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COM DIREÇÃO DE ARIELA GOLDMANN, 121.023J FAZ DUAS APRESENTAÇÕES ESPECIAIS NO SESC SANTANA

Baseado na história do pai da atriz Renata Jesion, que contracena com os atores Zemanuel Piñero e Mauro Schames, o espetáculo conta a história de um garoto que saiu de casa para comprar pão e nunca mais voltou. Renata, que também assina o texto, usa o filtro da arte para contar a experiência de seu pai na Segunda Guerra Mundial

 

O espetáculo 121.023J faz duas apresentações especiais nos dias 4 e 5 de fevereiro, sábado às 21 horas e domingo às 19 horas no Teatro do SESC SANTANA . Escrito pela atriz Renata Jesion, que durante cinco anos lutou para colocar nos palcos uma história pessoal sobre a Segunda Guerra Mundial, o espetáculo tem direção de Ariela Goldmann e elenco formado pela própria Renata e pelos atores Zemanuel Piñero e Mauro Schames.

O resultado dessa combinação é um espetáculo não realista, que conta a história de um garoto de 17 anos que sai de casa para comprar pão e não volta. Detido, não consegue descobrir qual é sua culpa e acaba sendo preso num alojamento com 800 homens. Lá, ele é obrigado a dividir uma cama minúscula com os outros e começa a ouvir vozes que não consegue compreender. A peça é um emaranhado de lembranças de Majer Jesion, 82 anos, pai da autora, que foi sobrevivente de quatro campos de concentração na Alemanha entre 1940 e 1945 (Segunda Guerra Mundial). As agruras do período são pinceladas a partir de entrevistas com o pai.

Embora ressalvando não ser muito boa a comparação, Renata Jesion diz que a peça possui algo da atmosfera do filme A Vida É Bela . "Tudo é muito lúdico. Ariela pediu um tom picaresco. No início, foi difícil entender. Mas aos poucos compreendemos a comicidade que havia ali, sem perder a seriedade e o respeito que o tema exige", diz a autora. Renata vive o prisioneiro, sempre atuando sobre um tablado de três metros de largura e três de comprimento. Na platéia, está Piñero, a voz misteriosa. Schames reveza-se nos demais papéis, desde um nazista até o irmão que o personagem encontra no campo de concentração.

 

Número tatuado no braço

Para os que não decifraram o título do espetáculo, trata-se do número dado a um prisioneiro de um campo de concentração alemão, ou seja, o próprio pai da autora. O título embaralha os meses de nascimentos de Majer e de Renata, somados à inicial do sobrenome, mas poderia ser o "143.062" tatuado no braço esquerdo dele. O comerciante morava em Gostynin, a 120 km de Varsóvia, na Polônia, antes de passar por quatro campos de concentração e sofrer os piores momentos no de Birkenau, em Auschwitz.

Renata, que já trabalhou com Antunes Filho, Gerald Thomas e Dionisio Neto, conta a história do pai sob perspectiva "leve, picaresca". "Não é uma peça para sensibilizar a colônia judaica. Quero universalizá-la", diz ela. Um bom retrato seria o do homem que se diz habituado a "começar do zero". Há cinco anos, Jesion foi operado do coração. Nada, talvez, se comparado a dois momentos de risco citados na peça, nos últimos dias como prisioneiro dos nazistas. Quando já tinha sido acolhido pela Cruz Vermelha, eis que Jesion deparou com soldados da Juventude Hitlerista. Foi conduzido a um delegado anti-semita. Perguntado se era judeu, disse que sim. Levou um tapa do delegado, que incumbiu um soldado de lhe dar um fim. "Eu sobrevivi até agora. Se tiver que me matar, não atire pelas costas", pediu Jesion ao soldado que o mandara caminhar. "Leb wohl", ordenou-lhe o soldado, em alemão, algo como "adeus", "vá, se manda".

Para a diretora Ariela Goldmann, o espetáculo é um pequeno épico de situações, pois o personagem entra num mundo absurdo. "Me inspirei nos personagens de um cabaré, pois q ueria que essa história particular, envolvendo esse tema já tão explorado, ganhasse um sentido universal, para além do nazismo, que pudesse ser referência para outras situações como, por exemplo, a violência e o preconceito gratuito dos dias atuais", conta a diretora.

 

Para roteiro

121.023J - Duas únicas apresentações nos dias 4 e 5 de fevereiro, sábado às 21 horas e domingo às 19 horas - Teatro SESC SANTANA . Texto - Renata Jesion. Direção - Ariela Goldmann. Elenco - Renata Jesion, Zemanuel Piñero e Mauro Schames. Cenografia - Jacques Jesion. Figurinos e adereços - Inês Sacay. Iluminação - Simone Donatelli. Produção musical - Simon Simantob. Ingressos - R$ 10,00; R$ 8,00 (usuário inscrito); R$ 5,00 (estudante com carteirinha, idoso e aposentado) e R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). Espetáculo recomendado para maiores de 12 anos. Duração - 50 minutos.

TEATRO DO SESC SANTANA - Av. Luiz Dumont Villares, 579 - Santana . Fone: (11) 6971-8700 . Capacidade do Teatro - 349 lugares. Bilheteria - Em todas as unidades do SESC, de terça a sexta-feira das 13 às 21 horas e sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas. Aceita dinheiro, cheque e cartão de crédito Visa, MasterCard e Amex. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. Estacionamento no próprio Sesc - R$ 7,00. www.sescsp.org.br.

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