ARQUITETURA DA RESISTÊNCIA APRESENTA PROJETO DO GRUPO BIJARI NO INSTITUTO CAPOBIANCO
O INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO abre sua programação voltada às artes plásticas com o Projeto ARQUITETURA DA RESISTÊNCIA , apresentando exposição e intervenções dos artistas do Grupo Bijari, responsáveis pela documentação e pesquisa sobre a arquitetura informal da Região Central da cidade de São Paulo. A mostra - que reúne fotos, desenhos, plantas, vídeos e depoimentos gravados de moradores de rua e vendedores ambulantes, entre outros - estará aberta ao público entre 13 de setembro e 9 de outubro , de terça a sexta, das 14 às 18h. As intervenções ou performances acontecem às terças-feiras, dias 13, 20, e 27 de setembro e 4 de outubro , das 15 às 17 horas, nos arredores da rua Álvaro de Carvalho. Entrada franca.
Criado em 1996, o Grupo Bijari é um centro de criação de artes visuais, multimídia e arquitetura integrado por artistas e arquitetos que focam sua investigação no universo urbano compreendendo suas realidades e seu imaginário. Criando projetos em diversos suportes e tecnologias, o grupo desenvolve experimentações artísticas, intervenções urbanas, performances, vídeo, design e webdesign.
De acordo com Ricardo Muniz, diretor de programação artística do Instituto Capobianco, "o projeto Arquitetura da Resistência tem o objetivo de investigar e retratar o que o grupo Bijari chama de arquitetura resistente: invenções, construções e práticas de caráter nômade, clandestino e polifônico, adaptados ao meio urbano e proliferados fora da lógica oficial da construção da cidade". Para Ricardo, "desse universo fazem parte vendedores ambulantes, engraxates, homens-placa, tabuleiros e cercamentos, fenômenos entendidos como expressões criativas e resistentes frente a uma lógica que lhes é externa, perversa e padronizadora".
Para desenvolver o projeto Arquitetura da Resistência , durante dois meses esse grupo de artistas saiu às ruas do Centro de São Paulo (nos arredores do Instituto Capobianco, como Rua Avanhandava, Vale do Anhangabaú e Praça do Patriarca), com a finalidade de registrar e documentar (em vídeo, fotos e desenhos) a arquitetura urbana informal da cidade. "O grupo desenvolveu o que chamou de práticas comunicativas poéticas através da apropriação e intervenção em símbolos e índices desse universo informal", diz Ricardo Muniz.
A documentação iconográfica dos objetos, espaços e situações resistentes nas imediações da Ladeira da Memória foi construída por meio de desenhos, plantas, fotografias, entrevistas e diálogos entre o grupo Bijari e os vários inventores/arquitetos do espaço. "Foram abordados todos os tipos de ocupação não oficial", conta Geandre Tomazoni, um dos dez integrantes do Bijari, explicando que o grupo colheu material registrando o dia-a-dia de vendedores ambulantes, camelôs e moradores de rua. "Também documentamos o uso de espaços públicos abandonados por grafiteiros", fala.
A partir do material registrado, o grupo elaborou novas intervenções nos mesmos locais. Geandre conta que o grupo se apropriou de materiais como a lona plástica, usada como suporte para venda de produtos nas barraquinhas de camelôs, ou uma caixa móvel para venda de DVS e, ainda, uma banca de venda de passes. "Fotografamos e chegamos a comprar algumas peças", revela, explicando que a proposta do projeto tem um lado estético e outro crítico. "Reconhecemos a criatividade e a diversidade de cores e suportes que estão presentes nas ruas. Registramos imagens da polícia fazendo o 'rapa' e abrimos espaço para a discussão da ilegalidade e do uso do espaço público", diz Geandre.
Com o projeto Arquitetura da Resistência, o Grupo Bijari descobriu, por exemplo, outra possibilidade de uso do Vale do Anhangabaú à noite, quando o local se torna vivo pela presença dos skatistas. "Também notamos que grafiteiros se apropriaram de áreas abandonadas, usadas também para colocação de anúncios informais de procura-se emprego, por exemplo", informa o artista.
Como exemplos dos trabalhos, destaque para uma bandeira laranja que percorre a cidade se abrindo à incorporação de desejos e significados diversos. Há uma obra que propõe um passeio sonoro pelo centro, sugerindo percursos e desvios e, ainda, outro trabalho que retrata a questão da pirataria e do copyright/copyleft. Nele, o artista interage com ambulantes, levantando questões de propriedade e direitos autorais. Vale citar também o trabalho em que o grupo de artistas se apropria de placas, lonas e estandartes, criando novas significações, por meio de desenhos e palavras.
