SESC IPIRANGA HOMENAGEIA O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE RADAMÉS GNATALLI
O músico brasileiro que rompeu a fronteira entre o erudito e o popular será homenageado no Projeto CEM ANOS DE RADAMÉS GNATALLI . Paulo Porto Alegre, violonista, idealizador do projeto, selecionou grande parte da obra para violão de Radamés Gnatalli, que será apresentada em quatro concertos entre os meses de fevereiro e maio
Nascido em Nascido em 27 de janeiro de 1906, se estivesse vivo, Radamés Gnatalli completaria um século de vida este ano. Para relembrar a data, o SESC IPIRANGA apresenta o Projeto CEM ANOS DE RADAMÉS GNATALLI , com idealização de Paulo Porto Alegre, violonista que foi aluno e amigo de Radamés em seus últimos seis anos de vida. O público será presenteado com a obra integral de Radamés para música de câmara, a ser apresentada ao longo de quatro meses, nos dias 3 de fevereiro , 3 de março , 7 de abril e 12 de maio , sempre às sextas-feiras, às 21 horas.
Na noite de abertura (mesmo dia em que se completam 18 anos da morte de Radamés), Paulo Porto Alegre faz concerto solo e executa a obra completa para violão solo de Radamés Gnatalli, composta por Dança Brasileira , Pequena Suíte (Pastoril, Toada e Frevo), Brasiliana 13 ( Samba Bossa Nova , Valsa e Choro ) , duas Tocatas em Ritmo de Samba e dez Estudos para violão . Nas apresentações do mês de março, abril e maio, Paulo divide o palco com músicos que têm grande conhecimento da música de Radamés Gnattali. São eles: Rosana Civile (piano), Rogério Wolf (flauta), Edelton Gloeden (violão), Daniel Guedes (violino), Zigmund Kubala (violoncelo), Eduardo Minozzi Costa (violão) e Daniel Murray (violão). Nesses concertos, os músicos apresentarão o restante da obra de Radamés dedicada ao violão. Entre algumas das composições que serão executadas estão a Suíte Popular Brasileira , Sonatina para Flauta e Violão , Suíte Retratos para 3 Violões , Suíte Brasileira para 3 Violões e Piano , Brasiliana nº 8 para 2 Violões e Sonata para Violoncelo e Violão , entre outras.
Mais do que homenagear o músico, compositor e maestro que, ao contrário dos seus contemporâneos, compunha para instrumentos negligenciados na época (como o violão elétrico), Paulo Porto Alegre, que idealizou todo o projeto (produzido por Cinthia Zaccariotto), também pretende colocar em evidência a música erudita essencialmente brasileira. "Esse projeto é uma obrigatoriedade. Radamés foi um grande professor, o mais importante que tive na área musical. Foi ele quem me ensinou tudo de mais relevante para aprimorar minha técnica com o violão", explica Paulo, que interpreta Radamés Gnatalli há mais de 25 anos.
O mestre e amigo
Além do aprendizado que teve durante a amizade de seis anos com Radamés, Paulo foi agraciado por seu mestre com duas composições para o seu grupo, o Trio Opus 12: a Suíte Retratos para 3 violões e a Suíte Brasileira para 3 violões e piano . Antes, com Sul América, Paulo também ganhou a composição Quarteto número 1 para 4 violões . "Como os seus amigos eruditos não viam com bom grado a relação dele com a música popular, Radamés compunha para músicos e grupos que ele apreciava. Foi no período de convivência com o músico que Paulo aprendeu toda a sua obra para violão, além de ganhar de presente algumas dicas de como interpretar o que Radamés queria dizer quando escrevia determinados símbolos em suas composições. "Além de um ótimo professor e amigo, Radamés fez com que eu retornasse à música popular. Ele, melhor do que qualquer outro músico, fundia muito bem o erudito e o popular, valorizando o que os dois tinham de melhor."
Essa sua ligação com a música popular fazia com que Radamés não fosse muito bem visto pela maioria dos colegas eruditos e heteredoxos. O mesmo não aconteceu no popular. O músico trabalhou ao lado de nomes como Pixinguinha, Orlando Silva, Chico Alves, Silvio Caldas, Os Cariocas, Tom Jobim e Carlos Galhardo. "Radamés foi um verdadeiro gênio, responsável por várias inovações na música brasileira. Ele conseguiu fazer samba com um quarteto de cordas, além de tornar o erudito mais acessível. Quem escuta uma música de Radamés Gnatalli compreende claramente o que ele dizia com seus arranjos", declara Paulo.
Sobre Radamés Gnatalli
Nascido no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 1906, o músico instrumentista, compositor, pianista, maestro e arranjador era de uma família de imigrantes italianos e musicistas. Viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, mas foi em Porto Alegre, onde se criou, que começou seus estudos de piano, aos 6 anos. Aprendeu também violino, cavaquinho e guitarra. Aos 18 anos, o jovem Radamés concluiu seu curso de piano no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre. A partir de 1931, Radamés Gnatalli dedicou-se à composição. Foi regente da orquestra da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, autor de seis mil arranjos, sendo considerado o melhor arranjador de música popular no Brasil. Chegava a criar nove arranjos por programa "Um Milhão de Melodias".
