Leopoldo Pacheco, 20 anos de carreira no teatro, agora na televisão
Premiado ator, figurinista e maquiador, Leopoldo Pacheco, vencedor dos prêmio Shell, Mambembe, Governador do Estado e APCA, faz seu terceiro papel de destaque em televisão, como o personagem Cemil, na novela Belíssima , da Rede Globo. Antes viveu o turco Samir, na minissérie Um Só Coração , também na Rede Globo, seguido de Leôncio, na novela Escrava Isaura , na Rede Record.
Com 22 anos de carreira dedicados ao teatro, não só como ator, mas também como figurinista, maquiador, diretor e produtor, Leopoldo Pacheco teve a oportunidade de mostrar seu talento em um papel de destaque na televisão como Leôncio, o fazendeiro cruel que desenvolve obsessão absoluta por uma escrava branca na novela Escrava Isaura (Rede Record), em 2005.
O ator também teve destaque na minissérie Um Só Coração (de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, Rede Globo, 2004) na pele de Samir, um comerciante libanês que conquistou os telespectadores interpretando o marido de Maria Luiza, a personagem vivida por Letícia Sabatella.
As novidades para 2006
Ganhador do prêmio Shell de melhor ator pelo espetáculo Pólvora e Poesia (que também faturou os prêmios de direção para Marcio Aurelio e texto para Alcides Nogueira), Leopoldo continua a parceria com Alcides Nogueira. O dramaturgo escreveu especialmente para ele o monólogo A Javanesa , que contará com direção de Marcio Aurelio e ainda não tem estréia prevista. No enredo, Leopoldo assume o desafio de interpretar um casal (ele faz os dois papéis - o homem e a mulher), dos 25 aos 55 anos. "A peça conta uma história de amor de um homem por uma mulher misteriosa", revela.
Em 2005, o ator retomou seu papel de maior destaque no teatro . Pólvora e Poesia , peça de Alcides Nogueira, que reestreou em São Paulo dia 1 de abril, no TUCA, e no Rio, dia 12 de maio, no Teatro Sergio Porto. Desta vez, Leopoldo dividiu o palco com o ator Cláudio Fontana (que viveu o poeta Rimbaud), sob a direção de Marcio Aurelio. Leopoldo também exercitou seu lado de diretor. Ele foi convidado pela organização do Prêmio Shell de Teatro para dirigir a edição paulista, que aconteceu em março de 2005. O ator também poderá ser visto na tela do cinema no longa Veias e Vinhos , direção de João Batista de Andrade, que recontará uma chacina ocorrida em Goiás, no final da década de 60.
Para Leopoldo Pacheco, fazer televisão chegou no momento certo em sua carreira, quando já havia feito muitos trabalhos para o teatro, tinha experimentado papéis no cinema e estava pronto para encarar um novo desafio. "A minissérie foi linda, pois teve o mérito de recontar fatos importantes da nossa história e a novela me deu um papel de destaque que tenho certeza que muitos atores gostariam de fazer", analisa Leopoldo.
Uma coleção de prêmios
Paulistano, apaixonado pela cidade onde nasceu (segundo ele, o máximo que consegue ficar longe de São Paulo é uma semana), Leopoldo começou no teatro por acaso, quando entrou para o curso de artes plásticas na Faap, onde acabou participando do grupo de teatro da faculdade. O ano era 1980, e desde então os trabalhos não pararam mais. Sua estréia no teatro profissional aconteceu em 1985, no espetáculo Máscaras , com direção de Augusto Francisco, pelo qual recebeu o APCA de ator revelação e o Governador do Estado de melhor ator.
Além desses e do Shell de melhor ator por Pólvora e Poesia , ele guarda na bagagem outros cinco prêmios. São dois Shell por melhor figurino, em Gota d'Agua , 2002, e Ópera do Malandro , 2001, ambos em parceria com Gabriel Villela. Por seu trabalho em maquiagem, ganhou duas vezes o Avon Color: a primeira, em 1997, com o espetáculo Assembléia de Mulheres , e a segunda, em 2001, na peça Sacromaquia . Também foi reconhecido por seu trabalho em direção, recebendo em 1998 o Mambembe por O Palácio não Acorda , da Cia. Nau de Ícaros.
Talento com as mãos
Antes de ser ator, trabalhou como arte-finalista e na direção de desenhos animados para anúncios publicitários. Ficou na Briquet Filmes de 1975 a 1985 e saiu depois que se formou. O trabalho manual desenvolvido nessa fase o acompanhou, posteriormente, no teatro. Quando cursou a EAD/USP de 82 a 85, aprendeu a técnica de maquiagem e caracterização com o professor Wenceslau Brás Valim. E passou então a aplicar seus conhecimentos anteriores à maquiagem teatral.
"Por gostar muito de teatro, acabei diversificando as possibilidades de trabalhar na área. Por isso, me considero um artista, não somente um ator, figurinista, diretor ou cenógrafo, apesar de fazer cada uma dessas coisas no teatro", pontua Leopoldo.
Descendente de italiano, virginiano, Leopoldo, sempre que pode, busca refúgio em sua fazenda na Serra da Bocaina, a 240 quilômetros de São Paulo. "Tenho aquele lugar como uma espécie de jardim botânico particular, onde posso curtir a natureza e andar a cavalo, o que adoro. Também tenho instalados lá uma marcenaria e um galpão de trabalho onde, vez ou outra, levo para fazer os cenários e figurinos das peças nas quais estou envolvido", revela o ator.
Outros espetáculos e cinema
Leopoldo Pacheco atuou em 18 espetáculos no teatro, com destaque para Zârk-zis , direção de Cristiane Paoli-Quito, com o grupo Cidade Muda e Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Jamil Maluf, apresentado no Teatro Municipal em 1990; A Megera Domada , 1990, com o grupo TAPA, direção de Eduardo Tolentino; O Mambembe , 1996, e Replay , 2000, ambos com direção de Gabriel Villela; Toda Nudez Será Castigada , 1998, direção de Moacir Góes; A Cabeça , 2001, direção Marcia Abujamra; Souvenirs , 2002, texto de Bonassi e Victor Navas, direção de Marcio Aurelio; Deus Sabia de Tudo e Não Fez Nada
, 2003, direção e texto de Newton Moreno. Em cinema, fez Feliz Ano Velho , direção de Roberto Gervitz,1986, e Carandiru , de Hector Babenco, 2002. |