Marina Neyolova, uma das mais importantes atrizes russas, vive o protagonista de O Capote , peça baseada em conto de Nikolai Gógol
Produção do Teatro Sovreménnik em parceria com o Centro de Teatro e Cultura Meyerhold, a peça O Capote , dirigida por Valéri Gókin leva para o palco o clima imaginário do texto de Nikolai Gógol. Em cena, pantomima, teatro de sombras, um coro e a atriz Mariana Neyolova, grande nome da cena teatral russa. Essa é a quarta peça trazida ao País pela ESTAÇÃO DE TEATRO RUSSO - BRASIL 2006
Valéri Fókin (diretor artístico do Teatro Aleksandríiski de São Petersburgo e do Centro de Teatro e Cultura Meyerhold) assina a direção de O Capote , quarta montagem a se apresentar em palcos brasileiros na programação da ESTAÇÃO DE TEATRO RUSSO - BRASIL 2006 . Com apresentações nos dias 5, 6 e 7 de setembro , terça e quarta às 21 horas e quinta às 18 horas , no Teatro do SESC Pinheiros , a peça, baseada em conto de Nikolai Gógol, tem no elenco Marina Neyolova, uma das mais famosas atrizes da Rússia, interpretando o protagonista. A montagem, com produção do Teatro Sovreménnik em cooperação com o Centro de Teatro e Cultura Meyerhold, mescla mímica e teatro de sombras, além de contar com o conjunto vocal Sirin.
Marina Neyolova dá vida a Bachmátchkin, um funcionário público paupérrimo, solitário e sem nenhuma alegria, que tem sua vida transformada a partir do momento em que começa a se esforçar para comprar um capote novo, que substituirá o antigo, sem mais condições de uso. Valéri Fókin disseca a obra original, retirando quase todo o texto do espetáculo, construindo sua montagem mais em cima de uma atmosfera do que de uma narrativa. No palco, a atriz conta a história de Bachmátchkin por meio da pantomima, retratando ora uma pessoa idosa, ora um sonâmbulo ou alguém alheio a tudo o que acontece ao seu redor.
Mundo imaginário de Valéri Fókin
A montagem de Valéri Fókin de O C apote busca a encenação de um mundo imaginário, privado dos indícios da vida real. "I nteressa-me o limite entre o real e o irreal . É um estado da consciência que é difícil explicar com meras palavras. Não é um estado de sono, nem de torpor. O que mais me atrai é o exato momento quando o sono ainda não terminou, mas o dia já está amanhecendo", diz o diretor, explicando o que pretende transmitir com a montagem.
Para dar vida ao seu pensamento, Fókin buscou um ator que se encaixasse na definição de ator universal, criada pelo encenador Meyerhold ("um ator precisa ter flexibilidade física e psicológica"). Foi aí que encontrou Marina Neyolova. Quando ela sobe ao palco, deixa claro que o objetivo do diretor foi alcançado com precisão: uma criatura assexuada, com movimentos que passam exatamente a sensação que Fókin desejava.
Valéri Fókin interpreta o texto de Gógol como um retrato da crueldade presente no cotidiano da cidade de São Petersburgo em relação aos seus cidadãos desconhecidos, quase uma metáfora dos dias atuais em qualquer cidade do mundo. Ele se vinga através do fantasma do protagonista da peça, que, após sua morte, transforma em transtorno a vida das pessoas que o humilharam. O espetáculo de Valéri Fókin é construído baseado em duas questões: Até que ponto o ser humano pode ser ultrajado e qual o limite para a intervenção de um poder divino?
O Teatro Sovreménnik e o Centro de Teatro e Cultura Meyerhold
Fundado em 1956 por um grupo de jovens atores, que se definiam como um coletivo artístico livre e unido, o Teatro Sovreménnik foi criado como uma resposta ao sistema teatral russo, que naquele momento tinha perdido o ideal dos fundadores do Teatro Artístico de Moscou. O principal objetivo do grupo de atores era protestar contra um teatro morto e criar novas condições para o desenvolvimento do método de teatro criado por Stanislávski, comprovando a vitalidade do teatro psicológico. Esse traço, que continua presente na produção atual do Teatro Sovreménnik, é o principal motivo para atrair jovens e intelectuais.
Valéri Fókin começou sua carreira de diretor teatral no Sovremênnik. Desde sua primeira montagem, ele conquistou o público russo, que passou a acompanhar seus trabalhos. Hoje, pode-se afirmar que foram suas encenações dos anos 70 que tiraram o teatro russo de uma grande crise. Desde então, a colaboração entre Valéri Fókin e o Teatro Sovreménnik continua.
Iniciativa do diretor de teatro Valéri Fókin, o Centro de Teatro e Cultura Meyerhold nasceu em 1991. A figura de Vsévolod Meyerhold não foi escolhida por acaso - o gênio da época revolucionária sempre foi ícone e ídolo da vanguarda teatral. Com o objetivo de continuar esse trabalho, Fókin transformou o palco do Centro em um espaço aberto para apresentações de grupos artísticos ligados às artes cênicas, bem como novos talentos, propostas experimentais e festivais nacionais e internacionais. Essa proposta continua nos dias de hoje.
