Espetáculo de dança coloca na ponta dos pés
as relações afetivas na sociedade de consumo
Os criadores-intérpretes Juliana Moraes (mestre em dança pelo Laban Centre for Movement and Dance de Londres) e Anderson Gouvêa (das Cias Nova Dança e Balandança) estréiam espetáculo 2 e ½ dia 18 de agosto no Viga Espaço Cênico
Em tempos de consumo exacerbado, um jovem casal vive as dificuldades afetivas de um relacionamento amoroso. Este é o tema do espetáculo de dança 2 e ½, que estréia dia 18 de agosto, sexta-feira, às 21 horas, no Viga Espaço Cênico, apresentando os intérpretes-criadores Juliana Moraes (APCA, em 2002 como melhor criadora-intérprete pelo solo Querida Sra. M) e Anderson Gouvêa (integrante dos grupos Cia. Oito Nova Dança e Balangandança), que também assinam a direção das coreografias.
Em 55 minutos de duração e ambientado em um loft, o espetáculo de dança-teatro 2 e ½ coloca foco na questão do que os criadores chamam de “deslocamento do afeto”. Assim, Juliana Moraes e Anderson Gouvêa vivem no palco o casal de namorados em apuros para lidar com o carinho e a perda da identidade em meio ao universo do consumo.
Na tentativa de construir um relacionamento, eles direcionam a afetividade para os objetos da casa. “Ao voltar suas atenções para os objetos, eles têm a casa como uma válvula de escape para o carinho”, explica Anderson Gouvêa, comentando que os objetos da casa adquirem valores subjetivos. “O casal se relaciona com os objetos (cama, luminária, sofá etc) como se fossem pessoas e com as pessoas como se fossem objetos”, conta.
Sobre a montagem
Juliana explica que “2 e ½ surgiu do questionamento sobre o fenômeno do deslocamento do afeto, que experimentamos atualmente na sociedade ocidental”. Para Anderson, “não só o afeto que se direciona a bens de consumo, mas também a uma certa representação social marcada pela construção de personagens cada vez mais condicionados pelas imagens veiculadas em revistas, filmes e programas de televisão”.
Fruto de um trabalho de pesquisa de linguagem iniciado há seis meses, quando seus autores ganharam o Prêmio FUNARTE/ PETROBRÁS de Fomento à Dança, o espetáculo prioriza as coreografias que não utilizam movimentos tradicionais da dança contemporânea.
O processo de confecção de cenário e do figurino caminhou fora do padrão convencional de uma montagem. Os próprios atores foram a campo adquirir os objetos de cena – para montar a sala e o quarto, os dois espaços de representação. “Compramos tudo nós mesmos”, dizem os dois, que usaram o mesmo método para escolher o figurino, selecionado com peças de estilistas como André Lima, Taís Gusmão e confecções como A Mulher do Padre e Zara. “Ir às compras fez parte do processo de montagem”, afirmam Juliana e Anderson. A trilha sonora é de Laércio Resende (O Livro de Jô e Apocalipse).
Juliana Moraes
Mestre em Dança pelo Laban Centre for Movement and Dance, em Londres, revalidado pelo Departamento de Comunicações e Artes da USP. Completou o Professional Diploma in Dance Studies, também no Laban Centre Londres, agraciada pela Bolsa de Aperfeiçoamento em Artes no Exterior – APARTES, da CAPES. É Bacharel em Dança pela UNICAMP. Foi Bolsista do “Danceweb Scholarship Program” e da “UNESCO-Aschberg Bursaries for Artists” para residência no “Festival Impulstanz”, em Viena, Áustria, quando estudou com Benoït Lachambre e Vera Mantero; Estudou com Françoise e Dominique Dupuy, em Fontvieille, França, com bolsa da UNICAMP. Dançou para os coreógrafos Holly Cavrell (Campinas), Philipp Gehmacher (Londres) e Andrea Herdeg (Londres e Zurique).