Em 1941 passou oito meses em Buenos Aires, contratado pela "Hora do Brasil", da Rádio Municipal local. Apesar do sucesso alcançado por suas composições "para concerto", Radamés constata, com amargura, que o reconhecimento, quando existente, é efêmero. Mas ele lida com o desconsolo, compondo para si mesmo, transferindo todos os seus conhecimentos de composição para seus arranjos de música popular brasileira, enquanto suas composições eruditas passam a ser executadas, com grande êxito, na Europa e nos Estados Unidos. Radamés faria também sua carreira internacional, excursionando pela Europa, tocando e regendo música brasileira erudita e popular.
De 1963 a 1967, o compositor trabalhou na TV Excelsior; a partir de então e até 1986, quando caiu doente, foi arranjador e regente da TV Globo. Faleceu no dia 3 de fevereiro de 1988, no Rio de Janeiro, esquecido pelas antigas gerações e desconhecido das novas. Entre suas composições figuram as treze Brazilianas, quartetos e trios e 26 concertos. Projetou-se também como exímio arranjador orquestral. Criou, entre outras, a música incidental da novela Roque Santeiro (1986).
Sobre Paulo Porto Alegre
Teve como professores alguns dos maiores violonistas, como Isaías Sávio, Henrique Pinto e Abel Carlevaro. Estudou composição com Sérgio Vasconcelos e análise musical com H. J. Koellreutter Phillipe Manoury, entre outros. É arranjador, com mais de 500 arranjos, e compositor, com suas obras editadas na Alemanha e no Brasil. Foi curador do SESC e Coordenador artístico do Seminário Internacional de Campos do Jordão em 1994/95/96. Representou o Brasil, professor, solista e Camerista no Festival IDRIART de Música Erudita. Em Paris ganhou o Concurso Internacional de Composição ORTF. Sua discografia inclui 2 CDs com o Trio OPUS 12, do qual é integrante. No Quarteto Brasileiro de Violões, realizou em 2004, mais de 25 concertos pelos EUA. Leciona violão na Escola Municipal de Música de São Paulo. Foi aluno e amigo de Radamés Gnattali durante os seis últimos anos de vida do mestre e, com ele, aprendeu como tocar toda sua obra para violão, a qual tem apresentado constantemente em concertos pelo Brasil e exterior, há mais de 25 anos.
Programação
Dia 3 de fevereiro
CONCERTO I - Obra completa para violão solo
Músico - Paulo Porto Alegre
Obras - Dança Brasileira
Pequena Suite (Pastoril, Toada e Frevo)
Brasiliana n 13 (Samba Bossa Nova, Valsa e Choro)
2 Tocatas em Ritmo de Samba
10 Estudos para violão
Dia 3 de março
CONCERTO II - Obras para violão e piano
Músicos - Paulo Porto alegre (violão), Rosana Civile (piano), Eduardo Minozzi Costa (violão) e Daniel Murray (violão).
Obras - Suíte Popular Brasileira
Sonata para Violão e Piano
Suíte Brasileira para 3 Violões e Piano
Dia 7 de abril
CONCERTO III - Obras para Instrumentos Melódicos e Violão
Músicos - Paulo Porto Alegre (violão), Daniel Murray (violão), Rogério Wolf (flauta) e Zigmund Kubala (violoncelo)
Obras - Introdução e Choro para Violino e Violão
Sonatina para Flauta e Violão
Sonata para Violoncelo e Violão
Sonatina para Violoncelo e 2 Violões
Dia 12 de maio
CONCERTO IV - Obras para violões
Músicos - Paulo Porto alegre (violão), Eduardo Minozzi Costa (violão), Daniel Murray (violão) e Edelton Gloeden (violão)
Obras - Tocata em Ritmo de Samba nº 1
Brasiliana nº 8 para 2 Violões
Suíte Retratos para 3 Violões
Quarteto nº 1 para 4 Violões
Para Roteiro
CEM ANOS DE RADAMÉS GNATALLI
Teatro SESC IPIRANGA - Duração - 60 minutos. Dias 3 de fevereiro, 3 de março, 7 de abril e 12 de maio , sextas-feiras, às 21 horas. Ingresso - R$ 20,00 (Público Geral), R$ 10,00 (usuário matriculado, estudantes com carteirinha e pessoas com mais de 65 anos) e R$ 7,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados)
SESC IPIRANGA - Rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga. Fone: (11) 3340-2000 . Capacidade do Teatro - 250 lugares. Bilheteria - De terça a sexta-feira das 8 às 21 horas e sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas. Aceita dinheiro, cheque e cartão de crédito Visa, MasterCard e Amex. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. |