Cássio Scapin e Claudio Fontana interpretam
texto premiado de Sérgio Roveri no Teatro Vivo
ANDAIME reúne Claudio Fontana e Cássio Scapin, sob a direção de Elias Andreato. Gabriel Villela assina cenário e figurino; Mário Martini, a luz. Pendurados em um andaime, dois limpadores de janelas de um grandeedifício da cidade filosofam sobre a vida para disfarçar a solidão
Primeiro lugar no Prêmio Funarte de Dramaturgia, o texto ANDAIME, de Sérgio Roveri, será montado com direção de Elias Andreato, interpretação de Claudio Fontana e Cássio Scapin, figurino de Gabriel Villela e luz de Mário Martini. A estréia para público acontece dia 2 de março, sexta, às 21h30, onde fica em temporada de sexta a domingo até 29 de abril de 2007. A sessão para convidados será dia 28 de fevereiro, quarta-feira, às 21h30. Andaime é uma realização da Cult Empreendimentos Culturais em conjunto com a BF Produções.
ANDAIME é uma peça que retrata um dia qualquer na vida de dois limpadores de janela de um grande edifício de São Paulo. Mário (Claudio Fontana) e Claudionor (Cássio Scapin) dividem o mesmo andaime. À medida que executam suas funções, suspensos a dezenas de metros do solo, filosofam sobre a vida ao abordar inúmeros assuntos: falam da família, da passagem do tempo, do medo que sentem de algum dia serem substituídos por robôs, especulam sobre como é a vida no Japão e nos Estados Unidos, fumam no intervalo do trabalho e até acompanham, pela janela, uma aula de ginástica.
Para o autor, que concorre este ano ao Prêmio Shell de melhor autor pela peça Abre as Asas Sobre Nós, tanto diálogo serve para disfarçar a imensa solidão que sentem lá em cima - e também para amenizar a exclusão social de que são vítimas: o mundo que deu certo, aquele mundo dos executivos, que eles só podem ver através do vidro”.
Salpicado de humor, o texto - também um dos concorrentes brasileiros ao 1º Prêmio de Dramaturgia Antonio José da Silva, recém-criado para estimular o intercâmbio entre a dramaturgia brasileira e portuguesa - apresenta os personagens como dois filósofos do cotidiano, que enxergam a vida de cima e que talvez sejam sábios justamente por não terem os pés no chão. “Para cada problema que a vida oferece, eles encontram uma solução que consegue ser mais insólita do que a anterior”, explica Sérgio Roveri.
Sobre a montagem
Para Elias Andreato, o papel do diretor na encenação é ajudar os atores a compor “estas duas criaturas” de uma forma rica e poética. ”Limpando as janelas durante horas, Mário e Claudionor jogam conversa fora e falam, sem ter consciência de quem realmente são e do que realmente sentem”, afirma Elias, para quem o mais interessante na história não é só revelar quem são, mas como estes dois homens pensam a vida e seu cotidiano. “O texto fala dos homens invisíveis da cidade, que trabalham filosofando para que o tempo passe mais velozmente. Ele nos mostra essa gente humilde que ignoramos”, fala Elias, completando que “quando se observa a dor alheia é que se vê nossa felicidade tão perto”.
No trabalho de pesquisa, para auxiliar na composição dos personagens, diretor e atores fizeram laboratório entrevistando limpadores de vidros pela cidade. “Perguntamos sobre o medo de altura, as dificuldades do trabalho, se eles já viram muita coisa absurda”, diz Elias Andreato.
Mesmo não estando ligado diretamente ao espetáculo, o ator Paulo Autran é um elo entre os artistas. Claudio Fontana conheceu o autor Sérgio Roveri por intermédio dele, na época em que estavam em cartaz com a peça Adivinhe Quem Vem para Rezar . Elias Andreato, que dirigiu Claudio Fontana e Paulo Autran na peça de Dib Carneiro Neto, assumiu a direção. Cássio Scapin (que já trabalhou com Paulo Autran e Elias Andreato em Visitando o Sr. Green) completou o grupo.
Os personagens
Sobre seu personagem, Cláudio afirma: “ele vê coisas que não vemos, na cidade, dentro dos prédios. “Sua relação com esse mundo, a relação das pessoas com ele, tudo é diferente. Falar desse universo é falar do Brasil de hoje, da realidade de um universo particular, a princípio distante de nós, mas tão próximo, cuja distância é apenas a espessura de um vidro”.
A encenação respeita a situação cômica do texto, criada pelo autor. Dessa forma, o drama dos limpadores de vidros, em vários momentos, fará o público rir muito. “Eles chegam a fazer ginástica no andaime, olhando uma aula que acontece dentro do prédio”, explica Claudio Fontana, completando que, independente de ser uma comédia, o texto tem uma força maior ao abordar a desigualdade entre as classes.
