ZONA DE GUERRA , SEGUNDO ESPETÁCULO DO PROJETO HOMENS AO MAR , ESTRÉIA NO SESC AVENIDA PAULISTA
Com direção e adaptação de André Garolli, a Cia Triptal encena a segunda parte do projeto Homens ao Mar, que traz ao público os primeiros textos do escritor Eugene O'Neill (1888-1953). ZONA DE GUERRA conta a história de um jovem que se emprega em um navio que contrabandeia munição durante a Primeira Guerra Mundial e é confundido com um espião. O espetáculo tem o apoio do Prêmio Funarte Petrobrás de Fomento ao Teatro, do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz e da Associação Cultural Casa das Caldeiras
Depois da encenação de Rumo a Cardiff , indicado para três prêmios Shell 2006 – direção (André Garolli), direção musical (André Lima) e cenário –, a Cia Triptal estréia o espetáculo ZONA DE GUERRA no próximo dia 20 de outubro , sexta-feira, às 22 horas, no Espaço Décimo Primeiro Andar da UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA . Com direção e adaptação de André Garolli, tradução de Fernando Paz e direção interpretativa de Lucia Gayotto, a encenação faz parte do projeto Homens ao Mar , que contempla a tradução e montagem de textos escritos entre 1914 e 1917 por Eugene O'Neill (1888-1953), que se consagraria com obras-primas como Longa Jornada de um Dia Noite Adentro .
Em ZONA DE GUERRA , os atores João Bourbonnais, Roberto Leite, Guilherme Lopes, Kalil Jabbour, Bruno Feldman, Denis Goyos, Wagner Menegare, Uryas de Garcia e Alexsandro Santos contam a história de um jovem que, fugindo de problemas em terra, se emprega num cargueiro da marinha mercante que contrabandeia munição dos Estados Unidos para a Inglaterra em plena Primeira Guerra Mundial. Quando entram na “zona de guerra”, a tripulação suspeita que o jovem seja um espião. A suposição é baseada numa misteriosa caixa preta em poder do rapaz.
Para a Companhia Triptal, o projeto Homens ao Mar agrega diversos artistas que têm como um dos objetivos trazer à cena textos escritos por Eugene O'Neill em seu período de formação. “Confrontar-se com o universo do mar e sua potência simbólica, lidar com a energia masculina, com o trabalho de coro e com a tragédia moderna são outros pilares do projeto. Queremos trazer à tona o amadurecimento do artista através de seus textos menos conhecidos, sem todo o acabamento dramatúrgico”, revela André Garolli, diretor do espetáculo.
Clima de insegurança é contexto atual
ZONA DE GUERRA se passa numa madrugada em um alojamento do navio mercante Glencairn, que transporta armas clandestinamente durante a Primeira Guerra Mundial. Smitty, um marinheiro inglês, esconde cautelosamente uma caixa preta enquanto todos dormem, sem perceber que estava sendo observado pelos marinheiros Davis e Scotty, que logo começam a desconfiar do novo tripulante.
Informados de que entraram na “zona de guerra” enquanto dormiam, o medo da morte se torna presente para os tripulantes. Smitty sai do alojamento e, em clima de suspense crescente, Davis convence a todos de que o perigo maior pode estar entre eles mesmos: Smitty não seria um espião? Mobilizados pelo medo e pelas evidências apresentadas, que se aliam a um comportamento reservado do novo marinheiro, resolvem abrir a caixa. Smitty aparece neste momento, tenta dissuadi-los, mas é amarrado. Os marinheiros abrem a caixa e deparam com algo que os fará pensar melhor em suas atitudes.
A Companhia Triptal considera que o clima de insegurança do espetáculo é bem atual com a situação da sociedade após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. “Por ser diferente, o indivíduo já fica temeroso. O espetáculo é u m grito contra a violência a que estamos sujeitos em momentos de medo e contra a possível queda do estado de direito em nome da segurança coletiva”, afirma Garolli.
Direção e Projeto Homens ao Mar
Para o diretor André Garolli, grande parte dos dramas escritos por O'Neill, na primeira fase de sua carreira, aborda a condição de homens que ele conhecia bem, especialmente aqueles ligados ao mar. “Com esse mote, nasceu o projeto Homens ao Mar , que contempla a tradução e montagem de quatro textos escritos entre 1914 e 1917. O primeiro, Rumo a Cardiff , já ganhou os palcos, agora é a vez de ZONA DE GUERRA , que será seguido por Longa Viagem de Volta pra Casa e Luar Sobre o Caribe ”, adianta André. Rumo a Cardiff é um dos primeiros textos de O'Neill, e conta como, em uma viagem de navio cargueiro, de Nova York a Cardiff, um marinheiro se acidenta gravemente. A incapacidade dos responsáveis pela viagem de oferecer um tratamento adequado expõe a tripulação à agonia de seu par. "Solidão, morte, desejo e amizade brotam dessa situação", conta Garolli, que iniciou o projeto Homens ao Mar em junho de 2003, com o grupo de estudos formado por 30 alunos de vários cursos do grupo Tapa e com o apoio da Associação Cultural Casa das Caldeiras.
