COM DIREÇÃO DE ROBERTO LAGE,
SUPERPRODUÇÃO INFANTO-JUVENIL
A FLAUTA MÁGICA ESTRÉIA EM SÃO PAULO
A Flauta Mágica é a mais popular ópera de Mozart e foi escrita em apenas três meses na língua alemã. A obra foi adaptada para a linguagem teatral pelo dramaturgo Vladimir Capella, com base no livro do escritor Dionísio Jacob. Com 16 atores e 3 músicos em cena, o espetáculo, que tem produção geral de Cíntia Abravanel, traz 70 figurinos e cenários com vários efeitos visuais assinados por JC Serroni. A direção musical de Sérvulo Augusto apresenta 12 canções e 3 músicas instrumentais executadas ao vivo pelo elenco, entremeadas com trechos de composições famosas de Mozart. O espetáculo faz parte do Projeto Literatura no Teatro, que está em sua segunda edição, e propicia a alunos e educadores o contato com a arte do teatro e da literatura
Partindo de um enredo mágico com príncipes, rainhas, bruxos e seres fantásticos, o espetáculo infanto-juvenil A FLAUTA MÁGICA – uma adaptação de Vladimir Capella e direção de Roberto Lage, que trabalham juntos pela primeira vez – estréia no dia 10 de março, sábado, às 16 horas, no Teatro Imprensa (sessão para convidados no dia 7 de março, quarta-feira, às 20h30). A peça é baseada no livro de Dionísio Jacob, que transformou em obra literária a mais famosa ópera de Mozart. A sétima produção de Cíntia Abravanel (a anterior foi o premiado O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá) traz cenários e figurinos de JC Serroni e direção musical de Sérvulo Augusto. A FLAUTA MÁGICA conta com 16 atores e 3 músicos em cena, que mostram a luta entre o bem e o mal remetendo aos clássicos contos de fada.
A produção anterior de Cíntia Abravanel, o espetáculo O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (a primeira peça do Projeto Literatura no Teatro) recebeu dois prêmios APCA – melhor espetáculo infantil e melhor direção para Vladimir Capella, além de quatro prêmios Coca-Cola – melhor espetáculo infantil, melhor produção para Cíntia Abravanel, melhor direção para Vladimir Capella e melhor figurino para JC Serroni. A peça foi vista por mais de 238 mil pessoas (sendo 116.327 alunos da rede pública e 40.728 da rede privada) e agora deve se apresentar nas principais capitais e cidades brasileiras, entre agosto e novembro de 2007. Entre as produções de Cíntia Abravanel estão Reino das Águas Claras (1998), O Terror dos Mares (1999) – ambas de Monteiro Lobato, A Hora da Estrela (2002), de Clarice Lispector; O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (2003), de Jorge Amado, e Avoar (2004).
Elementos mágicos para todas as idades
De acordo com o diretor Roberto Lage, em A FLAUTA MÁGICA há uma série de elementos enigmáticos que fascinam as pessoas até hoje. “O começo da história, que apresenta o príncipe Tamino em um bosque desconhecido, já convida os espectadores a entrarem em um mundo diferente, mágico”, adianta o diretor. Em seguida, se conhece o drama da Rainha da Noite, que tem a filha Pamina seqüestrada pelo misterioso bruxo Sarastro, e faz um pedido ao príncipe: que traga sua adorada filha de volta, livrando-a do cativeiro.
Em A FLAUTA MÁGICA, o protagonista Tamino (Ricardo Monastero) é um jovem príncipe que está prestes a se tornar rei. Para que isso aconteça, precisa passar por uma prova de sabedoria no templo do bruxo Sarastro (Daniel Costa). No caminho para o reino do temível bruxo, Tamino conhece o caçador de pássaros Papagueno (Gabriel Godoy) e, atendendo ao apelo da poderosa Rainha da Noite (a atriz convidada Renata Zhaneta), tenta resgatar sua filha Pamina (Mariana Eleizabetsky) – por quem o príncipe se apaixona –, seqüestrada e encarcerada no castelo de Sarastro.
