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CCBB estréia PEÇA DE ELEVADOR , da Cia Elevador de Teatro Panorâmico

Grupo dirigido por Marcelo Lazzaratto apresenta novo espetáculo, o sétimo de seu repertório, para comemorar os cinco anos da companhia. A peça tem como cenário dois elevadores, escolhidos propositalmente por se encaixarem na pesquisa dramatúrgica em torno de temas do cotidiano de uma grande metrópole, onde as pessoas estão sempre em trânsito

 

Para comemorar cinco anos de trajetória, a Cia Elevador de Teatro Panorâmico , dirigida por Marcelo Lazzaratto, apresenta seu mais novo espetáculo, o sétimo do repertório, a PEÇA DE ELEVADOR . Com um processo de criação desenvolvido durante 18 meses, o grupo paulistano foca sua pesquisa dramatúrgica em assuntos ligados a uma grande metrópole como São Paulo, onde as pessoas estão sempre em trânsito. A montagem estréia para público no dia 6 de abril , quinta-feira (a pré-estréia para convidados é dia 5 de abril, quarta), no Centro Cultural Banco do Brasil , em São Paulo, e coincide com a comemoração dos cinco anos da sede do CCBB em São Paulo. A temporada acontece às quintas e sextas-feiras, às 19h30, até dia 30 de junho.

A dramaturgia, assinada por Cássio Pires, surgiu deste longo processo criativo e conta aproximadamente 10 diferentes histórias de forma fragmentada, ou seja, os diálogos são cortados de acordo com os tempos de subida e descida dos elevadores. O cenário para estes enredos é um grande edifício comercial com dois elevadores envidraçados, panorâmicos, que conduzem e espionam os personagens e suas questões. Histórias fantásticas e do cotidiano são contadas por meio das viagens do elevador.

No ritmo dinâmico e bem-humorado da montagem, em meio ao sobe e desce dos elevadores, os personagens se cruzam ora no saguão de entrada do edifício, ora dentro dos elevadores ou em cada um dos andares. As cenas curtas e divertidas apresentam o cotidiano de pessoas comuns - o casal que discute (ele, contador; ela, desempregada), a figura estressada da administradora do prédio, as atrizes ensaiando para uma estréia, duas amigas da mesma repartição. Nesse ambiente os ascensoristas (a bem-humorada e o mal-humorado) presenciam histórias fragmentadas e convivem com outros personagens imaginários - entre eles o fantasma de Hamlet e Chapeuzinho Vermelho.

"Como uma brincadeira, abordamos a questão meta-teatral, o teatro dentro do teatro. É como se a companhia estivesse em um elevador e os atores fossem fonte e fruto dos próprios devaneios. Por isso, também emprestamos personagens da dramaturgia clássica", fala o diretor Marcelo Lazzaratto, explicando a opção pelo meta-teatro. " É a Companhia Elevador com seus atores construindo personagens, vivenciando situações, todas dentro de elevadores, que são conduzidos pelos atores-ascensoristas a andares instigantes, dialogando com personagens da literatura universal que nos emprestam seus questionamentos e descobertas para que possamos ao mesmo tempo aprender com eles e convidar o público para essa jornada diagonal ," afirma o diretor.

 

Sobre a direção

"Por que gostamos tanto deste tal Elevador a ponto de trazê-lo para o nosso comprido nome - Cia Elevador de Teatro Panorâmico - e agora ainda transformá-lo no tema central de nossa nova montagem?, pergunta-se o diretor Marcelo Lazzaratto. De acordo com ele, o relacionamento do grupo com este símbolo da metrópole acabou acontecendo um pouco por querer, e um outro tanto, por acaso. "Nesse nosso nome, a palavra Elevador fica encarregada de significar nosso anseio por uma verticalidade nos procedimentos artísticos, e à palavra Panorâmico , cabe a significar a nossa vontade de atingir uma horizontalidade, um alcance cada vez maior de interlocutores."

"Nossos objetivos já estão de alguma forma traduzidos no nome da companhia: Companhia Elevador de Teatro Panorâmico. O que queremos é a verticalidade que o elevador descreve em sua trajetória com a horizontalidade panorâmica que ele revela em sua viagem. Do embate dessas duas forças, a vertical e a horizontal, surge um terceiro vetor, diagonal, que ao nosso ver é o que melhor traduz o que chamamos de criação artística e fruição estética. Queremos vivenciar esse embate, descobrir sua particularidade. Não cair na tentação de uma criação superficial porque somente horizontal", explica Lazzaratto. "Desse embate entre a verticalidade e a horizontalidade, a proposta é ampliar nosso potencial criativo e nossa qualidade artística para proporcionar aos espectadores os mais variados níveis de leitura.

Para o diretor, uma companhia que vem tecendo um relacionamento com o acaso e com o elevador nada casualmente escolhe agora falar de si. "Do acaso de termos nos encontrado nesta imensa São Paulo, e por isso nos reconhecermos nos temas decorrentes e inseridos no elevador: como a pressa, a tecnologia, a solidão, os relacionamentos e as frases curtas, os olhares mais curtos ainda", explica Lazarratto. Ele continua: "e é esta Linguagem - do "acaso" de encontrarmos no símbolo Elevador uma ponte segura de identificação para o espectador - que nos permite, além de tramar e traçar ações cotidianas e episódicas comumente chamadas Cenas de Elevador, apertar o botão que nos leve aos andares da Abstração e da Fantasia" .

