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EDUARDO TOLENTINO DIRIGE
SUELY FRANCO E SÉRGIO
BRITTO EM OUTONO E INVERNO

Os dois atores dividem o palco com Denise Weinberg e Emília Rey, premiadas
atrizes que passaram pelo Grupo Tapa – fundado pelo diretor Eduardo Tolentino de Araújo. O texto, de Lars Norén, autor sueco inédito no País, mostra a história de uma família que cria um embate emocional durante um jantar semanal

Depois de ser vista por mais de 13 mil pessoas em dois meses e meio em cartaz no Rio de Janeiro e do sucesso da temporada em Brasília, a peça OUTONO E INVERNO chega a São Paulo e está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. Eduardo Tolentino de Araújo (Grupo Tapa) dirige o elenco formado por Sérgio Britto, Suely Franco, Denise Weinberg e Emília Rey. O texto é de Lars Norén, autor sueco inédito em palcos brasileiros. O espetáculo reestréia em 2007, de 11 de janeiro a 11 de fevereiro, no mesmo local e nos mesmo horários.

Um dos maiores expoentes do teatro contemporâneo do leste europeu, Lars Norén, de 62 anos, é afinado com uma corrente que liga a tradição escandinava (Ingmar Bergman) à dramaturgia norte-americana (O'Neill e Albee). O autor ganhou notoriedade a partir dos anos 80, com montagens de seus textos em diversos países da Europa e nos EUA.

O diretor Eduardo Tolentino teve contato com Lars Norén em 2000, quando dirigiu um grupo de atores poloneses em uma montagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. “Na mesma época, esses atores também estavam se apresentando com um texto de Lars, que eu achei magnífico. Passei a pesquisar sobre o autor e fiquei encantado com as suas peças”, conta Tolentino, que tem vontade de levar aos palcos brasileiros, em breve, outro espetáculo de Lars Norén, O Amor é tão Simples.

Uma história de relacionamento
Suely Franco diz que a peça é um encontro familiar, repleto de humor negro. “É um daqueles muitos jantares familiares onde discutimos erros e acertos, lavando toda a roupa suja enquanto comemos”, explica a atriz que substitui Laura Cardoso no papel da severa mãe Margareta. O clã fica completo com Sérgio Britto, no papel do marido, Erik, e as filhas, Ann e Ewa, interpretadas, respectivamente, por Denise Weinberg (Shell e APCA 2006 por Oração Para um Pé de Chinelo) e Emília Rey (Prêmio Mambembe de melhor atriz em O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda), atrizes que já trabalharam no Grupo Tapa.

O diretor Eduardo Tolentino explica que o foco da peça é na relação familiar. “A história, atemporal, se passa na sala de jantar de uma casa de classe média. Durante a refeição, essas quatro pessoas resolvem levantar toda a poeira que estava embaixo do tapete há tempos. Nesse texto, cabe aquele velho ditado: de perto, ninguém é normal”, afirma Tolentino.

A peça faz parte de uma trilogia em que o autor retrata famílias compostas por quatro pessoas – a mãe, o pai e dois filhos. “São típicas famílias burguesas e européias. Daqueles que têm valores diferentes e que falam tudo o que pensam, sem medo de magoar. Apesar dos personagens dizerem coisas que deixam o público chocado, a platéia se identifica muito com o texto. Afinal, quem nunca teve vontade de falar poucas e boas para a mãe, mas nunca teve coragem?”, fala a atriz Denise Weinberg. O ator Sérgio Britto ressalta que o espetáculo não chega ao final com uma solução para os problemas levantados durante a peça. “Não tem lição de moral, nem conclusão. O que OUTONO E INVERNO faz é apenas mostrar a mesma história contada de acordo com quatro visões diferentes”, afirma o ator.

Em cena, o foco é no trabalho do ator e no texto. “Cenário, iluminação e figurino são meros acessórios de apoio”, fala o diretor. Mas, vale a pena comentar que o cenário da peça contém objetos de decoração da rede de loja escandinava IKEA. Como a história do espetáculo se passa na Suécia, o diretor optou por objetos que lembrassem o estilo de decoração dessa região da Europa.

