Georgette Fadel é Joana na nova montagem de GOTA D'AGUA - BREVIÁRIO que estréia dia 11 no Sesc Ipiranga
Mais de três décadas depois da primeira montagem (uma megaprodução com elenco encabeçado por Bibi Ferreira, sob a direção de Gianni Ratto), o texto clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes ganha nova leitura, agora com palco em forma de arena e direção de Heron Coelho. Transpondo a tragédia grega de Medéia para a miséria urbana carioca, o espetáculo, que abre a programação teatral de 2006 do SESC IPIRANGA, terá música ao vivo e traz no papel de Joana a atriz e diretora Georgette Fadel. Em cartaz às quartas-feiras, às 21 horas, até 29 de março.
Escrita em 1975 por Chico Buarque e Paulo Pontes, a peça Gota D'Água ganha nova montagem no SESC IPIRANGA . A releitura enxuta tem o título de GOTA D'ÁGUA - BREVIÁRIO e tom mais naturalista. Com direção de Heron Coelho, o musical estréia dia 11 de janeiro , quarta-feira, às 21 horas , no teatro, e abre a programação de 2006 da unidade, sendo apresentado semanalmente até dia 29 de março . No elenco, Georgette Fadel, Cristiano Tomiossi, Alexandre Krug, Luiz Mármora, Daniela Duarte, Luciana Barros e Flávia Melman, que entoarão as conhecidas canções acompanhados pelos músicos Alessandro Pennezi (que também assina a direção musical), Miró Parma e Richard Armando. Na iluminação, a diretora Cibele Forjaz, da Cia Livre de Teatro.
Transpondo a tragédia grega de Medéia para a miséria urbana carioca, em forma de poema com mais de quatro mil versos, GOTA D'ÁGUA - BREVIÁRIO tem como pano de fundo as agruras sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana (Georgette Fadel) e Jasão (Cristiano Tomiossi), um compositor popular assediado pelo poderoso empresário Creonte. O músico termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário, o que leva Joana ao suicídio. Antes, porém, ela mata os próprios filhos como vingança à ingratidão de Jasão.
GOTA D'ÁGUA - BREVIÁRIO conta com a participação da atriz paulista Georgette Fadel, que se diz encantada com a poesia do espetáculo. Para ela, que interpretará Joana, a responsabilidade é tremenda. "Estou encarando essa personagem com humildade. Para mim é um grande desafio, mas o texto é maravilhoso", comenta ela. A atriz conta que a poesia do texto está guiando o elenco e que a nova montagem é repleta de desafios, como o palco em arena.
A nova montagem, ao contrário das anteriores que eram em palco italiano, será em formato de arena, permitindo uma interação do elenco com o público. De acordo com Heron Coelho, diretor do espetáculo, "a opção pela utilização do formato arena foi feita para enfatizar os conceitos de dualidade contidos no texto: O bem e o mal, homem e mulher, oprimido e opressor, as diferenças sociais. Dessa forma, vamos evidenciar também a relação público/ator", explica o diretor. "Há um rompimento com o contemplativo do palco italiano, buscando uma relação direta com o público. Também faremos uso de uma leitura naturalista, centrada na força do discurso dos personagens, fator que reforça a atualidade do texto", explica ele.
O REECONTRO DO TEXTO
Heron conta que sempre sonhou em montar GOTA D'ÁGUA - BREVIÁRIO , pois possui absoluta paixão pelos textos de Paulo Pontes. O reencontro com o texto veio com o Projeto Em Cena, Ações!, realizado em parceria com o SESC IPIRANGA , durante quatro meses de 2005 e que destacou peças históricas como Opinião , Liberdade Liberdade, Arena Conta Zumbi , Arena Conta Tiradentes, O Rei da Vela , Roda Viva , Calabar e Ópera do Malandro, além de Gota D'Água . O projeto era composto por uma apresentação cênico-musical (principais cenas) sobre textos selecionados do repertório teatral brasileiro dos anos 60 e 70, com um elenco de atores, cantores e músicos, numa releitura que visava apresentar o caráter atual dos textos.
"Um dos módulos do projeto foi dedicado ao Chico Buarque. Convidei a Georgette para viver a Joana, e o casamento dela com o papel foi formidável", conta Heron. A partir daí, para a idéia de trazer de volta o texto aos palcos, foi uma passagem rápida. "A visão ácida sobre as relações opressivas entre o mais forte e o mais fraco e a irrefreável força do dinheiro que ergue e destrói coisas belas é tão atual que quis montar o espetáculo na hora."
Depois disso Heron deu início ao projeto de montagem com novas propostas de linguagens cênicas, alguns experimentos como o número reduzido de atores e a utilização de música ao vivo. "Também quis deixar explícito a briga de forças opostas, o bem e o mal, sendo a personagem da Joana o meio termo, ou seja, o equilíbrio", comenta Heron. Por isso o acréscimo do termo "Breviário" ao título da peça, expondo exatamente este caráter de uma nova proposta de leitura e encenação. Para Georgette Fadel, o trabalho de dar vida à Joana é muito difícil, pois a personagem sofre durante quase todo o espetáculo. "Como nossa montagem segue a linha realista, estou procurando todas as modulações possíveis para o sofrimento. Apesar da personagem viver um cotidiano diferente do meu, me identifico com alguns aspectos dela, como, por exemplo, o conflito de classes", explica a atriz.
MÚSICA AO VIVO
Com composições de Chico Buarque (entre elas Gota D'Água, Flor da Idade, Bem Querer e Basta Um Dia ), GOTA D'ÁGUA - BREVIÁRIO conta com uma música sofisticada. Para esta montagem, o diretor optou, ainda, por utilizar temas incidentais especialmente compostos para o espetáculo, em que arranjos de sopro e cordas confluem com experimentos de percussão como jongos, pontos de macumba e corimas de atabaques e djambês.