Cássio Scapin destaca o conflito vividos pelos dois personagens, em um espaço tão limitado e arriscado, em uma situação limite. “Isso propicia vários questionamentos para ambos”, fala Cássio, ressaltando a obrigatoriedade de conviver dos dois e se confrontar com idéias tão simples. Sobre o autor, Cássio Scapin frisa que se trata “de um jovem autor paulista, com uma dramaturgia moderna, contemporânea e urbana, muito interessante.”
Sobre SERGIO ROVERI
Estreou como autor teatral em 2003, com a peça Vozes Urbanas, selecionada para o projeto Agora Metrópoles do Século 21. Em seguida, teve encenados os seguintes espetáculos: O Horário de Visita, com direção de Ruy Cortez; O Encontro das Águas, com direção de Alberto Guzik; De Alma Lavada, direção de Alberto Guzik; Pelos Cotovelos, estréia na direção do comediante Marcelo Mansfield; O Eclipse, com direção de Fábio Ock, e Esperando o Gordo, texto montado na cidade do Recife, com direção de Antonio Rodrigues. Sua última peça encenada foi Abre as Asas Sobre Nós, com direção de Luiz Valcazaras, texto que lhe valeu uma indicação ao Prêmio Shell de Melhor Autor em 2006.
Escreveu, a pedido do grupo Satyros, a peça O Dia das Crianças – a primeira investida do grupo da Praça Roosevelt no teatro infantil. A peça estréia em março. É um dos autores presentes no volume seis da Coleção Teatro Brasileiro, com a peça A Vida que eu Pedi, Adeus. Conquistou o primeiro lugar no Prêmio Funarte de Dramaturgia, em 2005, com o texto de Andaime. É autor dos livros Um Grito Solto no Ar, biografia do ator, diretor e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, e Quem Quiser que Conte Outra, biografia da escritora Tatiana Belinky a ser lançada no primeiro semestre de 2007. Atualmente escreve sobre teatro para o jornal Diário do Comércio, de São Paulo, e Revista Bravo.
Sobre ELIAS ANDREATO
Ator de teatro, televisão e cinema, diretor e, muitas vezes, roteirista de seus próprios trabalhos, Elias Andreato é um artista de rara sensibilidade e talento na arte de compor seus personagens. Sua busca é pela humanidade dos personagens que interpreta, e seus espetáculos freqüentemente questionam o papel do artista na sociedade e a relação com o seu tempo. Construiu uma carreira sólida feita, acima de tudo, pela escolha por personagens/personalidades que pudessem traduzir esse pensamento - Van Gogh, Oscar Wilde e Artaud são exemplos dessa escolha e resultaram em interpretações marcantes que garantiram a ele um lugar especial no teatro brasileiro. Andreato já foi considerado o maior ator de teatro da geração pós-Arena e Oficina, um ator que se supera a cada espetáculo e é hoje referência para as gerações mais jovens, que vêem nele uma inspiração e uma possibilidade de vida e de um caminho pessoal no teatro.
Artaud, atleta do coração foi o 12º monólogo da carreira de Elias Andreato, que interpretou cinco (Diário de um Louco, Solo Mio, Van Gogh, Esta Noite Choveu Prata e Oscar Wilde) e dirigiu outros seis (Não Tenha Medo de Virgínia Wolf, com Ester Góes; Tantan, com Cristina Pereira; Futilidades Públicas, com Patrícia Gaspar; A Lista de Alice, com Angelo Antonio, e Eu Não Sou Cachorro e Do Amor de Dante por Beatriz, ambos com Celso Frateschi). Vale destacar a direção de 3 Versões da Vida (prêmio qualidade Brasil de direção) e O Rim, de Patrícia Melo, com Carolina Ferraz, Marcelo Serrado. Em 2005, dirigiu Paulo Autran e Cláudio Fontana em Adivinhe Quem Vem Para Rezar , de Dib Carneiro Neto. Depois veio Operação Abafa.
Sobre CLAUDIO FONTANA
Com diversos espetáculos pontuando sua carreira, Claudio Fontana saltou aos olhos do grande público em Deus nos Acuda e Fera Ferida, sucessos de 1992 e 1994. Graduou-se em Economia e Administração de Empresas pela FEA-USP, mas seu ímpeto pelas artes cênicas falou mais alto. Iniciou sua carreira como ator no grupo de Teatro Amador do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, em 1984, sob a direção de Silnei Siqueira. Nos palcos, encontrou sua realização profissional encenando diversos espetáculos, entre os quais: Vem Buscar-me que Ainda sou Teu, de C. Soffredini; A Guerra Santa, de Luís Alberto Abreu; Mary Stuart, de Friedrich Schiller; Pérola, de Mauro Rasi; Camila Baker, comédia musical de Emílio Boechat; Feliz Ano Velho, de Alcides Nogueira; Pólvora e Poesia, também de Alcides Nogueira, Adivinhe Quem Vem Para Rezar, de Dib Carneiro Neto, ao lado de Paulo Autran. Em 1991, foi contemplado com o prêmio APETESP de Ator Revelação, por Vem buscar-me que ainda sou teu.
