Indicado ao Prêmio Shell de Teatro, o ator Otávio Martins reestréia A Noite Antes da Floresta em curtíssima temporada no Satyros
Evento inclui premiação para os melhores vídeos e fotos produzidos com celular. Trata-se do primeiro festival brasileiro de arte e criatividade móvel. Usuários de celular de todas operadoras do Brasil poderão participar enviando seus trabalhos para o festival
Indicado ao Prêmio Shell de Teatro, o ator Otávio Martins volta à cena com A NOITE ANTES DA FLORESTA a partir de 4 de novembro , com sessões somente aos sábados, à meia-noite, no Espaço dos Satyros . Depois de bem-sucedida temporada de quatro meses, no mesmo teatro, de fevereiro a junho deste ano, o espetáculo vem fazendo brilhante carreira, com apresentações no Festival Internacional de Rio Preto (julho) e no 13º Porto Alegre em Cena (setembro).
Traduzido em mais de 30 línguas, encenado em mais de 50 países, o dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, reverenciado no mundo todo, tem agora sua primeira peça, A NOITE ANTES DA FLORESTA , montada pela primeira vez no Brasil. Escrito em 1977 e apresentado no festival off de Avignon, o texto tem encenação do diretor Francisco Medeiros , em sua 98 a direção.
Com iluminação de Domingos Quintiliano (também indicado ao Prêmio Shell de Teatro por esta peça), cenografia de Duda Arruk, trilha sonora de Aline Meyer, p reparação de corpo de Thiago Antunes e figurino de Elena Toscano, a nova montagem acontece passados mais de 15 anos da morte do dramaturgo, surgido entre os "marginais" no fim dos anos 70 e hoje um clássico contemporâneo constantemente montado na França, onde essa sua primeira peça recebeu 42 encenações diferentes, entre 1983 e 1999. Agora a universidade o leva a sério e a literatura o reconhece como um de seus filhos mais inovadores. Os textos de Koltès estão sendo montados nos Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina, Chile, México, Inglaterra, Suécia, Espanha, Itália, Áustria e em mais 17 países.
O texto (cuja tradução literal seria A Noite Logo Antes das Florestas ) apresenta o encontro de dois seres que vagam na noite, estrangeiros e marginalizados. Numa esquina de um centro urbano qualquer, um homem que, sem ter para onde ir e completamente ensopado pela chuva, tenta se comunicar com outro homem na rua, estabelecer um contato humano diante de condições sub-humanas de sobrevivência. Não se vê este interlocutor, que pode ser o próprio espectador ou ainda um duplo do personagem, mas ele está o tempo todo em cena.
Responsáveis pela tradução do texto, Francisco Medeiros e Otávio Martins revelam o entusiasmo com a oportunidade de mergulhar no universo do autor francês (cuja dramaturgia é pouco encenada no Brasil) e revelar ao público traços de sua personalidade marcante por meio de sua obra contundente. Para o diretor, Koltès é "um tigre enjaulado que lança seu olhar sobre o ser humano. Um dramaturgo que trabalha a palavra como um elemento material da comunicação". Para o ator, "ele é um exemplo vivo da falta de fronteiras entre o criador e a criatura".
Uma frase de 62 páginas
Um outsider, radical na arte e na vida, Bernard-Marie Koltès estruturou sua peça em uma frase de 62 páginas, sem ponto. "Dessa forma, o autor o ferece um olhar peculiar e fundamental sobre o homem moderno, uma leitura contundente e apropriada ao nosso tempo. Como nos grandes gênios, volta suas antenas para questões universais como a exclusão, a solidão e o desejo do homem contemporâneo. Provido de um rigor absoluto de criação, ele imprimia ritmo, sonoridade e melodia às suas palavras, que fazem mover a ação da cena", diz Francisco Medeiros.
O diretor conta que a montagem optou, em primeiro lugar, por não entrar em conflito com a palavra. "Afinal, é através do jorro verbal ininterrupto que Koltès revela o universo de seu personagem e seu olhar sobre o mundo", analisa ele, complementando que dar vida ao texto de A NOITE ANTES DA FLORESTA significa transitar do teatro narrativo ao teatro dramático de forma sempre vertiginosa e sem rede de proteção, ou seja, um enfrentamento do qual o intérprete não pode fugir. "A peça não só caminha em saltos de um assunto a outro, como também entrelaça imagens, descrições, diálogos numa atmosfera de permanente ambigüidade."
Sobre Koltès, Francisco Medeiros ressalta que "como outsider, ele tem também uma grande irreverência e destila ironia fina com relação às contradições do homem. Seu humor, muitas vezes, acaba por instaurar uma sensação de patético e de grotesco que contribuem ainda mais para comprovar uma poética extremamente pessoal e peculiar".
Poesias do cotidiano
Para o ator Otávio Martins, que estará sozinho em cena, o espetáculo mostra que atualmente não existe espaço na sociedade para a comunicação plena. "O personagem proposto por Koltès é um homem que quer conversar, ter contato com outro ser humano", afirma ele, contando que o personagem foi se desenhando por meio de características sensoriais. "Abusei da experiência sensorial porque em Koltès a palavra é ação pura e, nesse sentido, atinge o espectador com a força de um gesto nítido, direto, sem subterfúgios."
Otávio afirma que o espetáculo é um caleidoscópio de planos narrativos, de signos que desmoronam e se reconstroem. A melodia, a sonoridade e o ritmo foram agentes estimuladores da criação dele, tanto quanto o significado do possível enredo. "Para mim, levar A NOITE ANTES DA FLORESTA aos palcos é parecido com o enfrentamento de um triatleta que faz um percurso desconhecido pela primeira vez", declara o ator, que já emagreceu 9 quilos e raspou o cabelo para incorporar o personagem.
A direção do espetáculo joga luz no radicalismo do texto do autor, ou seja, na sua forma de enxergar e de se comunicar com o mundo. "Um dos objetivos do espetáculo é despertar corações e mentes para um contato com zonas eventualmente esquecidas ou adormecidas. Um convite ao contato com a poesia do cotidiano, sem esquecer de manter o desejo em estado de alerta para viver encontros, desencontros, e fazer de cada segundo da existência, um ato de construção de um mundo em permanente mutação", diz o diretor Francisco Medeiros.
Para roteiro:
A NOITE ANTES DA FLORESTA - Com Otávio Martins . Reestréia dia 4 de novembro de 2006, sábado, à meia-noite, no Espaço dos Satyros . Direção - Francisco Medeiros. Texto - Bernard-Marie Koltès. Tradução - Otávio Martins. Iluminação - Domingos Quintiliano. Cenografia - Maria Duda. F igurino - Elena Toscano. Trilha sonora - Aline Meyer. Preparação corporal - Thiago Antunes. Assistência de Direção - Tatiane Daud. Produção - Walter Gentil. Assistente de produção - Rafael Aranha. Pesquisa - Luís Cláudio Machado. Temporada - Sábados às 24h. Duração - 80 minutos. Censura - 16 anos. Até 10 de dezembro.
ESPAÇO DOS SATYROS 1 - Praça Roosevelt, 214 - Centro. Telefone (11) 3258-6345. Capacidade - 50 lugares. Ingressos - R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha) Bilheteria -- Todos os dias, das 10 às 18 horas. Nos dias que há espetáculo a bilheteria funciona até às 21 horas. Aceita dinheiro e cheque. Aceita reserva por telefone. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. Estacionamento - R$ 5,00.