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Grupo de Curitiba oferece Aperitivos no Centro Cultural São Paulo

Como se fossem garçons em uma festa, os atores do espetáculo oferecem ao público seis histórias velozes e repletas de surpresas. Com personagens extremamente humanos e situações hilárias e absurdas, a peça de Mark Harvey Levine estréia dia 17 de fevereiro, com a Pausa Companhia, de Curitiba.

 

Fruto de trabalho de pesquisa iniciado em 2004 e centrado em peças curtas contemporâneas, APERITIVOS chega a São Paulo com sabor de novidade, pelas mãos da Pausa Companhia , de Curitiba. Formado por seis peças completas sobre situações triviais e insólitas do cotidiano, com duração de 10 a 15 minutos cada, do autor americano Mark Harvey Levine (revelação do teatro contemporâneo dos Estados Unidos), o espetáculo estréia dia 17 de fevereiro na Sala Jardel Filho, do Centro Cultural São Paulo . Sob a direção de Márcio Mattana, o elenco é formado por Rodrigo Ferrarini, Andréa Obrecht, Renata Hardy e Gabriel Gorosito. Em cartaz até 26 de março.

Para dar liga aos curtíssimos textos O Aluguel , Surpresa , Aperitivos , Super-herói , Tons e Roteirizado , o diretor Márcio Mattana concebeu um formato divertido: em cena, entre um e outro quadro, os quatro atores aparecem como garçons e mestres-cucas, servindo a platéia (em sentido figurado), como se cada peça fosse um prato oferecido ao público. "Juntei as seis peças, cada uma com começo, meio e fim. Procurei um ponto em comum entre elas e encontrei a saída na idéia do garçom, contida em Aperitivos , a terceira história, que se passa em uma festa onde estão sendo servidos aperitivos absurdos", conta Márcio Mattana, explicando que a montagem é baseada nessa idéia simples.

Nesse formato, os próprios atores reorganizam uma a uma as próximas cenas, e a direção brinca com essa analogia com a função do cozinheiro e a do artista. "A mecânica do espetáculo é essa", fala o diretor, ressaltando que o mais importante da montagem é o conteúdo. A comédia e a atualidade temática são fatores comuns aos seis textos do espetáculo. Para Márcio Mattana, grande parte do humor da peça se dá pelo fato de as situações representadas no palco estarem presentes no cotidiano do público. "Por trás de uma comédia veloz e eficiente existem personagens humanos", explica o diretor, enfatizando o caráter realista da encenação. Para ele, as questões humanas são o grande valor da peça. E sobre elas ele procurou jogar um foco de luz doce e luminoso: "Ao mesmo tempo que diverte, o espetáculo é extremamente afetivo".

 

Sobre os textos e o grupo

Esta é a primeira vez que peças escritas por Levine são traduzidas para o português e montadas por uma companhia brasileira. Em comum os seis textos têm um elemento surpreendente, que beira o absurdo. Por meio de textos ágeis e repletos de informação, os personagens são desenhados rapidamente. Em poucos traços, o público enxerga muito dos personagens. "Essa é a grande graça e o talento do autor", afirma Márcio Mattana.

Constituído em 2004, o grupo nasceu com sede por coisas novas. Ávidos por fuçar autores novos, atores e diretor começaram a coletar e traduzir o material encontrado. A idéia inicial de montar uma peça colando seis autores foi abandonada quando a receptividade de Mark Levine fez tudo mudar. Como ele não tem agente, a negociação dos direitos autorais foi direta. Como Mark Levine tinha outras peças curtas, ainda inéditas, o grupo resolveu montar o espetáculo com elas.

São meia dúzia de histórias ("hilárias e absurdas", segundo o diretor), reunindo todas um elemento surpreendente. Em O Aluguel , Sônia ganha de presente de aniversário um namorado de aluguel, contratado pra fazê-la feliz por um dia. Ele é perfeito, mas vem com prazo de validade de apenas um dia, o que deixa Sônia perturbada. "O autor brinca com a dualidade quase universal entre homens e mulheres. Enquanto a maioria dos homens vive mais o presente, elas se preocupam mais com o dia seguinte", comenta o diretor.

Já em Surpresa , o paranormal Peter tem o dom de prever o que vai acontecer nos próximos dois minutos. Entretanto, seu talento não é nada saudável para relacionamentos amorosos. Nessa história, o dado real é que o cara tem inteligência racional, mas é um desastre em questões emocionais.

Na história que dá título ao espetáculo, Paul e Isabel estão deslocados e se sentem como peixes fora d'água no meio de uma festa chique. Acuados por uma profusão de garçons exageradamente solícitos, eternamente a oferecer quitutes e aperitivos absurdos, os dois se apóiam um no outro para defender-se do olhar das outras pessoas. Mas é tênue, quase imperceptível, o limite que faz com que você se torne "as outras pessoas". Este texto brinca com a questão da aceitação, da turma. "No fundo, o casal quer ser aceito, entrar para um grupo".

Superhero mostra Rachel sempre em apuros, gritando por socorro, enquanto Leonard, seu super-herói, está a todo instante disposto a arrombar a porta para salvá-la. Com um uniforme patético e caseiro, Leonard não parece capaz sequer de ajudar a si mesmo. Mas o tímido vizinho tem seus segredos e pode revelar-se um verdadeiro herói, seja para trocar uma lâmpada, seja para ajudar alguém a enfrentar os próprios fantasmas.

