SESC Ipiranga apresenta vídeo-ópera de Lívio Tragtenberg sobre a imigração ilegal
Recheada de ironia e humor negro, Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal
retrata o submundo de imigrantes ilegais fazendo uso de recursos de vídeo. Serão sete telões que projetarão imagens do palco à platéia, criando um ambiente único que envolve os artistas e os espectadores. A montagem, com composições e direção de Livio Tragtenberg, traz no repertório, trova cubana, bolero, merengue, zouk, cúmbia colombiana, tango, salsa e mambo, entre outros ritmos e estilos latinos
A imigração ilegal é tema de Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal, vídeo-ópera com letras e melodias compostas por Livio Tragtenberg, responsável também pela direção da montagem, que estréia no dia 11 de agosto, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro do SESC IPIRANGA. Sete telas posicionadas no palco e nas laterais da platéia exibem vídeos (criados por Joana Cancio, Lucas Gervilla e Livio Tragtenberg) que ambientalizam a história cantada e encenada pela cantora e atriz Neusa Romano e pelo músico paraguaio Vicente Castillo (que atua na Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo). O espetáculo – com figurinos assinados por Rita Martins, cenografia de Renato Hirsch e iluminação de André Boll – terá uma banda, que tocará as músicas ao vivo, formada por Beto Sodré (percussão), Gustavo Sarzi (teclados), Webster Santos (violão, guitarras e contrabaixo), além do próprio Livio Tragtenberg (clarone e saxofone).
Inspirado em notícias de jornais e usando como pano de fundo alguns fatos recentes da história mundial, Livio aborda o fenômeno social da imigração ilegal nesta tragicomédia. “A trova cubana, o bolero, o merengue, o zouk, a cumbia colombiana, o tango, a salsa, o mambo, entre outros estilos, formam a salada musical desta ópera cheia de ironia e humor negro”, conta Livio Tragtenberg, que recentemente criou a Nervous City Orchestra em Miami, reunindo 14 músicos latinos de diferentes nacionalidades, com grande sucesso.
Para a coordenadora da programação do SESC IPIRANGA, Lídia Tolaba, a idéia principal de Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal é criar um ambiente no qual o público sinta reflita e até se divirta frente a situações inesperadas, frutos de um problema tão atual como o da imigração ilegal, sejam estas vivenciadas em Miami, São Paulo ou qualquer lugar do mundo. “Por meio de canções, imagens e ações, o espetáculo permite que a platéia pense sobre um dos preconceitos que permeiam a sociedade como um todo”, comenta ela.
Nos sete telões serão projetadas imagens gravadas em Miami, de dentro de um carro, o que dá a sensação de que a platéia passeia pela cidade mais latina da Flórida. Além disso, vídeos com cenas de São Paulo e uma reconstituição trash dos atentados às torres gêmeas do World Trade Center, entre outras imagens, também poderão ser vistos pelos espectadores. Mesmo com o título de ópera, Livio Tragtenberg frisa que este é um espetáculo com uma linguagem bem popular. “O termo ópera foi usado porque temos uma associação entre encenação e música. Esta não é uma ópera tradicional”, explica Livio.
Histórias de imigração
O tom de tragicomédia pode ser constatado nas letras de músicas e em personagens como o mineiro que começa a trabalhar como engraxate no World Trade Center justo no dia 11 de setembro de 2001. Além deste, em Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal também estão presentes o patrulheiro fronteiriço (voluntários que formam o esquadrão da morte, que vigiam a fronteira entre EUA e México), a boliviana que vem tentar a vida em São Paulo, o cubano que encontra o desemprego em Miami e os descendentes de latinos que sofrem preconceitos na Terra do Tio Sam, entre outros.
Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal encena uma noite fictícia no mítico cabaré Tropicana, da cidade de Havana, anterior a revolução cubana de Fidel Castro. Como num show de cabaré sucedem-se os números musicais, os vídeos, convocando a participação atuante da platéia. A atriz e cantora Neusa Romano está adorando participar do espetáculo. Ela conta que já fez algumas parcerias com o Livio, mas nunca haviam subido num palco juntos. “O espetáculo é uma sátira rasgada da relação entre os imigrantes e os Estados Unidos, mas há momentos em que a história é transportada para o Brasil. Uma das minhas personagens, que são várias, é uma cabeleireira que trabalha no bairro do Pari, em São Paulo”, diverte-se ela.
“O tema da imigração, explorado no cinema, na literatura e até em novela de TV, traz uma informação que às vezes optamos por não querer ver, apesar de conviver dia-a-dia com ela”, conta Lídia, que ainda comenta que geralmente as pessoas se vêem como imigrantes em outros países e não percebem que as mesmas situações de conflito são vivenciadas por estrangeiros, muitos deles ilegais.
