contos, novidades ou contar algum fato. “Trata-se de uma reunião, uma compilação da minha trajetória na dança”, afirma Osman.

Solo para Katja foi idealizado para a bailarina e amiga Katja Fleig, intérprete e co-autora da coreografia. Usando como inspiração os quadros da pintora sul-africana Marlene Dumas, Osman Khelili questiona os conceitos de feminino e masculino. “Tento retratar uma mulher a partir de uma visão de homem”, explica ele. No cenário do espetáculo, quatros espelhos – uma brincadeira com a idéia de retrato e auto-retrato, explorado pelo coreógrafo brasileiro neste ciclo – além de projeções com imagens dos olhos de Osman e Katja. “O público fica na dúvida e não consegue distinguir qual é o olho masculino e o feminino. Essa é a intenção: será que as diferenças entre homem e mulher são tão grandes assim?”, diz o bailarino.

A viagem em busca da identidade de Osman continua em Deserto 2, um estudo sobre o vazio, a ilusão e a miragem.  Neto de uma argelina, o artista guarda uma imagem forte da avó e da cultura de seu país. “Tudo o que sei são apenas histórias contadas pelo meu pai e fotos antigas. Não sei até que ponto isso é real ou fruto da minha imaginação. Esses conceitos se refletem no meu trabalho”, afirma Osman Khelili, que também faz questão de mostrar em cena várias maneiras de povoar o vazio com movimentos representando suas  angústias e questionamentos”. No espetáculo não há cenário, somente um trabalho de luzes para recriar o ambiente do deserto por meio de um desenho de Robin Decaux. 

Ficha Técnica Mister K
Coreografia e interpretação – Osman Khelili
Criação sonora – Deniz Gambiez
Figurino – Alexandra Bertaut
Duração – 12 minutos
Ano de criação – 2005

Ficha Técnica Solo para Katja

Coreografia – Osman Khelili
Interpretação – Katja Fleig
Criação sonora – Deniz Gambiez
Vídeo – Arnaud Perennes
Iluminação – Robin Decaux
Figurino – Alexandra Bertaut
Duração – 25 minutos
Ano de Criação – 2005

Ficha Técnica Deserto 2
Coreografia e interpretação – Osman Khelili
Criação sonora – Deniz Gambiez
Iluminação – Robin Decaux
Figurino – Valérie de Champchesnel
Duração – 15 minutos
Ano de criação – 2002

 

Para roteiro

DANÇA EM PAUTA 2006 - De 10 de agosto a 3 de setembro, semanalmente, com espetáculos de quinta-feira a domingo. - Espetáculos de dança, quintas e sextas às 19h30, sábado e domingo 19h. Ingressos - R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada). Kit com 5 ingressos – R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada) Vendas pelo telefone - (11) 3038-6698. Vendas pelo sitewww.bilheteria.com Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. Aberto de terça a sábado – das 10h às 21h, domingos - das 10h às 20h (próximo às estações Sé e São Bento do Metrô). Informações: (11) 3113-3651 / 3652. Capacidade: 125 lugares. Opções de estacionamento na rua Líbero Badaró. Censura – 14 anos.

WORKSHOPSKoni Hanft - Dias 10, 11 e 12 de agosto, de quinta a sábado, das 16 às 18h. Sônia Mota - Dias 17, 18 e 19 de agosto, de quinta a sábado, das 16 às 18h. Local - Sede do Balé da Cidade de São Paulo, rua João Passalacqua nº 66, Bela Vista. Telefone - 3241.3883. Capacidade - 20 pessoas. Inscrição - Gratuita

 

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