A preferida do diretor, Tons, vem em 12 minutos divididos em seis blocos. A ação se repete seis vezes e, a cada vez, o texto se modifica. A cada giro do cubo, a peça oferece uma nova e surpreendente visão da relação entre os três personagens (a namorada, seu ex e seu atual parceiro).

No quadro final, Roteirizado (única peça do autor publicada), um casal encontra ao lado da cama o roteiro completo de como será seu dia. Eles se apavoram até terem a coragem de ler a última página. Nesse caso, a questão colocada pelo autor é o que fazer com uma vida que é completamente previsível.

 

Sobre o autor

Ator de dramaturgo norte-americano, Mark Harvey Levine nasceu em 1963. Graduado na Carnegie-Mellon University, vive atualmente em Los Angeles, Califórnia. Sua obra para o teatro é composta basicamente por peças em um ato de 10 a 15 minutos de duração, repletas de humor, engenho e sensibilidade. Entre 1998 e 2002, teve obras produzidas em Nova York e Los Angeles, no Teatro de Atores de Louisville, na George Street Playhouse, em Nova Jersey, e em diversos outros teatros, nos Estados Unidos e no Canadá.

Em 2003, seu trabalho alcançou a marca de 22 produções, em 10 diferentes estados americanos, incluindo Scripted ( Roteirizado ), no Teatro da Cidade de Miami, Florida; Surprise ( Surpresa ), pela 12 Miles West Theatre Company, em Nova Jersey; The Rental ( O Aluguel ), pela Brass Tacks Theatre Company, em Nova York; Superhero ( Superhero ), no Cedar Lane Stage, em Bethesda, Maryland; The Kiss ( O Beijo ), no Ten by Ten Play Festival, na Carolina do Norte, e Shakespeare Lives! ( Shakespeare não Morreu! ), pela Shelterbelt Theater Company, em Omaha, Nebraska.

A coletânea de suas peças curtas (Cabfare for the Common Man/ Corrida de Táxi para o Homem Comum) arrebatou público e crítica durante todo o ano de 2004, no Theatre Neo, em Los Angeles. Sobre esta coletânea, vale citar a opinião do crítico Neal Weaver, publicada no LA Weekly em 20 de outubro de 2004: "As seis peças em um ato de Mark Harvey Levine revelam um toque luminoso, um senso de humor endiabrado e um talento especial para, usando os eventos mais extraordinários, lançar luz sobre a vida mais comum. (...) Estas peças curtas, malucas e aparentemente simples, são divertidas na superfície, mas estão repletas das nuances mais sutis".

Em 2005, sua peça "Shades" ("Tons") foi a grande vencedora do New York's Annual 15 Minute Play Festival, arrebatando tanto o "Judge's Best Play Award" quanto o "Audience Favorite Award". Mais recentemente, "The Prodigal Cow" ("A Vaca Pródiga") venceu o Chester Horn Short Play Festival, em Nova York.

 

Sobre a Pausa Companhia

Formada por remanescentes do grupo Trapaceiros & Cia. (O Despertar da Primavera, 1998/99, Romeu e Julieta, 1999/00), a PAUSA COMPANHIA nasceu do interesse comum por uma pesquisa centrada na dramaturgia contemporânea.

Em 2004, a PAUSA COMPANHIA produziu Gravidade Zero, monólogo de Mário Bortolotto dirigido por Emília Hardy e interpretado pelo ator Gabriel Gorosito. Foi o primeiro trabalho independente da companhia. E o grupo seguia na tendência de focar uma dramaturgia absolutamente contemporânea, sintonizada com a linguagem e os problemas da atualidade. O espetáculo foi citado pela imprensa como um dos melhores espetáculos do Fringe, no Festival de Teatro de Curitiba. No fim de 2004, a companhia iniciou uma pesquisa centrada em peças curtas contemporâneas de língua inglesa, reunindo, traduzindo e analisando material de autores como Martin Crimp, Will Eno, Julia Jordan, Bridget Carpenter e Mark Harvey Levine. Em 2005, como primeiro fruto desta pesquisa, a companhia produziu Aperitivos.

 

 

Para roteiro:

APERITIVOS

Estréia dia 17 de fevereiro , sexta-feira, às 21horas, na Sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo . Temporada - Sextas e sábados às 21horas e domingos às 20h, em cartaz até 26 de março. Coletânea de seis peças curtas de Mark Harvey Levine. Tradução da Pausa Companhia. Direção de Márcio Mattana. Elenco - Rodrigo Ferrarini, Andréa Obrecht, Renata Hardy e Gabriel Gorosito. Iluminação de Beto Bruel (Prêmio Shell 2001 por A Memória da Água e indicações ao Shell por Como aprendi a dirigir um carro, A vida é cheia de som e fúria e Avenida Dropsie). Sonoplastia de Márcio Mattana. Cenários e adereços de Teca Fichinski (Prêmio Shell 93 por Um futuro dura muito tempo). Figurinos de Maureen Miranda. Ingressos a R$12,00.

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