Para o Grupo Bijari, "trazer essas situações para dentro de um espaço de exposição formal, mostrando toda a construção, projeto e pesquisa existentes em cada barraca ou tabuleiro, e também entender suas performances, é um processo de re-significar a cidade". Conforme Geandre, "ao documentar e resgatar estas ações e manifestações presentes e não oficiais, através do intercâmbio entre os integrantes do grupo Bijari e as tantas invenções vigentes ao redor do Instituto Cultural Capobianco, uma outra dimensão desta realidade será vislumbrada".
Sobre Gupo Bijari
Criado em 1996 por um grupo de arquitetos e artistas (Eduardo Fernandes, Frederico Ming, Flávio Araújo, Giuliano Scandiuzzi, Gustavo Godoy, Geandre Tomazoni, Maurício Brandão, Olavo Ekman, Sandro Akel e Rodrigo Araújo), o Bijari é um centro de criação de artes visuais, multimídia e arquitetura. A proposta é desenvolver projetos em diversos suportes e tecnologias, como experimentações artísticas (sobretudo de caráter crítico), intervenções urbanas, performances, vídeo, design e web design. A partir da utilização desses meios em seu trabalhos, eles questionam a realidade.
Exposições coletivas e apresentações significativas
2005 - Kollective Kreativity (Fridericianum Museum - Kassel, Alemanha), Projeto Cubo (Intervenção Multimídia - SP), Jamac (Galeria Vermelho - SP); 2004 - E-Flux (Galeria de Arte Virtual - Nova York), Terras Em Trânsito (Festival de Curta Metragens - Mêxico e Nova York), File (Festival de Arte Eletrônica - SP), Festival Internacional de Curtas de BH (Belo Horizonte - MG), Olhar Paulista (Instituto Cervantes - SP), Zona de Ação (Projeto de Arte e Intervenção Urbana, Sesc Paulista - São Paulo), Salão de maio (Salvador - BA), VII Bienal de Design Gráfico/ADG (Prêmio - Memorial da América Latina - SP), Uma Viagem de 450 anos (Sesc Pompéia - SP), 2003 - ACMSTCC ou MSTCACC ou CMSTCAC (Prestes Maia - SP), VIII Bienal de Havana (Havana - Cuba), Mostra do Audiovisual Paulista (CCBB - SP), Next Five Minutes 5 - Mídia Tática Brasil (Casas das Rosas - SP), Ação urbana Armário (Sesc Pompéia - SP), 2002 - Ópera Aberta (Casa das Rosas - SP), México Imaginário (Casa das Rosas - SP), X Salão Paulista de Arte Contemporânea (Galeria do Rock - SP), VI Bienal de Design Gráfico/ADG (Sesc Pompéia - SP), Intervenção urbana multimídia 24 de Maio (Sesc 24 de Maio - SP), 2001 - III Bienal do Mercosul (Cidade dos Containers - Porto Alegre - RS), MAC de Goiás (GO), Realidade Transversa (Casa das Rosas - SP), Ação urbana Antipop: Galinha - Laboratório (SP), Projeto Laboratório (perfomances e intervenções multimídias itinerantes - SP), 2000 - V Bienal de Design Gráfico/ADG - Sesc Pompéia - SP).
Para roteiro
Exposição e intervenções (performances e ações) - Projeto Arquitetura e Resistência . A exposição estará aberta ao público entre 13 de setembro e 9 de outubro , de terça a sexta, das 14 às 18h. As intervenções ou performances acontecem às terças-feiras, dias 13, 20, e 27 de setembro e 4 de outubro , das 15 às 17 horas, nos arredores da rua Álvaro de Carvalho. Registros de intervenções feitas a partir de pesquisa. Com Grupo Bijari, responsável pela documentação e pesquisa. Entrada franca. Até 9 de outubro .
INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO
TEATRO DA MEMÓRIA - rua Álvaro de Carvalho 97 - Centro. Fone (11) 3237-1187. C apacidade - 92 lugares. Bilheteria - De quarta-feira a domingo das 19 às 21 horas. Pagamento em dinheiro e cheque. Aceita reserva por telefone. Ar condicionado. Estacionamento na rua Álvaro de Carvalho 98 - R$ 5,00.
BijaRi
(11) 3814 0815; 3816 3094
godoy@bijari.com.br | www.bijari.com.br
r: rodésia, 484, vila madalena
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