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Instituto Cultural Capobianco apresenta processo de criação da peça Apenas o Fim do Mundo

O diretor Marcio Abreu dá continuidade ao trabalho de pesquisa teatral e dirige Simone Spoladore, Ranieri Gonzalez e mais três atores no processo de criação da peça APENAS O FIM DO MUNDO , que pode ser conferido em duas sessões de ensaios abertos e gratuitos. Texto inédito no Brasil, do francês Jean-Luc Lagarce, a eça conta a história de um homem que volta para casa depois de um longo período ausente para revelar à família que vai morrer. O autor escreveu o texto logo depois de descobrir que estava com AIDS.

 

Em cartaz no INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO com o espetáculo Suíte 1 , a Companhia Brasileira de Teatro, grupo que foi destaque nas edições recentes do Festival de Teatro de Curitiba, ocupa o espaço Subterrâneo do prédio nos dias 9 e 16 de fevereiro , quintas-feiras, às 20 horas, com os ensaios abertos e gratuitos que fazem parte do processo de criação da peça APENAS O FIM DO MUNDO . Ranieri Gonzalez e Simone Spoladore fazem parte do elenco (completado pelos atores Christiane de Macedo, Giovana Soar e Rodrigo Ferrarini) que dá vida ao texto do francês Jean-Luc Lagarce, sob direção de Marcio Abreu, um dos nomes importantes da nova dramaturgia brasileira.

O texto de Jean-Luc Lagarce - autor que já foi traduzido e montado em diversas línguas, mas ainda inédito no Brasil - conta a história de Luiz, um filho que retorna a casa de sua mãe, após um longo período ausente, para informar à família que sua morte está próxima. Apesar do esforço, ele vai embora sem conseguir cumprir seu objetivo. Lagarce morreu de AIDS, aos 38 anos, em 1995. Quando escreveu esta peça, ele já sabia que estava doente e, segundo o diretor Marcio Abreu, esse fato contribuiu para que o texto transmitisse sensações tão convincentes.

APENAS O FIM DO MUNDO é a continuação de um trabalho de pesquisa desenvolvido pela Companhia Brasileira de Teatro, que envolve, segundo Marcio, "assuntos como o estudo da presença dos atores no palco, o tratamento da palavra como conteúdo e forma, a utilização da palavra cotidiana na dramaturgia, entre outros temas". Marcio enxerga algumas semelhanças e diferenças na maneira de escrever dos dois autores franceses. "Enquanto Minyana usa e abusa dos diálogos curtos e de repetições, Jean-Luc Lagarce é adepto de falas longas, monólogos, e dizer a mesma coisa várias vezes de maneiras diferentes. Mas os dois falam sobre relações humanas e exploram o poder das palavras como ninguém", explica Marcio. O diretor também ressalta que, no original de APENAS O FIM DO MUNDO , ao contrário de Suíte 1 , os personagens são bem definidos, assim como a relação entre eles e suas histórias.

 

Lembranças e presente

"Luiz, o personagem central da peça, narra e participa dos acontecimentos simultaneamente, entrando e saindo da história a todo momento. É como se entrássemos na memória dele, ouvindo Luiz contar suas lembranças enquanto assistimos àquilo que aconteceu.", explica o diretor Marcio Abreu sobre a sua leitura do texto de Jean-Luc Lagarce, acrescentando que o tempo do espetáculo não é objetivo.

Ranieri Gonzalez interpreta Luiz, um homem que saiu de casa na adolescência e mantinha contato com a família através de cartas. Ele volta para casa com 34 anos para contar para a mãe (Christiane de Macedo) e aos irmãos, Suzana e Antônio (Simone Spoladore e Rodrigo Ferrarini) que está perto da morte. Ao voltar, Luiz descobre que o irmão casou com Catarina (Giovana Soar) e já tem sobrinhos.

Suzana, a caçula da família, nutre uma enorme admiração, com toques de utopia e romantismo, pelo irmão que foi embora quando ela ainda era muito jovem. Antônio, o outro irmão, é um rapaz bruto e revoltado - possivelmente esses sentimentos tenham origem no abandono do irmão. Catarina é quem vê toda aquela situação de fora: funciona como uma observadora. Já a Mãe (única personagem sem nome) é a personificação da figura materna: sente falta dos filhos, percebe tudo, sabe de tudo, está sempre tentando apaziguar as brigas e diferenças entre eles.

