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Instituto Cultural Capobianco abre programação 2006 com destaque do Festival de Curitiba

Depois de passar por Curitiba, Rio e cidades do Interior de São Paulo e Paraná, a Companhia Brasileira de Teatro estréia SUÍTE 1 , espetáculo selecionado entre os três melhores do Fringe (mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba), em 2005. Com direção de Marcio Abreu, trata-se da primeira obra do autor francês Philippe Minyana montada no Brasil. A companhia ocupará, ainda, o teatro com o processo de criação de sua próxima peça, também inédita no País

 

Grupo que tem brilhado nas recentes edições do Festival de Teatro de Curitiba, com um trabalho focado na dramaturgia contemporânea, a Companhia Brasileira de Teatro traz para São Paulo o espetáculo SUÍTE 1 . Com direção de Marcio Abreu, um dos nomes importantes da nova dramaturgia brasileira, a peça estréia no próximo dia 20 de janeiro , sexta-feira, às 21 horas, no TEATRO DA MEMÓRIA DO INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO . A primeira montagem do texto de Philippe Minyana (um dos mais relevantes autores franceses da atualidade) no Brasil abre a programação de 2006 do Instituto.

Paralelamente à temporada, o grupo ocupa o Subterrâneo do ICC com o processo de criação do espetáculo Apenas o Fim do Mundo , de Jean-Luc Lagarce , a próxima peça da companhia, que terá a atriz Simone Spoladore no elenco. Serão realizados debates, palestras e ensaios abertos em datas a serem agendadas.

Com tradução de Giovana Soar, a peça SUÍTE 1 (que será publicada durante a temporada, pela coleção Palco) já foi apresentada em Curitiba, Rio de Janeiro, cidades do Interior do Paraná e de São Paulo, participou do Festival de Teatro de São José do Rio Preto e figurou entre os três melhores espetáculos do Fringe (mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba), em 2005. A montagem tem no elenco os atores Ranieri Gonzalez (que interpreta José Maria Alkimim na segunda fase da minissérie JK ), Christiane de Macedo, Chiris Gomes, Nadja Naira, Thais Tedesco e Giovana Soar, que também assina a tradução do texto (que integra uma trilogia de Philippe Minyana). O diretor do espetáculo, Marcio Abreu, também é o responsável pela encenação de Daqui a 200 Anos , espetáculo que premiou o ator Luis Melo com o APCA 2005.

 

Um homem, cinco mulheres e várias lembranças

No palco, entre conversas e refeições, seis personagens (interpretados por cinco atrizes e um ator) recordam acontecimentos e pessoas de um passado comum, alternando momentos comoventes e engraçados.

Um dos temas principais das conversas é uma casa, que supostamente foi palco de um acontecimento violento. O local e o tempo em que se passa o espetáculo são indeterminados. No centro do palco, o homem permanece sentado durante todo o espetáculo, sendo bombardeado por questionamentos, fragmentos de situações e outras lembranças. Em diálogos aparentemente banais de assuntos do cotidiano, eles conectam a platéia ao enredo.

No cenário, além de objetos que lembram a sala de uma casa, o diretor optou por revelar ao público os truques de uma produção teatral, colocando uma mesa de luz, de onde a atriz Nadja Naira controla a iluminação da peça, e um teclado acompanhado de um microfone, que fazem parte de determinadas cenas, quando Chiris Gomes toca algumas canções, compondo a trilha sonora.

"Com tom intimista, o espetáculo permite que a platéia vá desvendando aos poucos os personagens", afirma o diretor, comparando o papel do espectador com o de uma pessoa que está caminhando pela rua e, de repente, resolve espiar pelo buraco da fechadura de uma casa para ver o que acontece lá dentro . "Despertamos o interesse do público, que usa a imaginação para entrar na história."

 

Primeira montagem brasileira

Essa é a primeira tradução de uma obra de Philippe Minyana para o português. Além de traduzir a peça, Giovana Soar também é responsável pela organização da coleção Palco (livros com textos teatrais publicados pela Editora Totem, com o apoio do Consulado Francês). Entre os primeiros volumes a serem editados está o próprio SUÍTE 1 .