Sobre Valéri Fókin
Valéri Fókin é diretor artístico do Teatro Aleksandríiski de São Petersburgo e do Centro de Teatro e Cultura Meyerhold . Nascido em 1946, é considerado Artista do Povo da Rússia e já recebeu quatro vezes o Prêmio Estatal da Rússia. Logo após se formar na escola Teatral Schúkin, Valéri Fókin trabalhou 15 anos como diretor no Teatro Sovremennik de Moscou. Durante esse período, encenou obras de Nabókov, Vampílov, Rózov, Volódin, Dostoiévski, Albee entre outros. Fókin é considerado um dos mais importantes diretores da cena européia contemporânea, e seus espetáculos já foram apresentados em palcos dos Estados Unidos, Polônia, Hungria, Alemanha, Suíça, Japão, França e Coréia do Sul.
Sobre Marina Neyolova
Umas das mais importantes atrizes da Rússia, Marina Neyolova é a primeira atriz do Teatro Sovreménnik e já realizou importantes trabalhos na televisão e no cinema. Representa papéis cômicos e trágicos e já representou dezenas de personagens tanto de textos clássico como de textos contemporâneos do teatro russo e universal. Entre os muitos prêmios recebidos pela atriz, destacam-se Triumph and K, Tony Award e Stanislavski International.
Sobre Nikolai Gógol
Romancista, contista e dramaturgo, Nikolai Gógol é autor de Almas Mortas (1842) e O Capote (também de 1842), obras consideradas como os dois pilares fundadores do realismo russo do século 19. Escrevendo para periódicos de São Petersburgo, enquanto ocupava cargos menores da burocracia czarista, Gógol tomava como tema o povo e as tradições rurais da Ucrânia, onde nasceu. Em 1835, lançou duas coletâneas com obras importantes: Taras Bulba , sobre o passado dos cossacos, e Diário de Um Louco , no qual o personagem central termina num asilo. Em 1842, o sucesso da primeira coletânea de suas obras transformou-o num dos mais populares escritores da Rússia.
Sobre ESTAÇÃO DE TEATRO RUSSO BRASIL 2006
No verão europeu de 2005, vários grupos de teatro brasileiro e seus respectivos espetáculos desembarcaram em Moscou para participar do 6º Festival Internacional Anton Tchekhov (um dos maiores e mais importantes festivais teatrais do mundo, ocupando lugar de destaque na vida cultural russa), na mostra Temporada Brasileira na Rússia . Em 2006, o diálogo entre o teatro russo e o brasileiro dá mais um passo com este evento, a ESTAÇÃO DE TEATRO RUSSO BRASIL 2006 .
Realizado aqui por meio da parceria entre a FUNARTE, o Festival Internacional de Teatro A.P. Tchekhov e o SESC SP com apoio dos Ministérios de Cultura do Brasil e da Rússia (Agência Federal de Cultura e Cinematografia), o evento acontecerá entre os dias 21 de julho e 8 de outubro , em várias cidades do Brasil. Cinco montagens russas fazem parte da programação: Noite de Reis (texto de William Shakespeare e direção de Declan Donnellan), Boris Godunov (texto de Aleksander Púchkin e direção de Declan Donnellan), Proprietários à Moda Antiga (baseado em um conto de Nikolai Gógol e dirigido por Mindaugas Karbauskis), O Capote (baseado em um conto de Nikolai Gógol e com direção de Valéri Fókin) e K.I. de Crime e Castigo (baseado no livro Crime e Castigo, de Dostoievski e direção de Kama Guinkas).
Para roteiro:
O CAPOTE - Únicas apresentações de 5 a 7 de setembro, terça e quarta às 21 horas e quinta às 18 horas . Com a atriz Marina Neyolova. Direção - Valéri Fókin. Cenografia - Aleksandr Boróvski. Conjunto Musical Sirin sob a direção de Andréi Kotov . Compositor - Aleksandr Bakchi. Coreografia - Serguei Gritsai. Cenas com sombras - Iliá Eppelbaum. Maquiagem artística - Tatiana Chmíkova. Idealização do Projeto - Iúri Rost. Duração - 60 minutos. Censura - Recomendado para maiores de 7 anos. Ingressos - R$ 20,00; R$ 15,00 (usuário matriculado); R$ 10,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes, aposentados e estudantes com carteirinha). Teatro do SESC Pinheiros - Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros. Telefone - 3095.9400. Capacidade - 140 lugares. Horário de funcionamento da bilheteria desta unidade - De terça a sexta, das 13h às 21h30, sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30. Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC . Informações - 0800 118220. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Estacionamento no próprio SESC com manobrista - R$ 5,00. www.sescsp.org.br
ESTAÇÃO DE TEATRO RUSSO - BRASIL 2006 - De 21 de julho a 8 de outubro . Realização - Fundação Nacional de Arte do Brasil - FUNARTE , Serviço Social do Comércio de São Paulo - SESC SP , Festival Internacional de Teatro Anton P. Tchekhov de Moscou. Co-Realização - Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília, Rio Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro do Rio de Janeiro. Parceria - Agência Federal de Cultura e Cinematografia da Rússia, Comitiva de Cultura de Moscou. Produção - Interior Produções Artísticas Internacionais Ltda.
www.teatrorusso.com.br
Próximo espetáculo
K.I. CRIME E CASTIGO
Texto - Baseado no romance Crime e Castigo, de Dostoievski
Direção - Kama Guinkas
Apresentações - Festival Cena Contemporânea de Brasília (Brasília / DF) - Dias 23, 24 e 25 de setembro, no Espaço Cultural Renato Russo
São Paulo - Dias 29 e 30 de setembro e 1º de outubro, no Teatro do SESC Ipiranga (Garagem).
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