O cenário e os figurinos, confeccionados pelo diretor e os atores, também seguem uma linguagem naturalista. "Os figurinos terão aspecto artesanal enquanto a cenografia usa elementos móveis devido ao formato do palco ser de arena", explica Heron.
SOBRE GOTA D'ÁGUA
Com músicas de Chico Buarque, que também assinava o texto com Paulo Pontes, Gota D'Água estreou em 1975 no Rio de Janeiro. O espetáculo, que contava com Gianni Ratto na direção geral e Dori Caymmi na direção musical, mostrava (a partir da trama da Medéia , de Eurípides) os mecanismos de dominação que regem as relações sociais entre a elite e as camadas populares, tomando como cenário um conjunto residencial do subúrbio carioca. No elenco, Bibi Ferreira, Oswaldo Loureiro, Luiz Linhares, Roberto Bonfim, Bete Mendes, Sonia Oiticica, Carlos Leite, Isolda Cresta, Norma Sueli, Selma Lopes, Maria Alves, Roberto Rônei, Isaac Bardavi, Geraldo Rosas e Angelito Melo. Em São Paulo, a montagem contou com um grupo de dança, composto por 12 bailarinos, e por uma orquestra ao vivo, integrada por 6 músicos.
SOBRE HERON COELHO
Formado em letras pela Universidade de São Paulo (USP), em 1999, e mestrado em literatura brasileira, Heron Coelho iniciou carreira artística em produções de discos e alguns espetáculos musicais. Como diretor e roteirista, trabalhou nos musicais Rainha Quelé - Tributo a Clementina de Jesus (2001), evento que contou com o lançamento da biografia da sambista (também organizada por ele); O Canto da Guerreira (2003), sobre a vida e obra de Clara Nunes; Por Lamartine... Babo! - Do Guarani ao Guaraná (2004), em comemoração ao centenário do compositor; Operetas de Noel Rosa (2004); Sua Excelência Vedete (2004), com Virgínia Lane, e Geraldo Filme - Carnaval e Tradição (2005). Como editor, lançou o perfil biográfico de Aracy de Almeida, escrita por Hermínio Bello de Carvalho, e como produtor artístico, excursionou pela Europa e África com a cantora Dona Inah, cujo CD Divino Samba Meu , produzido por ele, recebeu o prêmio TIM na categoria revelação. Fundou a companhia teatral Cia de Domínio Público e em 2005 idealizou o projeto Em Cena, Ações!, no Sesc Ipiranga, no qual remontou alguns clássicos do musical teatral brasileiro dos anos 60 e 70.
SOBRE GEORGETTE FADEL
Atriz e diretora formada pela Escola de Arte Dramática ECA-USP, nasceu no interior de São Paulo, na cidade de Laranjal Paulista. Atualmente faz parte da Cia São Jorge de Variedades e é professora de Interpretação na Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André e do Estúdio Nova Dança, em São Paulo. Dirigiu os espetáculos No Caminho, Sete Passos para Dentro ; Estela do Patrocínio (direção musical de Lincoln Antonio); Santa Luzia Passou Por Aqui Com Seu Cavalinho Comendo Capim (SESI-SP); Osvaldo Raspado no Asfalto ; Sete Vidas de Santo (de Celso Cruz); Leo Não Pode Mudar o Mundo (de Rogério Toscano); Biedermann e os Incendiários (de Max Frisch); Bartolomeu, O Que Será Que Nele Deu? (de Cláudia Schapira); O Último Carro , (de João das Neves); Cabra (de Marcos Damigo); Um Credor da Fazenda Nacional (de Qorpo-Santo) e Pedro o Cru (de António Patrício). Como atriz, atuou nos espetáculos Estela do Patrocínio ; As Bastianas (de Gero Camilo e direção de Luís Mármora); Bartolomeu, O Que Será Que Nele Deu? ; Esperando Godot (de Samuel Beckett e direção de Cristiane Paoli Quito); Santa Joana dos Matadouros (de Bertolt Brecht); Ensaio Para Danton e Yerma (de Federico Garcia Lorca e direção de Neide Veneziano), entre outras.
Para roteiro:
GOTA D'ÁGUA
Estréia dia 11 de janeiro , quarta-feira, às 21 horas, no Teatro Sesc Ipiranga. Texto - Chico Buarque e Paulo Pontes. Direção - Heron Coelho. Direção Musical - Alessandro Pennezi. Elenco - Georgette Fadel, Cristiano Tomiossi, Alexandre Krug, Luiz Mármora, Daniela Duarte, Luciana Barros e Flávia Melman. Iluminação - Cibele Forjaz. Cenografia e Figurinos - Heron Coelho. Músicos - Alessandro Pennezi (violão e sopros), Miró Parma (percussão) e Richard Armando (sopros). Censura - 12 anos. Duração - 90 minutos. Gênero - Musical. Temporada - Quartas-feiras às 21 horas. Ingressos - R$ 10,00 (público geral); R$ 5,00 (usuário matriculado, estudantes com carteirinha e pessoas com mais de 65 anos) e R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados). Temporada - Até 29 de março, às quartas-feiras, às 21 horas .
Atenção: Nos dias 25 de janeiro (feriado do aniversário de São Paulo) e 1º de março (Quarta-feira de Cinzas) não haverá espetáculo. As apresentações ocorrem dia 26 de janeiro e 2 de março - quintas-feiras.
TEATRO SESC IPIRANGA - Rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga. Fone: (11) 3340-2000 . Capacidade - 100 lugares. Bilheteria - De terça a sexta-feira das 8 às 21 horas e sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas. Aceita dinheiro, cheque e cartão de crédito Visa, MasterCard e Amex. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. |