Para cumprir essa missão, Tamino e Papagueno recebem da Rainha da Noite um carrilhão de sinos e uma flauta mágica que os acompanharão na difícil missão. Depois de muitas aventuras, o príncipe e seu fiel amigo chegam ao palácio de Sarastro e terão de enfrentar uma série de provas e obstáculos para resgatar a princesa Pamina. Aos poucos, Tamino e sua amada descobrem que não bastam coragem e força para ultrapassar os obstáculos que a vida impõe, é preciso que haja humildade, verdade e sabedoria na escolha dos caminhos.
Mozart em cena
A FLAUTA MÁGICA é uma metáfora, um rito de passagem, que aborda de maneira sensível a transição necessária do menino para o homem. Partindo de um enredo simples, a peça toca profundamente pela forma como aborda o amor, a luta pela superação e o reconhecimento de que serão nossas virtudes as responsáveis pelas verdadeiras conquistas e vitórias.
A história também mostra que o julgamento pelas aparências é sempre ineficaz, já que o príncipe, ignorando a motivação do aprisionamento de sua amada e desconhecendo a real personalidade de Sarastro, segue cegamente as orientações da Rainha da Noite, cujas intenções também ignora.
Entre uma cena e outra, durante toda a apresentação, haverá um personagem que será o próprio Mozart. A idéia é que ele explique alguns acontecimentos da história com pequenas interferências e faça uma ligação entre a obra original e a adaptação. Segundo os biógrafos de Mozart, a ópera A FLAUTA MÁGICA era a preferida do compositor.
A adaptação de Vladimir Capella
A peça teatral adaptada por Vladimir Capella retoma elementos relevantes da obra original, além de introduzir o espectador no rico mundo da ópera. “Antes de tudo, quando vou escrever um texto, fazer uma adaptação de uma obra literária ou mesmo dirigir um espetáculo, o que mais me atrai numa narrativa são as histórias bonitas. E por bonitas entendo que sejam as histórias que me falam diretamente ao coração. E é, indiscutivelmente, o caso de A FLAUTA MÁGICA”, conta Capella.
Ele ainda comenta que é uma oportunidade privilegiada de homenagear o gênio Amadeus Wolfgang Mozart. “Isso tudo me parece uma boa razão para ter escolhido A Flauta Mágica para transformá-la num texto de teatro e, posteriormente, num espetáculo. Além disso, Mozart consagrou e imortalizou essa ‘história bonita’ para que hoje, mais de duzentos anos depois de ser criada, possa ser vista e, tenho certeza, com o poder de ainda nos deslumbrar”, acredita Capella.
A direção de Roberto Lage
O diretor Roberto Lage optou, na sua direção, por um espetáculo que poderá ser assistido por todas as idades. “Claro que é um espetáculo cheio de apelo visual, sensorial e estético que vai encantar o público mirim, mas tenho certeza de que não será maçante para o adulto”, explica ele.
Convidado pela produtora Cíntia Abravanel para dirigir a peça, Lage nunca havia trabalhado com Vladimir Capella. “Estou respeitando todos os diálogos da adaptação dele, mas estou subvertendo algumas coisas. Minha direção será respeitadora, mas não submissa”, adianta o diretor. Para ele, que é mais ligado no “aqui e agora”, o espetáculo privilegiará a vida. “Sou meio cético, o que me interessa é o atual momento. O príncipe da minha direção é um guerreiro e a princesa uma inconformada”, brinca Lage.
Para Roberto Lage, uma das surpresas da montagem foi o afiado elenco, que foi selecionado por testes. “Fiquei satisfeito de trabalhar com um elenco tão jovem, mas com uma qualidade e talento inquestionáveis. O preparo técnico deles é sensacional”, conta o diretor.
Músicas originais e clássicos de Mozart
As músicas de A FLAUTA MÁGICA foram criadas por Sérvulo Augusto, que assina a direção musical do espetáculo. São 12 canções e 3 músicas instrumentais executadas ao vivo pelo elenco e pelos músicos Mani (viola clássica), Ney Aguiar (violino) e Otávio Colella (violino). Além disso, a sonoplastia de Aline Meyer traz trechos de composições famosas de Mozart.