Como direção de trabalho, André Garolli buscou se pautar num estudo do universo de Eugene O'Neill e de questões concernentes aos textos escolhidos. O material levantado nessa etapa é traduzido cenicamente por meio de exercícios aplicados ao grupo. O volume de material obtido em cada uma dessas investigações gera uma bagagem vasta, rica de possibilidades para o jogo teatral. “Não acredito em uma montagem fiel, mas em releituras onde a fantasia do autor possa inspirar discussões de questões contemporâneas, mergulhando em sua intertextualidade e emergindo com a atualidade dos textos”, afirma ele.
Os exercícios – entre eles, de clown, movimento, voz e corpo – são ministrados por profissionais de várias áreas, num total de oito pessoas, que trazem uma grande bagagem para o elenco, através de workshops que duram um mês ou durante todo o processo de montagem. “Por meio da personagem do marinheiro comum, uma profissão que ecoa em nossa imaginação com as suas invocações de morte, desejo, esperança e solidão, procuramos criar uma dramaturgia cênica que consiga discutir essas questões humanas dos dias atuais”, conta Garolli.
Sobre Eugene O'Neill – Dramaturgo, nasceu em 16 de outubro de 1888 em um quarto de hotel na Broadway, em Nova York. Filho do ator James O'Neill e de Ellen Quinlan, Eugene passou grande parte de sua infância viajando pelos EUA durante as temporadas teatrais de seu pai. Abandonou a universidade de Princeton ainda no primeiro ano e foi trabalhar numa agência de entregas de postais. Apaixonou-se por uma garota chamada Cathleen Jenkins, com quem, contra a vontade do pai, se casou e teve um filho. Pouco viveu com a mulher, pois logo partiu para Honduras para trabalhar em uma companhia que procurava ouro. Na volta, divorciou-se e juntou-se à companhia teatral do pai por um curto período, pois, após um desentendimento, embarcou como marinheiro em um navio norueguês e partiu para Buenos Aires, onde teve uma vida bastante aventureira. Por volta de 1912, juntou-se de novo à família, na casa de praia, quando descobriu estar tuberculoso. A doença obrigou-o a uma internação no Gaylord Farm Sanatorium, onde se dedicou à leitura e apaixonou-se pela obra de Strindberg e Ibsen, que nele despertariam o impulso para escrever. Entre 1917 e 1918 escreveu várias peças, entre as quais destacam-se: A Longa Viagem de Volta , Na Zona , A Lua das Caraibas e Além do Horizonte . Longa Jornada de um Dia Noite Adentro foi sua última peça, cuja texto original foi dado a Carlota Monterey, sua última esposa, no seu décimo segundo aniversário de casamento. Ganhou os prêmios Nobel de Literatura, em 1936, e o Pulitzer pelas peças Além do Horizonte (1920), Anna Christie (1921), Estranho Interlúdio (1928) e Longa Jornada de um Dia Noite Adentro (1957), este último recebido quatro anos após a sua morte.
Para Roteiro :
ZONA DE GUERRA – Estréia dia 20 de outubro, sexta-feira, às 22 horas, no Espaço Décimo Primeiro Andar da UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA . Com a Cia Triptal. Texto – Eugene O'Neill. Direção e adaptação – André Garolli. Tradução – Fernando Paz. Direção interpretativa – Lucia Gayotto. Elenco – João Bourbonnais, Roberto Leite, Guilherme Lopes, Kalil Jabbour, Bruno Feldman, Denis Goyos, Wagner Menegare, Uryas de Garcia e Alexsandro Santos. Trilha sonora – Eduardo Agni. Iluminação – Nelson Ferreira. Figurinos – Wagner Menegare. Preparação dos atores – Eduardo Agni (percepção), Tiago Antunes (corpo), Lucia Gayotto (voz), Ricardo Rizzo (movimento) e Bete Dorgam (clown). Duração – 60 minutos. Espetáculo recomendável para maiores de 14 anos. Temporada – Sextas-feiras e sábados às 22 horas e domingos às 18 horas. Ingressos – R$ 15,00; R$ 10,00 (usuário matriculado); R$ 7,50 (estudante com carteirinha, aposentado, trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). Até 19 de novembro .
UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA – Avenida Paulista , 119 – Estação Brigadeiro – Fone: (11) 3179 -3700 . Acesso para deficientes físicos. Bilheteria – D e terça a sexta das 9 às 22 horas e sábados, domingos e feriados das 10 às 19 horas (ingressos à venda em todas as unidades do SESC). Capacidade do Espaço Décimo Primeiro Andar – 50 lugares. www.sescsp.org.br