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Com direção de Ulisses Cohn, que também assina a adaptação, ao lado de Nelson Baskerville, do best-seller do psiquiatra Irvin D. Yalom, de 1992, o espetáculo estréia dia 6 de abril no Teatro Imprensa, com participação especial em vídeo de Ana Paula Arosio, Lígia Cortez e Flávio Tolenzani

 

Com elenco formado por Cássio Scapin e Nelson Baskerville , participação especial em vídeo de Ana Paula Arosio, Lígia Cortez e Flávio Tolezani, direção de Ulisses Cohn , trilha sonora de Aline Meyer, iluminação de Wagner Freire, figurino de Fábio Namatame, a peça Quando Nietzsche Chorou estréia no dia 6 de abril , quinta-feira, às 21 horas , no Teatro Imprensa . Esta produção é a mais nova realização da CIE Brasil, responsável pelas superproduções O Fantasma da Ópera, Chicago , A Bela e a Fera, Les Misérables, O Beijo da Mulher Aranha, além das peças teatrais A Flor do Meu Bem Querer , Suburbano Coração, Marília Pêra Canta Ary Barroso, Mademoiselle Chanel e Adivinhe Quem Vem Para Rezar.

Adaptação do romance Quando Nietzsche Chorou , escrito pelo psiquiatra Irvin D. Yalom, em 1992 (mais de 200 mil exemplares vendidos no Brasil), o espetáculo trata de uma ficção com personagens reais, que cria um suposto encontro entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche ( Cássio Scapin ) e o médico vienense Josef Breuer ( Nelson Baskerville ), professor e mentor de Freud ( Flávio Tolezani ). Na Viena do século 19, em meio à ebulição intelectual da época e às vésperas do nascimento da psicanálise, o revolucionário filósofo alemão Friedrich Nietzsche está no limite do desespero, com impulsos suicidas, incapaz de encontrar a cura para as insuportáveis enxaquecas e convulsões que o afligem.

Nessa mesma época, Josef Breuer está envolvido numa atmosfera de glórias e fracassos, após ter tratado de uma paciente com seu novo método de tratamento, a "terapia através da conversa". O que deveria ser seu melhor momento se revela num grande tormento - ele tem obsessivas fantasias sexuais com Anna O., sua paciente e, em decorrência disso, sofre de insônia e pesadelos, além de uma crise matrimonial (é casado com Mathilde, interpretada por Lígia Cortez ) e profissional em decorrência do fracasso do seu tratamento e ao denvolvimento emocional e atração sexual mútua entre ele e Anna O. (codinome para sua paciente Bertha)

De férias em Veneza, Breuer é procurado pela jovem russa Lou Salomé ( Ana Paula Arosio ), amiga de Nietzsche, com quem teve uma tumultuada e impossível relação amorosa. Lou procura Breuer para lhe pedir um favor: tratar seu amigo Nietzsche de suas crises de enxaqueca, do seu desespero, depressão e impulsos suicidas. O filósofo alemão já tentara tratamento com dezenas de médicos em toda a Europa sem resultado clínico, e quase sempre seu orgulho e a natureza de seu sofrimento se configurariam em obstáculos intransponíveis ao tratamento.

Estas duas personalidades vão se encontrar, conhecer uma à outra e, principalmente, conhecer-se a si próprias. Deste encontro surge um primordial/fictício tratamento psicanalítico, no qual muitas das questões da relação analista/analisando são trazidas por meio do embate entre as posturas filosóficas de Nietzsche e a visão de mundo de Breuer, de uma forma extremamente humana e próxima. Quando Nietzsche Chorou une realidade e ficção, drama existencial e suspense, numa surpreendente trama sobre amor, auto-conhecimento e amizade.

 

Sobre a adaptação

Envolvido pela maneira como o autor apresentou a questão psicanalítica, o diretor Ulisses Cohn ficou com vontade de montar o texto, assim que leu o livro. "Fiquei cativado pelos conflitos dos personagens, pela crise existencial de Breuer e pela postura de vida de Nietzsche", explica o diretor e cenógrafo Ulisses Cohn, comentando a inteligência do autor do livro em usar dados da biografia dos personagens para criar uma ficção. "Na realidade, o encontro entre Nietzsche e Breuer nunca aconteceu", fala Ulisses, que adquiriu os direitos da montagem há 5 anosn depois foi fazer mestrado em Londres, e começou os trabalhos de adaptação na volta, em 2003.