Sua experiência na televisão inclui a apresentação e locução do Globo Ecologia. A partir de 1992, começa a atuar em novelas e minisséries como: Deus nos Acuda, Sílvio de Abreu, TV Globo; Fera Ferida, Aguinaldo Silva, TV Globo; As Pupilas do Sr. Reitor, SBT; A Pequena Travessa, SBT; Um Só Coração, Maria Adelaide Amaral e A. Nogueira, América, de Glória Perez, TV Globo; entre outras. No cinema, protagonizou Zico, o Filme, de Elizeu Ewald e I Hate SP, de Dardo Toledo Barros. O talento de Cláudio vai além da atuação nos palcos, fora dos holofotes, produzindo peças teatrais desde 1996: Uma Coisa Muito Louca, Pólvora e Poesia, A Ponte e a Água de Piscina, Adivinhe Quem Vem Para Rezar, e, em 2006, os elogiados Esperando Godot, com Bete Coelho e Magali Biff e Leonce e Lena, ambos sob a direção de Gabriel Villela. Este ano, além de estrear Andaime, estará em cena em Amigas pero no mucho, de Célia Forte, e produzirá Salmo 91, novo texto de Dib Carneiro Neto, baseado no livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, direção de Gabriel Villela.
Sobre CÁSSIO SCAPIN
Ator de teatro e TV. Formou-se pela Escola de Arte Dramática da USP. Iniciou sua carreira na Itália com o diretor teatral Francesco Zigrino. Já no Brasil, dedicou-se inicialmente ao teatro, onde trabalhou com Celso Frateschi, Ulysses Cruz (O Despertar da Primavera e Pantaleão e as Visitadoras), Eduardo Tolentino (Senhor de Porqueiral, As Raposas do Café, A Megera Domada). Recebeu o Prêmio SHELL de melhor ator, em 1998, por Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Em 2000, trabalhou ao lado de Paulo Autran, no sucesso Visitando o Sr. Green (com direção de Elisa Andreato) e, em 2005, foi novamente indicado ao prêmio de melhor ator por Quando Nietzsche Chorou (com adaptação e direção de Ulisses Cohn, quando dividiu o palco com Nelson Baskerville). Em 2003 e 2004, fez O Aprendiz de Maestro (de João Maurício Galindo e Regina Galdino, com direção de Regina Galdino). Na TV, destacou-se como Nino no Castelo Rá-Tim-Bum, na TV Cultura; em 2004, na minissérie Um Só Coração, como Santos Dumont e, em 2005, em A Lua me Disse. Seu último trabalho na TV foi em O Sítio do Picapau Amarelo, em 2006.
Sobre a CULT
Com 16 anos de atuação em São Paulo a Cult Empreendimentos Culturais criou projetos personalizados de gestão e programação para os teatros: Hilton , Vivo, Renaissance, Aliança Francesa e Fecomércio. A partir de 2006 adicionou ao grupo de teatros que opera o Teatro Unicenp, em Curitiba, constituindo, a partir daí, o CULTCIRCUITO, um conjunto de teatros, com perfis de programação específicos, todos com a mesma filosofia de trabalho e o mesmo padrão de atendimento.
A Cult, além disso, voltou a produzir espetáculos. Nos últimos anos, por exemplo, ela foi responsável pela produção de Visitando Sr. Green, com Paulo Autran, Sua Execelência, O Candidato, com Reinaldo Gianecchini, Operação Abafa, com Marcos Caruso e Jandira Martini e agora para 2007, Andaime, Amigas Pero no Mucho, de Célia Forte, direção de José Possi Neto, Às Favas Com os Escrúpulos, de Juca de Oliveira, com Bibi Ferreira, Juca de Oliveira e Adriane Galisteu, direção de Jô Soares.
Para roteiro:
ANDAIME - Estréia para público dia 2 de março, sexta, às 21h30. Sessão para convidados dia 28 de fevereiro, quarta-feira, 21h30. Texto de Sergio Roveri. Direção de Elias Andreato. Com Cássio Scapin e Claudio Fontana. Produção da Cult Empreendimentos Culturais. Comédia. Um dia na vida de Mário e Claudionor, que trabalham como limpadores de janela, os chamados homem-aranha, de um grande edifício de São Paulo. Duração – 70 minutos.
TEATRO VIVO - Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 – Morumbi. Telefone para informações e vendas através de Cartão de Crédito 3188.4141. Temporada - Sexta às 21h30, Sábado às 21 horas e Domingo às 18 horas. Ingressos – inteiro a R$ 50,00 e meia-entrada a R$ 25,00. Capacidade – 280 lugares. Ar condicionado. Acesso para deficientes. Central de vendas e informações: (11) 3188.4141 (aceita todos os cartões de crédito), de terça a domingo, das 11h às 19h. Classificação etária: 12 anos. Bilheteria: aberta de terça e domingo das 14h às 20h, ou até o início do espetáculo, pagamento em cheque, dinheiro e cartão de débito. Até 29 de abril de 2007.