 

Sobre Jean-Luc Lagarce

Jean-Luc Lagarce nasceu na província da Haute-Saône em 1956. No final dos anos 70, criou a companhia de teatro La Roulotte, onde apresentou os seus primeiros textos, como La Bonne De Chez Ducatel , Erreur de Construction e Carthage Encore . Na década de 90, muitos foram os encenadores que descobriram sua escrita delicada, sofrida e dolorosa, que fala dos conflitos permanentes da família. Joël Jouanneau, Jean-Pierre Vincent, Alain Fromager, François Berreur, Philippe Delaigue, Philippe Sireuil e Stanislas Nordey foram alguns dos que montaram os seus textos. Atualmente, Jean-Luc Lagarce é um nome constante no teatro francês, italiano e alemão. O autor francês morreu em 1995, de AIDS.

 

Companhia Brasileira de Teatro

A Companhia Brasileira de Teatro foi criada em 1999, em Curitiba (PR), pelo ator, dramaturgo e diretor Marcio Abreu. Com intensa atividade anterior ligada às experiências de teatro de grupo e com formação que inclui passagens pela EITALC (Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe), Marcio Abreu iniciou as atividades do grupo reunindo um núcleo de profissionais dispostos a trabalhar na criação de espetáculos, processos e a pensar o teatro a cada projeto realizado. Os principais trabalhos da Cia foram Adeus, Robinson! (texto de Julio Cortazar, adaptação e direção de Marcio Abreu - 1999); A Vida é Cheia de Som e Fúria (adaptação e direção de Felipe Hirsch, em co-realização da Sutil Cia de Teatro - 2000); A Volta ao Dia ... (direção e texto final de Marcio Abreu - 2002) e O Empresário (ópera de Mozart, adaptação e direção de Marcio Abreu e Beto Lanza - 2004).

 

Sobre o Instituto Cultural Capobianco

Inaugurado em 4 de agosto de 2005, com direção artística de Ricardo Muniz (com o monólogo Sonho de Um Homem Ridículo , com Celso Frateschi), o ICC está instalado no mesmo local onde, nos anos 20, funcionava a antiga fábrica de ladrilhos e pastilhas R. Capobianco & Cia., de Remo Capobianco, pai de Júlio Capobianco, o idealizador do espaço. Com o objetivo de trazer ao público uma programação cultural que preza pela qualidade, além do espetáculo de Dostoievski, já passaram pelo ICC - Teatro da Memória o espetáculo de dança Prokofiev aos Pedaços (com as bailarinas Rosa Antuña e Jacqueline Gimenes, e os músicos do coletivo de hip hop Instituto), o projeto teatral Um Quarto de Pensão (coordenado por Vadim Nikitin, da Cia. Livre), a exposição Arquitetura da Resistência (com o coletivo Bijari) e o espetáculo teatral Honestamente (com dramaturgia de Christine Röhrig e direção de Alvise Camozzi) e a peça Bar (texto de Spiro Scimone, com Alvise Camozzi e Bruno Kott) - todos eventos patrocinados pelo próprio ICC. A partir de 2006, o responsável pela direção artística é o cenógrafo e diretor teatral Ulisses Cohn, que, entre outros trabalhos, assinou recentemente o cenário do espetáculo Adivinhe Quem Vem Para Rezar .

 

 

Para roteiro:

APENAS O FIM DO MUNDO

Ensaios abertos - dias 9 e 16 de fevereiro, quintas-feiras às 20 horas . Com Cia Brasileira de Teatro . Texto - Jean-Luc Lagarce. Direção - Marcio Abreu. Tradução e Dramaturgia - Giovana Soar. Elenco - Simone Spoladore, Ranieri Gonzalez, Christiane de Macedo, Giovana Soar e Rodrigo Ferrarini. Cenário e Figurino - Teca Fichinski . Iluminação - Nadja Naira. Gênero - Drama. Duração - 120 minutos. Censura - 12 anos. GRÁTIS .

 

INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO

R ua Álvaro de Carvalho 97 - Centro. Fone (11) 3237-1187. C apacidade - 60 lugares. Bilheteria - De quarta-feira a domingo das 19 às 21 horas. Pagamento em dinheiro e cheque. Aceita reserva por telefone. Ar condicionado. Estacionamento na rua Álvaro de Carvalho 98 - R$ 5,00. www.institutocapobianco.org.br

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