Em seu trabalho, Giovana optou por manter o mesmo estilo do autor francês. "Procurei manter a sonoridade do texto, uma das características fortes de Minyana. Traduzir esses diálogos foi como traduzir a letra de uma música. As frases precisavam ter o mesmo ritmo e encaixe em português que tinham no francês", explica a atriz. Recentemente, o próprio autor da peça assistiu a um DVD com uma apresentação da peça. "Minyana adorou, disse que conseguimos transmitir o que ele pretendia quando escreveu SUÍTE 1 ", conta Giovana, orgulhosa.

O texto do autor francês é marcado por cenas curtas, frases rápidas e que, muitas vezes, nem são concluídas, além de fazer uso da linguagem coloquial, usada freqüentemente no nosso cotidiano. Essa estrutura dita o ritmo musical e preciso da peça, permitindo que o espectador se identifique com aquilo que vê. O jeito como a história é contada não possibilita nenhum tipo de improvisação. "Os atores, as falas, a maneira com que as frases são pronunciadas, tudo funciona como notas em uma partitura musical. Se você muda qualquer coisa nesse contexto, não é possível reconhecer a música", observa Marcio. "

A identificação de Marcio Abreu com a escrita de Minyana foi tão intensa que, mesmo que as rubricas do texto não indicassem o número de personagens ("vem assim: fala de homem e fala de mulher", explica o diretor), ele escolheu um homem com cinco mulheres em cena - e descobriu depois que a montagem francesa original teve exatamente a mesma configuração.

A relação entre os personagens também não é clara; sabe-se que eles são pessoas muito próximas, porém não é possível determinar se são parentes ou amigos. Outra curiosidade a respeito da montagem é que os seis atores não saem de cena em nenhum momento. Em vez de seis personagens, Marcio prefere dizer que o texto tem seis vozes, pois, segundo o próprio diretor, os personagens dependem dos seus diálogos para existir. O fato fica mais evidente ao perceber que Minyana não se preocupou em dar nomes às suas criações.

 

Apenas o Fim do Mundo

Paralelamente à temporada de SUÍTE 1 , Marcio Abreu dirige, ainda, o processo de criação do espetáculo Apenas O Fim do Mundo (também traduzido por Giovana Soar), que acontecerá no Subterrâneo do INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO e terá apresentações de ensaios abertos em datas e horários a serem definidos. Com elenco formado por Simone Spoladore, Ranieri Gonzalez, Christiane de Macedo, Giovana Soar e Rodrigo Ferrarini, a peça do francês Jean-Luc Lagarce conta a história de um filho que retorna a sua casa, após um longo período ausente, para informar a sua família que sua morte está próxima. Apesar do esforço, ele vai embora sem conseguir cumprir seu objetivo.

Apenas O Fim do Mundo é a continuação de um trabalho de pesquisa desenvolvido pela Companhia Brasileira de Teatro, que envolve, segundo Marcio, "assuntos como o estudo da presença dos atores no palco, o tratamento da palavra como conteúdo e forma e a utilização da palavra cotidiana na dramaturgia, entre outros". Após as apresentações no ICC, haverá palestras e discussão com profissionais da área teatral.

 

Sobre Philippe Minyana

Um dos mais importantes autores franceses contemporâneos, Philippe Minyana escreve para o teatro desde 1980. Desde então foi montado pelos mais renomados diretores, na França e no Exterior. Seus mais de trinta textos já foram traduzidos para mais de vinte idiomas. Além de teatro e ópera, ele escreve também peças radiofônicas, roteiros para cinema e telefilmes. Sua obra já foi tema de ensaios para livros e filmes. Entre seus textos mais montados estão Inventaires, Chambres, Où va-tu Jérémie?, Drames Brefs (1 et 2), Anne-Laure et Les fantômes, La Maison des Morts. Hoje em dia, Minyana é diretor associado ao Théâtre Ouvert de Paris, e autor associado ao Teatro de Dijon Bourgogne/Centre Dramatique National. Uma curiosidade: escreve à mão, sem computador.