No Brasil, ganhou a Bolsa Rede Stagium 2001 para desenvolver o solo Querida Sra. M., premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, em 2002 (categoria melhor criadora-intérprete de dança), Prêmio Estímulo da Secretaria Municipal de Cultura, em 2003. No mesmo ano, ganhou a Bolsa Vitae de Artes, com o Projeto O Sopro do Desassossego e o Prêmio Estímulo do Centro Cultural São Paulo – Braços e Pernas pela Cidade 2003, com o solo Dois Sopros. Em 2005, recebeu o Prêmio 9° Cultura Inglesa Festival, pela peça Corpos Partidos, apresentada em vários teatros e festivais na cidade de São Paulo (Caravana Paulista de Artes 2006). Em 2005 desenvolveu residência no Caleidos Arte Ensino para criação do solo 3 Tempos num quarto sem lembrança. É professora de disciplinas relacionadas ao corpo (performance) nos cursos de Artes Visuais e Comunicação no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.
Anderson Gouvêa
Bacharel e Licenciado em Dança pelo Curso Dança e Movimento da Universidade Anhembi Morumbi. Entre seus professores destaque para Silvia Gerald (Dança Moderna), Isabel Marques (Método Laban), Lu Favoreto (Ballet Clássico), Tica Lemos (Contato Improvisação), Ana Terra (Consciência Corporal), Carlos Martins (Dança-teatro) e Mariana Muniz (Dança Contemporânea). Desenvolveu os projetos Bem vindo ao Deserto do Real (2002), ao lado de Armando Aurich, Carlos Martins, Cláudia Palma, Renata Franco, Robson Lourenço e Ana Terra, patrocinado pelo Goethe-Institut; Dança e Percussão Contemporânea (2003), como convidado da Cia. Cristina Salmistraro, no evento 40 anos do MAC; Corpo Coisa Remix (2004), em parceria com Thelma Bonavita; e Canibal (2005), como performer convidado por Marco Paulo Rolla, apresentado no Itaú Cultural – O corpo na arte contemporânea e no evento Brasil em Cena/ Berlim.
É integrante da Cia. Oito Nova Dança, desde 2003, onde desenvolveu como criador-interpréte o espetáculo Trapiche (2004), dirigido por Lu Favoreto. Assinou a direção, com Marina Caron, do espetáculo Trio de Dois, Três de Quatro (2005), no evento Sesi Dança 2006. Integra a Balangandança Cia. desde 2005, desenvolvendo como criador-interpréte o espetáculo O Tal do Quintal, Prêmio Estímulo de Dança e pelo Prêmio Funarte/Petrobrás. É professor de Dança Contemporânea no Estúdio Nova Dança, Dança-teatro no Espaço Ghut e Arte-educador em Dança na ONG Novo Olhar. Desenvolve trabalhos solos, pesquisando interfaces entre diferentes linguagens artísticas. Produziu os solos Aqui Dentro (2002), projeto de residência na Oficina Cultural Oswald de Andrade, orientado por José Rubens Siqueira e Gabriela Rabello e Estamos Bem (2004), orientado por Mariana Muniz.
2 e ½ - Estréia dia 18 de agosto, sexta-feira, às 21 horas. Direção e interpretação de Juliana Moraes e Anderson Gouvêa. Temporada - De quinta a sábado, 21 horas. Domingo, 20 horas – Até 27 de agosto. Duração – 55 minutos. Censura – 14 anos. Ingressos a R$ 20,00. Viga Espaço Cênico.
VIGA Espaço Cênico - Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros (ao lado do metrô Sumaré). Tel: (11) 3801-1843. Faz reserva por telefone. Capacidade – 70 lugares. Ingressos na bilheteria do Teatro a R$ 10,00. Aceita cheque. Não aceita cartão. Estacionamento próximo, na Rua Amália de Noronha, 137 Ao lado do metrô Sumaré
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