De acordo com o diretor, "a montagem busca investigar a relação tempo-espaço reconhecida e identificada por todos nós como realidade para relativizá-la por meio de recursos de linguagem.  Por intermédio do símbolo Elevador, um meio de transporte, a peça conduz os personagens e a platéia (presas a essa realidade) para andares fantásticos em que tempo e espaço se misturam fazendo com que não percebamos mais a distinção entre eles,  revelando que toda e qualquer jornada empreendida em qualquer lugar , em qualquer tempo pode ser diferenciada e criativa". 

"Acredito que Peça de Elevador seja um tratado poético da Companhia Elevador de Teatro Panorâmico. Aqui mostramos os temas que nos interessam, as influências que sofremos e que nos fundamentaram e as opções estéticas que até aqui temos feito.  Para isso tínhamos que fazer um trabalho próprio que contivesse nossas idéias e escolhas estéticas", explica o diretor.

 

Sobre a criação do texto

Sobre o processo coletivo de criação do texto, o autor destaca: "Foi um longo processo de trabalho, que me deu a oportunidade de errar e experimentar, no melhor sentido dessas palavras. Quando cheguei, já havia o tema (o elevador) e algumas idéias sobre o que poderia ser o espetáculo. Foi, certamente, minha melhor experiência de criação junto a um grupo".

Para Cássio, "Marcelo conduziu o processo com maestria e, ao mesmo tempo, soube me dar total liberdade de ação. Tive oportunidade e liberdade de tornar a idéia da cia uma idéia também minha. Isso faz com que o texto seja autoral e, ao mesmo tempo, produto do esforço coletivo. Estar em um processo em que autoria individual e trabalho em equipe não são termos excludentes é para mim uma espécie de ideal, algo que só foi possível graças a maneira do Marcelo e do elenco entenderem as dificuldades de um processo que prevê a criação da dramaturgia".

 

Criação de personagens

"Além das características cotidianas de um edifício comercial, neste prédio os elevadores podem conduzir até a andares fantásticos, que nem suspeitamos existir", fala a atriz Heloísa Cintra, integrante do grupo, que interpreta um dos dois ascensoristas da história. Sobre sua personagem, a atriz diz que " ela é uma pessoa comum que usa a criatividade  e o pensamento simples para observar fragmentos de existências alheias e completá-los, da maneira que lhe parece mais interessante. Ela gosta do que faz, tem prazer em observar. É personagem e autora".

A atriz conta que teve a oportunidade de apreciar o trabalho de diversas ascensoristas antes de optar por um caminho, junto com a direção. Isso fioi possível, graças ao processo de criação coletiva, onde os atores fizeram propostas de cenas para todos os personagens, antes do diretor fazer a divisão dos papéis. "Todos os atores da Cia tiveram esta oportunidade com cada um dos seus papéis. Esta primeira etapa foi muito rica, ainda mais para uma encenação como a da ascensorista, que transita por linguagens diferentes. Ora ela é personagem, vivenciando suas histórias de forma mais realista, ora é mais distanciada, observadora, criadora, mais brechtiniana".

O espetáculo tem cenário de Ulisses Cohn, música original de Daniel Maia, preparação corporal de Vivien Buckup, figurino de André Cortez, iluminação de Marcelo Lazzaratto e interpretação dos atores da Cia Elevador de Teatro Panorâmico ( Ademir Emboava, Carolina Fabri, Gabriel Mizziara, Heloisa Cintra, Juliana Pinho, Marcelo Lazzaratto, Marina Vieira, Pedro Haddad, Tathiana Bott e Thiago Fidanza).

 

PEÇA DE ELEVADOR - Estréia dia 6 de abril , quinta-feira, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (para convidados será dia 5 de abril , quarta ) . Temporada - Quintas e sextas, às 19h30. Ingressos - R$ 15,00 e R$ 7,00 (meia-entrada). Aceita cartões de crédito Visa ou Mastercard, cheque ou dinheiro. Direção - Marcelo Lazzaratto. Texto - Cássio Pires. Elenco - Ademir Emboava, Carolina Fabri, Gabriel Mizziara, Heloisa Cintra, Juliana Pinho, Marcelo Lazzaratto, Marina Vieira, Pedro Haddad, Tathiana Bott e Thiago Fidanza. Música original - Daniel Maia. Preparação Vocal - Daniel Maia. Preparação corporal - Vivien Buckup. Cenário - Ulisses Cohn. Figurino - André Cortez. Iluminação - Marcelo Lazzaratto. Duração - 110 minutos. Produção - Cia Elevador de Teatro Panorâmico. Patrocínio e realização - Centro Cultural Banco do. Até 30 de junho .

 

Centro Cultural Banco do Brasil - rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo. Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652. www.bb.com.br/cultura . Teatro: 126 lugares. Horário de funcionamento da bilheteria: das 10h às 21h. Ingressos antecipados: www.bilheteria.com / (11) 3038-6698. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Cafeteria. Opções de estacionamento na Rua Libero Badaró, próximos à Praça do Patriarca.

 

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