 

Companhia Brasileira de Teatro

A Companhia Brasileira de Teatro foi criada em 1999, em Curitiba (PR), pelo ator, dramaturgo e diretor Marcio Abreu. Com intensa atividade anterior ligada às experiências de teatro de grupo e com formação que inclui passagens pela EITALC (Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe), Marcio Abreu iniciou as atividades do grupo reunindo um núcleo de profissionais dispostos a trabalhar na criação de espetáculos, processos e a pensar o teatro a cada projeto realizado. Os principais trabalhos da Cia foram Adeus Robinson! (texto de Julio Cortazar, adaptação e direção de Marcio Abreu - 1999); A Vida é Cheia de Som e Fúria (adaptação e direção de Felipe Hirsch, em co-realização da Sutil Cia de Teatro - 2000); A Volta ao Dia .. . (direção e texto final de Marcio Abreu - 2002) e O Empresário (ópera de Mozart, adaptação e direção de Marcio Abreu e Beto Lanza - 2004).

 

Sobre o Instituto Cultural Capobianco

Inaugurado em 4 de agosto de 2005, com direção artística de Ricardo Muniz (com o monólogo Sonho de Um Homem Ridículo , com Celso Frateschi), o ICC está instalado no mesmo local onde, nos anos 20, funcionava a antiga fábrica de ladrilhos e pastilhas R. Capobianco & Cia., de Remo Capobianco, pai de Júlio Capobianco, o idealizador do espaço. Com o objetivo de trazer ao público uma programação cultural que preza pela qualidade, além do espetáculo de Dostoiévski, já passaram pelo ICC - Teatro da Memória o espetáculo de dança Prokofiev aos Pedaços (com as bailarinas Rosa Antuña e Jacqueline Gimenes, e os músicos do coletivo de hip hop Instituto), o projeto teatral Um Quarto de Pensão (coordenado por Vadim Nikitin, da Cia. Livre), a exposição Arquitetura da Resistência (com o coletivo Bijari) e o espetáculo teatral Honestamente (com dramaturgia de Christine Röhrig e direção de Alvise Camozzi) e a peça Bar (texto de Spiro Scimone, com Alvise Camozzi e Bruno Kott) - todos eventos patrocinados pelo próprio ICC. A partir de 2006 2006, o responsável pela direção artística é o cenógrafo e diretor teatral Ulisses Cohn , que, entre outros trabalhos, assinou recentemente o cenário do espetáculo Adivinhe Quem Vem Para Rezar .

 

 

Para roteiro:

SUÍTE 1

Com Cia Brasileira de Teatro . Estréia dia 20 de janeiro , sexta-feira, às 21 horas. Texto - Philippe Minyana. Direção - Marcio Abreu. Tradução e Dramaturgia - Giovana Soar. Elenco - Ranieri Gonzalez, Christiane de Macedo, Chiris Gomes, Giovana Soar, Nadja Naira e Thais Tedesco. Figurino - Maureen Miranda. Iluminação - Nadja Naira. Cenário e Sonoplastia - Marcio Abreu. Gênero - Comédia Dramática. Duração - 55 minutos. Censura - 12 anos. Temporada - Sextas-feiras a sábados às 21 horas e domingos às 20 horas. Ingressos - R$ 30,00 inteira e 15,00 meia (estudantes, idosos e classe teatral) . Até 19 de fevereiro .

INSTITUTO CULTURAL CAPOBIANCO

TEATRO DA MEMÓRIA - R ua Álvaro de Carvalho 97 - Centro. Fone (11) 3237-1187. C apacidade - 92 lugares. Bilheteria - De quarta-feira a domingo das 19 às 21 horas. Pagamento em dinheiro e cheque. Aceita reserva por telefone. Ar condicionado. Estacionamento na rua Álvaro de Carvalho 98 - R$ 5,00.

www.institutocapobianco.org.br

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