Para o ator Nelson Baskerville, que assina a adaptação com Ulisses Cohn, o processo de trabalho "foi difícil por se tratar de um romance rico em informação, personagens e temática". De acordo com o ator, ele e Ulisses concentram a adaptação, fiel ao livro, na relação de Nietzsche e Breuer, uma relação totalmente fictícia. "Apesar deles serem contemporâneos e de ter havido uma sugestão por parte de amigos de Nietzsche para que sua irmã Elizabeth o levasse a consultar-se com Breuer, os dois nunca se encontraram", afirma Baskerville. Ulisses Cohn concorda em que o processo de adaptação do texto do livro para os palcos foi árduo. "É um texto que, apesar de escrito em diálogos, tem passagens muito descritivas e conceituais, narrativas do universo emocional dos personagens e reflexões e comentários de um personagem sobre o outro." Para o formato teatral, eles precisaram "secar" a extensa narrativa, num trabalho desenvolvido durante quase um ano.

 

Sobre a direção

Optando por uma montagem não realista ("não é uma montagem de época"), o diretor Ulisses Cohn fez cortes de tempo (a história se passa em 1882) e teve liberdade poética para trabalhar com vídeo e para trazer várias questões para o tempo presente. "Me interessou trabalhar com o conflito entre os dois personagens e suas questões, trazê-los para a atualidade e saber por que eles têm uma ressonância hoje em dia. Estou me valendo das idéias dos personagens para a criação de uma narrativa." Ulisses Cohn já havia trabalhado com a linguagem do vídeo em cena, em performances e em seu Mestrado, em Londres, e optou por utilizar esses recursos na encenação de QUANDO NIETZSCHE CHOROU . "Achei possível usar os personagens em vídeo, porque, assim como acontece em uma relação analítica, estamos falando de uma relação entre duas pessoas que falam de suas experiências e angústias em relação à existência e à sua relação com outras pessoas", fala o diretor, completando que Lou Salomé, Freud e Mathilde são importantes para a condução da narrativa, inseridos no conflito de cada personagem. "São personagens importantes, mas suas presenças físicas não são fundamentais."

O recurso do vídeo é utilizado como uma maneira de colocar as memórias e lembranças dos personagens "como presenças emocionais, realidades mentais. Como se a pessoa estivesse em uma sessão de análise, falando de outra pessoa. Breuer e Nietzsche estão o tempo todo em uma relação de tratamento, que pode ser uma relação analítica. Os vídeos funcionam como um diálogo entre a realidade física e a virtual, entre o tempo presente e o passado", diz Ulisses, informando que apenas Breuer dialoga com os personagens em vídeo como se estivesse conversando com a própria consciência ou como se lembrasse da conversa com os outros personagens.

 

Sobre os personagens

O ator Cássio Scapin , já havia lido Assim Falou Zaratustra (romance filosófico poético, escrito em 884) e para compor o personagem mergulhou em várias biografias do filósofo. Ele enxerga na ficção a grande vantagem do romance de Irvin D. Yalom . "Principalmente porque hoje há uma tendência nos tratamentos de se aliar as questões psicológicas às filosóficas, e o livro aborda a cura por meio da filosofia também", afirma, comentando que o fato do encontro entre Breuer e Nietzsche nunca ter ocorrido dá ao espetáculo uma ampla possibilidade ficcional para se trabalhar de maneira livre. "Apoiados em pequenas indicações de como ele se comportava e a partir de como ele aparece no livro, criamos um Nietzsche diferente, tanto que eu não vou usar bigode", diz, ressaltando que seu personagem é um homem muito refinado, sarcástico e dotado de um certo bom-humor. "É um personagem maravilhoso", conclui.