Sobre o diretor
O diretor Eduardo Tolentino de Araújo é um dos fundadores do Grupo TAPA. Ele mantém um grupo estável de atores sob sua coordenação, subordinando a interpretação e os recursos cênicos ao significado do texto. Em 1979, Tolentino funda, no Rio de Janeiro, o Teatro Amador Produções Artísticas (TAPA), para o qual dirige o infantil Apenas um Conto de Fadas, de sua autoria. Seguem-se produções que visam, antes de mais nada, consolidar os conhecimentos e recursos do encenador e de sua equipe.

Em 1986, o diretor e o TAPA transferem-se para São Paulo e ocupam o Teatro da Aliança Francesa, que será a sede do grupo por quinze anos. A Mandrágora, de Maquiavel, e Solness, O Construtor, de Henrik Ibsen, em 1988, demonstram sua dedicação a textos do passado, e apresentam-se como exercícios de estilo e processo de consolidação de certos formatos cênicos. Tais escolhas afirmam-se ainda mais, em 1989, com as encenações de Sr. de Porqueiral, de Molière, e Nossa Cidade, de Thornton Wilder.

Com Senhora Klein, de Nicholas Wright, volta ao teatro realista, para usar um enfoque renovador em Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Mais recentemente, em 2001, com seu grupo, dirige Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes e dedica-se aos autores irlandeses, em Major Bárbara, de Bernard Shaw, 2001, e A Importância de Ser Fiel, de Oscar Wilde, protagonizado por Natália Timberg, em 2002. No mesmo ano, realiza Executivos, texto do ator, encenador e dramaturgo contemporâneo francês Daniel Besse. Em 2003, novamente numa parceria entre o TAPA e Natália Timberg, revisita Melanie Klein, de Nicholas Wright, montagem que realizara em 1993.

Sobre Lars Nóren:
Sua primeira peça, Fursteslickarenhe (Bootlicker Sovereign), escrita em 1973, para o Stockholm’s Royal Dramatic Theatre, foi um fracasso. O autor sueco só obteve sucesso em 1982, com um trabalho baseado em suas memórias de infância. Criado em uma família de donos de hotel, ele teve contato com pessoas de diversos países. Trabalhos como Outono e Inverno (1987) apresentam temas ligados à Família. Já seus trabalhos recentes falam de indivíduos marginalizados da sociedade. Em 1998, ele usou prisioneiros como atores para alcançar o realismo na peça 7:3 que falava sobre o cativeiro e a prisão. Atualmente, é diretor artístico do Riksteatern em Éstocolmo. O dramaturgo é considerado sucessor de Ibsen e Strindberg.

Sobre o elenco:
Sérgio Britto é ator, diretor e produtor. Um dos fundadores do Teatro dos Sete nos anos 50, participa ativamente de importantes realizações cênicas dos anos 60 e 70. Nos anos 80, é um dos sócios do Teatro dos Quatro e, nos 90, realiza uma série de espetáculos musicados à frente do Teatro Delfim. Paralelamente à carreira teatral, que soma quase 90 espetáculos, Sergio Britto diversifica suas atividades. No início da carreira trabalha em diversas funções no cinema. Na TV, é pioneiro do teleteatro, como um dos fundadores, diretores e principais intérpretes do Grande Teatro, que produz cerca de 450 peças. Participa de novelas, minisséries e especiais. Dirige algumas óperas, inclusive uma polêmica Traviata, 1974. É, também, um dos fundadores da escola de formação Casa das Artes de Laranjeiras, CAL. Em 1989, assume a direção artística do Centro Cultural do Banco do Brasil, CCBB. Na TV Educativa, escreve, dirige e apresenta um programa dedicado ao teatro e à arte de interpretar.