Colagem de letras latinas
As letras utilizadas em Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal são uma colagem de letras de mais de duas centenas de músicas latinas de diferentes estilos e épocas, desde os clássicos latinos até o reggaeton dominicano, reforçando, assim, a identidade latina na dicção poética. “Os cantores atuam envolvidos por projeções móveis que percorrem todo o teatro, do palco à platéia, criando um ambiente único que envolve o espectador. As imagens em movimento constante, como se estivéssemos dentro de um carro observando as coisas pela janela, mostram cenários da realidade dos imigrantes hispânicos de Miami e também de São Paulo”, adianta Livio.
Para Neusa, o assunto da imigração está em voga e é de interesse geral. “Os Estados Unidos estão fechando o cerco aos imigrantes ilegais. Pensam até em aprovar leis mais duras”, conta a atriz. A coordenadora da programação do SESC IPIRANGA diz que os dois cantores e os quatro músicos, além das projeções de vídeo, criam um ambiente multimídia. “Melodia Cucaracha – Uma Ópera Ilegal conta a saga desses novos "bandeirantes" do século 21. Cantar e falar com humor sobre este tema, pode ser uma das formas de nos sensibilizar e entender esse problema contemporâneo”, enfatiza Lídia.
Sobre Livio Tragtenberg
Compositor e saxofonista, compõe para orquestra, grupos vocais e instrumentais, ópera, cinema, vídeo, teatro e dança, além de criar instalações sonoras. Desde 1987 atua como solista em Festivais de Música na Europa e Estados Unidos. Entre 1990 e 1998 foi professor de música no Departamento de Música da UNICAMP. Entre os CDs lançados, destaque para Coleção de Novas Danças Brasileiras (2003), Brava Gente Brasileira (2000), São Paulo, A Symphonia da Metrópole (2000), Através da Janela (2000), Bazulaques Brasileiros (1998), Pasolini Suite (1996), OTHELLO (1995), Anjos Negros (1994) e Temperamental com Décio Pignatari (1993). Livio também compôs para curtas e longas-metragens; entre eles estão: Contra Todos, de Roberto Moreira (2004); Brava Gente Brasileira, de Lúcia Murat (2000); Latitude Zero, de Toni Venturi (2000); 500 Almas, de Joel Pizzini (2002); Um Céu de Estrelas (1996) e Através da Janela (1999), ambos de Tata Amaral.
Em teatro, o músico compôs as trilhas dos espetáculos Hamlet, de Shakespeare (Teatro do SESI, São Paulo, 2002); Calígula, de A. Camus (Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo,1990); Édipo Rei, de Sófocles (Teatro Ruth Escobar, São Paulo,1983) e Anjo Negro, de Nelson Rodrigues (Teatro Nelson Rodrigues, Rio de Janeiro1993), entre outros. O artista também publicou alguns livros e ganhou diversos prêmios importantes como Festival de Cinema de Brasília (2004) – Prêmio de Trilha Sonora pelo filme 500 Almas, de Joel Pizzini; Instituto Sérgio Motta (SP) – Prêmio Cultural Sérgio Motta (2002), Festival de Cinema de Brasília (2001) – Prêmio de Trilha Sonora pelo filme Brava Gente Brasileira, de Lúcia Murat; Festival de Cinema de Brasília (1997) – Prêmio de Trilha Sonora pelo filme Miramar, de Júlio Bressane e Prêmio APCA (1999) pela música de Formless, espetáculo de dança de Marta Soares.
Para Roteiro:
MELODIA CUCARACHA – UMA ÓPERA ILEGAL – Estréia dia 11 de agosto, às 21 horas, no Teatro do SESC Ipiranga. Direção, composição das letras e melodias e sound design – Livio Tragtenberg. Elenco – Neusa Romano e Vicente Castillo. Músicos - Beto Sodré (percussão), Gustavo Sarzi (teclados), Livio Tragtenberg (clarone e saxofone) e Webster Santos (violão, guitarras e contrabaixo). Vídeos – Joana Cancio, Lucas Gervilla e Livio Tragtenberg. Figurinos – Rita Martins. Cenografia – Renato Hirsch. Iluminação – André Boll. Duração – 60 minutos. Temporada – Sextas-feiras e sábados, às 21 horas e domingos às 20 horas. Espetáculo recomendado para maiores de 12 anos. Ingressos – R$ 24,00; R$ 12,00 (usuário matriculado, estudantes com carteirinha e pessoas com mais de 65 anos) e R$ 9,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados). Até 27 de agosto.
TEATRO DO SESC IPIRANGA – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga. Fone: (11) 3340-2000. Capacidade do Teatro – 230 lugares. Bilheteria – De terça a sexta-feira das 8 às 21 horas e sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas. (ingressos à venda em todas as unidades do SESC). Aceita dinheiro, cheque e cartão de crédito Visa, MasterCard e Amex. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. www.sescsp.org.br
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