De acordo com Nelson Baskerville , que vive Josef Breuer, seu personagem é o médico mais conceituado de Viena, de espírito inquieto, está sempre buscando novos caminhos de tratamento. "Como Nietzsche resiste ao tratamento com Breuer, este propõe uma troca: Breuer cuida dos sintomas físicos de Nietzsche, enquanto Nietzsche trata, por meio da filosofia, do desespero de Breuer", conta Nelson, revelando o pacto que os dois estabelecem, de um cuidar do outro, e a traição de Breuer, já que Nietzsche não sabe que foi Lou Salomé que o levou até Breuer. "A riqueza do espetáculo está aí, Breuer depara com a filosofia de Nietzsche, que se baseia no conceito de que todos temos medo da morte. Matamos Deus, mas não sabemos viver sem ele."

Para Ana Paula Arosio , "é uma grande responsabilidade fazer uma personagem como a Lou Salomé. Além de ser uma mulher excepcional, é ela quem promove no espetáculo o grande encontro entre Nietzsche e Breuer, mesmo que seja fictício". Ana Paula continua: "O fato da Lou Salomé ser uma mulher envolvente, que seduz pela inteligência, acaba atraindo ainda mais a minha atenção para o papel. E, para fazer essa personagem, eu me ative à memória emotiva de mulheres que tiveram relacionamentos onde a paixão pela intelectualidade era o mais importante".

Para Lígia Cortez , "Mathilde representa os compromissos, as responsabilidades, a maturidade, algo que num certo momento entra em conflito com Breuer, já que isso o impediria de viver questões que ele desejaria". A composição de seu personagem veio principalmente do livro, do romance, e de relatos das mulheres do fim do século 19,  "cordatas companheiras e amparadoras dos maridos em qualquer situação. Supõe-se uma anulação enorme da existência delas enquanto personalidades. E Mathilde está longe disso. Sem caricaturas, ela se impõe com firmeza, distinguindo-se do marido, mesmo sendo ele o médico respeitado que é. Apesar da época, ela consegue se colocar com dignidade e independência. É uma mulher muito interessante e forte". 

O papel de Freud entusiasmou o ator Flavio Tolezani : "É muito gratificante representar um ícone da humanidade. Uma honra, oportunidade única". Sobre o personagem, ele encara com garra o trabalho, "afinal são esses desafios que proporcionam os maiores prazeres". Flavio Tolezani pesquisou bastante para encarar a responsabilidade de representar uma personalidade, "ainda mais deste peso. Busquei inspirações em bibliografias e estudei um pouco a psicanálise para tentar entender como ele pensava. Era o único jeito de chegar perto deste jovem Freud: tentar pensar como ele pensava, com a sua lógica. Fazê-lo de forma humana, descartando um olhar quase mítico".

 

Para roteiro

QUANDO NIETZSCHE CHOROU - Estréia dia 6 de abril , quinta-feira, às 21 horas, no Teatro Imprensa. Texto original - Irvin D. Yalom . Adaptação - Ulisses Cohn e Nelson Baskerville. Direção - Ulisses Cohn. Elenco - Cássio Scapin e Nelson Baskerville . Participação especial em vídeo - Ana Paula Arosio, Lígia Cortez e Flávio Tolezani . Cenário - Ulisses Cohn. T rilha sonora - Aline Meyer. Figurino - Fábio Namatame. Iluminação - Wagner Freire. Direção de vídeo - Christine Liu. Produção - Selma Morente e Célia Forte. Temporada - Quintas, sextas e sábados, às 21 horas e domingos às 19 horas. Ingressos - R$ 50,00 (quintas e sextas-feiras) e R$ 60,00 (sábados e domingos). Meia-entrada para estudantes. Duração - 120 minutos. Censura - 14 anos. Até 6 de agosto .

Teatro Imprensa - rua Jaceguai, 400 - Bela Vista - São Paulo. Informações: (11) 3241 4203. Capacidade - 500 lugares e 7 espaços para deficientes físicos . Aceita cartões de crédito e débito. Bilheteria - terças e quartas, das 14h às 19h. Dias de espetáculo - das 14h até o início da apresentação. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Ingressos por telefone - Ticketmaster - 11. 6846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas). Pela Internet: www.ticketmaster.com.br . Venda a grupos - 11. 6846 6232. grupos@ticketmaster.com.br

 

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