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» LIMITE 151 CIA. ARTÍSTICA APRESENTA AS PRECIOSAS RIDÍCULAS

 

O DOENTE IMAGINÁRIO GANHA NOVA
MONTAGEM COM CLÁUDIO CAVALCANTI
E DIREÇÃO DE JACQUELINE LAURENCE

 

Uma semana após o início da temporada de As Preciosas Ridículas, o grupo
carioca Limite 151 Cia Artística estréia outro clássico de Molière, O Doente Imaginário, ocupando, simultaneamente, a mesma sala do Teatro Sérgio Cardoso, em horários diferentes. Também tradução e
adaptação de João Bethencourt, traz um elenco de 10 atores, entre eles
Cláudio Cavalcanti, que completa 50 anos de teatro na pele do personagem Argan


Considerado pelos especialistas em teatro como um dos melhores textos de comédia escrito pelo dramaturgo francês Molière (1622-1673), O Doente Imaginário ganha nova montagem, com encenação da diretora Jacqueline Laurence e trazendo o ator Cláudio Cavalcanti como o protagonista Argan (papel desempenhado por Tonico Pereira na temporada carioca). A estréia paulista acontece dia 10 de fevereiro, sábado, às 21h30, na sala Sérgio Cardoso do Teatro Sérgio Cardoso. A tradução e adaptação são de João Bethencourt, especialista em comédias de costumes engenhosas e com forte apelo popular, que morreu no último dia de 2006 no Rio de Janeiro.

O Doente Imaginário foi a última peça escrita e encenada por Molière, que sofreu um ataque em pleno palco, durante uma apresentação, morrendo pouco depois. Obra-prima do gênero, com tradução e adaptação de João Bethencourt, um dos mais importantes nomes da comédia brasileira, falecido no último dia de 2006, a peça reúne intrigas e romance na mesma trama. Angélica, filha de Argan, um rico e avaro burguês (tipo muito presente nas comédias de Molière), vítima de hipocondria, apaixona-se por um rapaz, o romântico Cleanto. O pai, no entanto, quer que ela se case com um médico, pois desta forma teria assegurado consultas gratuitas sem ao menos precisar sair de casa.

Mesma produção com cara nova
A estréia em São Paulo tem gosto de novidade, segundo a diretora Jacqueline Laurence, graças à entrada de Cláudio Cavalcanti no lugar de Tonico Pereira. “As peças de Molière sempre são muito focadas nos protagonistas. O desempenho dos atores que fazem esse papel é sempre vital para o andamento do espetáculo. Como o Cláudio e o Tonico são atores bem diferentes, a peça ganha um novo ritmo e fica com cara de nova, mesmo que a produção e o restante do elenco continuem os mesmos” explica a diretora.

Molière costumava escrever as peças para ele mesmo. Em sua companhia de teatro, ele era o dramaturgo, o diretor e o ator principal. “Talvez seja por isso que os seus protagonistas sempre tiveram muito destaque, pois ele escrevia a peça pensando em si mesmo”, conta Jacqueline.

Jacqueline Laurence e sua relação com Molière
Francesa de Marselha, Jacqueline Laurence chegou ao Brasil aos 16 anos. Em 45 de profissão, ganhou dois prêmios Molière e um Mambembe de melhor atriz. Em 1984, estreou na direção e, desde então, passou a exercer as duas funções. Como encenadora, esteve à frente de peças de sucesso como Louro, Alto, Solteiro, Procura, com Miguel Falabella; Sereias da Zona Sul, com a dupla Falabella e Karam; Dias Felizes, com Fernanda Montenegro; Personalíssima, com Rosamaria Murtinho, e Tartufo, de Molière, um dos seus textos preferidos.

“Gosto muito de Molière. Já fiz O Avarento e O Doente Imaginário, como atriz. Agora estou tendo a experiência de dirigir esse texto especial, porque foi o último que ele escreveu antes de morrer, e, portanto, já tem toda a carga de experiência que Molière tinha como homem de teatro, autor, ator, chefe de companhia teatral.”

Para Jacqueline, os textos de Molière ainda são atuais. “O Doente Imaginário é uma comédia extraordinária que, como em todos os trabalhos do autor, nos traz uma visão crítica sobre a humanidade. Esse é um dos motivos para que seus textos façam sucesso ainda hoje”, explica Jacqueline. Além disso, a diretora afirma que a peça tem um humor inteligente, sem deixar de ser popular e acessível a todos os tipos de público.