Suely Franco iniciou sua carreira como garota propaganda na TV Tupi e logo passou a participar dos teleteatros da emissora. Além da Tupi, a atriz também passou pelas extinta Manchete, TV Rio, Record, Bandeirantes, e Globo, onde atualmente participa do infantil O Sítio do Pica-Pau Amarelo, no papel de Dona Benta. Nas 71 peças em que atuou, foi dirigida por nomes como Bibi Ferreira, Flávio Rangel, Gianni Ratto Sergio Britto, Ney Matogrosso, Cininha de Paula, Ary Fontoura, Wolf Maia, Ítalo Rossi, entre outros. A atriz também trabalhou no cinema: O Redentor (de Claudio Torres, 2002), Cristina Quer Casar (de Luis Vilaça, 2001) e Quatro Contra o Mundo – Anjo (de Silvio Autuori, 1964) são alguns dos títulos com participação de Suely. Entre as premiações recebidas por Suely, destacam-se o APCA (melhor atriz na peça Capital Federal), o Prêmio Coca-Cola (melhor atriz no espetáculo infantil O Mágico de Oz) e o Prêmio Shell (melhor atriz na montagem teatral Somos Irmãs).

Denise Weinberg é uma das fundadoras do Grupo Tapa, onde permaneceu por 21 anos, e da Oficina de Teatro do Grupo Tapa, que começou em 1994. Em 2006, a atriz recebeu o Prêmio Shell de melhor atriz pela peça Oração para um Pé de Chinelo (2005) e, também, o Prêmio APCA de melhor atriz pela mesma montagem. Além de dois Prêmios Molière como melhor atriz nas peças Vestido de Noiva (1994) e A Megera Domada (1991), três Prêmios Mambembe pelas peças Do fundo do lago escuro (1997), Vestido de Noiva (1994) e Viúva, porém honesta (1987). A atriz também ganhou três prêmios em cinema pelos filmes BMW Vermelho (2001), curta de Eduardo Ramos, Quase Nada (2000) de Sergio Resende e Em nome do Pai (2000), curta de Julio Pessoa.

Emília Rey iniciou sua carreira no Teatro com o Grupo Tapa, em 1978, com o espetáculo para crianças Apenas um conto de fadas, escrito e dirigido por Eduardo Tolentino de Araújo, e já nesse primeiro trabalho foi indicada para o Prêmio Mambembe de melhor atriz. Durante nove anos fez parte do Grupo Tapa, participando de diversos espetáculos. A partir de 1989, já fora do Grupo Tapa, participou de várias produções: O Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda, texto e direção de Celso Lemos, pelo qual ganhou o Prêmio Mambembe de melhor atriz, O jardim das cerejeiras, de Anton Tchekov, direção de Paulo Mamede, entre outros. Em cinema, fez uma participação em Polaróides Urbanas, filme de Miguel Falabella. Na TV, fez participações em programas e novelas, tanto da Rede Globo quanto na extinta Rede Manchete.

Serviço:
OUTONO E INVERNO – Reestréia dia 11 de janeiro de 2007, quinta, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (dia 24, apenas para convidados). De Lars Norén. Direção de Eduardo Tolentino de Araújo. Elenco - Suely Franco (Margareta), Sérgio Britto (Erik), Denise Weinberg (Ann) e Emília Rey (Ewa). Tradução de Leon Rabelo. Iluminação de Wilson Reiz. Cenário e Figurino de Lola Tolentino. Temporada - De quinta a sábado às 19h30. Domingo às 18 horas. Duração: 100 minutos. Classificação etária: 16 anos. Ingressos a R$ 15,00 e R$ 7,00 (para estudantes e idosos). Temporada até 11 de fevereiro.

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. Aberto de terça a sábado – das 10h às 21h, domingos - das 10h às 20h (próximo às estações Sé e São Bento do Metrô). Informações: (11) 3113-3651 / 3652. Capacidade: 125 lugares.
Acesso liberado para trânsito de veículos (proibido estacionar). Opções de estacionamento na rua Líbero Badaró. Ocupação: 176 lugares. www.bilheteria.com

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