Sobre Molière
Autor de obras-primas da comédia, como Tartufo, Jean-Baptiste Poquelin, conhecido como Molière, foi batizado em Paris em 15 de janeiro de 1622. Filho de um rico fornecedor de tapetes da casa real, recebeu educação privilegiada no colégio de Clermont. Recusou-se, porém, a seguir a carreira do pai e decidiu abraçar o teatro quando, em 1643, fundou em Paris, junto com outros nove atores, a companhia L'Illustre-Théâtre, que faliu 16 meses depois. O duque de Épernon patrocinava a trupe. O cenário era Lyon, 1653. Nessa época Molière começou a escrever comédias, incluindo O Marido Ciumento. Em 1658 Molière e os Béjarts voltaram a Paris. Agora sob o patrocínio de Monsieur, irmão do rei, a trupe passou a compartilhar um teatro com uma companhia italiana de commedia dell'arte. Em 1659, As Preciosas Ridículas lançou Molière como diretor. Em 1663 casou-se com Armande Béjart. Nessa época, Molière tornou-se um dos autores favoritos do rei Luis XIV. Em O Doente Imaginário, Molière fazia o papel-título quando, ironicamente, teve um ataque em pleno palco, durante a quarta apresentação. Levado para casa, morreu pouco depois. Sua esposa teve que implorar ao rei que intercedesse junto ao arcebispo de Paris para que pudesse enterrar o artista, um direito a que os atores tinham de abdicar ao escolher a profissão.

Sobre o grupo Limite 151 Cia Artística
A Limite 151 Cia Artística tem como objetivo a pesquisa e o desenvolvimento de uma concepção estética que identifique na linguagem cênica diferentes formas de construção do pensamento. A Cia é formada pelos atores Gláucia Rodrigues e Edmundo Lippi e pelo compositor Wagner Campos, que, juntos desde 1991, já encenaram as peças: Os Sete Gatinhos de Nelson Rodrigues, direção de Marcelo de Barreto; O infanto-juvenil Dom Quixote, adaptação de Wagner Campos, direção de Cláudio Torres Gonzaga; A Comédia dos Erros e O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, direção de Cláudio Torres Gonzaga; À Margem da Vida, de Tennessee Williams, direção de Roberto Vignati; Frankenstein, de Mary Shelley, adaptação de Sidinei Cruz, direção de Angela Leite Lopes; As Malandragens de Scapino, de Molière, direção de João Bethencourt; O Olho Azul da Falecida, de Joe Orton, direção de Sidnei Cruz; O Avarento, de Molière, tradução e direção de João Bethencourt; A Moratória, de Jorge Andrade, direção de Sidnei Cruz; Tartufo, O Impostor, de Molière, tradução e direção de Jacqueline Laurence; Os Contos de Canterbury, de G. Chaucer, direção de Sidnei Cruz, e agora As Preciosas Ridículas, de Molière, direção de Cláudio Torres Gonzaga.

Para roteiro
O DOENTE IMAGINÁRIO – Estréia dia 10 de fevereiro, às 21h30, na sala Sérgio Cardoso do Teatro Sérgio Cardoso. Texto: Moliére. Adaptação e tradução: João Bethencourt. Direção: Jacqueline Laurence. Elenco: Cláudio Cavalcanti (Argan) Gláucia Rodrigues (Antonieta), Rogério Freitas (Thomas Laxante Filho), Jacqueline Brandão (Belinha), Janaína Prado (Angélica), Marcio Ricciardi (Dr. Purgante), Paulo Carvalho (Dr. Thomas Laxante), Lucas Orovich (Cleanto), André Frazzi (Tabelião) e Rubens Araújo (Beraldo). Cenários e figurinos: Colmar Diniz. Iluminação: Rogério Wiltgen. Produção Executiva: Valéria Meirelles. Direção de Produção: Edmundo Lippi. Realização: Limite 151 Cia. Artística. Temporada – Sábados às 21h30 e Domingos às 19h30. Ingressos – R$ 30,00. Duração – 90 minutos. Até 11 de março.

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista. Telefone (11) 3288-0136. Bilheteria abre a partir de quarta-feira, às 15 horas. Capacidade – 886 lugares. Aceita cheque? E quais cartões? Ar condicionado? Acesso para deficientes físicos

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