“Escolhi exatamente instrumentos de orquestra – dois violinos e uma viola – para dar um ar mais erudito”, afirma Sérvulo, adiantando que os dois atores que se revezam no papel de príncipe Tamino aprenderam, com Guilherme Montanha, os macetes de tocar uma flauta de verdade.
O diretor musical também conta que buscou inspiração ouvindo vários CDs com os trabalhos de Mozart. “A música dele é tão forte, que não há como dissociar o nome A FLAUTA MÁGICA de sua versão mais famosa. De qualquer maneira, procurei criar as canções e também os arranjos delas com inspiração clássica, orquestral”, explica.
Cenários e figurinos brincam com o dia e a noite
O cenógrafo JC Serroni, que assina os cenários e figurinos de A FLAUTA MÁGICA, usou de vários truques para dar vazão às necessidades cênicas exigidas pelo espetáculo. “São mais de dez espaços diferentes e, além das estruturas de ferro e das cortinas que se movimentam, utilizei desta vez efeitos especiais realizados com projeções”, adianta ele.
Serroni também explica que toda a cenografia é baseada na obra de Mozart. Para passar ao público a idéia do que acontecia nos teatros do século XIX, o cenógrafo recriou uma boca-de-cena característica da época. “Em 30 anos trabalhando na criação de dezenas de cenografias e figurinos para espetáculos, sempre tive o sonho de fazer A FLAUTA MÁGICA. Ainda não estou fazendo a ópera, mas chego quase lá nessa adaptação do Capella para o teatro infanto-juvenil”, conta Serroni.
Já os figurinos, na criação do cenógrafo, não têm época definida, mas percebe-se que são de um tempo longínquo. Foram criados trajes para dois mundos distintos, o de Sarastro (o rei do dia) e de Astrafiamante (a rainha da noite). “Os tecidos usados são bastante diversificados, mas sempre leves, com muita transparência e superposições. Embora tenhamos apenas 16 atores e 3 músicos, foram executados cerca de 70 trajes”, explica o cenógrafo, em um total de 140 peças, levando em conta o figurino dos stand-ins.
Projeto Literatura no Teatro
O Centro Cultural Grupo Silvio Santos (CCGSS) nasceu do desejo do Grupo Silvio Santos de contribuir de maneira organizada e efetiva para a consolidação das práticas de responsabilidade social empresarial. O CCGSS foi fundado em 2002, como uma entidade jurídica sem fins lucrativos – com certificado de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), do Ministério da Justiça –, e tem o compromisso de tornar-se, também, uma referência nacional na disseminação do teatro como instrumento de educação, desenvolvimento e inclusão social.
O Projeto Literatura no Teatro, que está em sua segunda edição com a estréia do espetáculo A FLAUTA MÁGICA, visa à valorização da literatura e o incentivo à leitura de obras literárias, com as múltiplas possibilidades educacionais e culturais do teatro, além de unir o compromisso artístico com o educacional. Através de ações concretas, o objetivo é despertar o prazer da leitura, do teatro, estimular a cultura e valorizar o conhecimento possibilitando a inclusão sócio-cultural de crianças e adolescentes de baixa renda.
Os espetáculos para as escolas acontecem de quarta a sexta-feira, às 9h30 e 14h30. Para as escolas públicas o valor do ingresso é subsidiado, e para as escolas particulares há um desconto. Os professores, que assistem oficinas de capacitação, recebem gratuitamente material didático para executarem atividades em sala de aula. Todos os alunos que assistem ao espetáculo também recebem um material didático.
Curiosidades sobre Mozart
Mozart produziu uma obra musical monumental em um espaço de tempo mínimo. O adjetivo “gênio”, que recebeu Mozart, não é exagero. O compositor criou inúmeras peças de câmara, missas, óperas e sinfonias marcadas, em geral, pela originalidade. A própria biografia de Mozart se apresenta como uma sucessão de feitos extraordinários. Filho do músico Leopold Mozart, o jovem compositor, já aos quatro anos começa seus estudos musicais e compõe nesse período suas primeiras peças para violino e cravo. Com apenas 17anos, Mozart tinha um mecenas de peso em Salzburgo, o arcebispo Collorado, e já era aclamado por óperas importantes de Munique e Milão.
A postura sempre irreverente do compositor rendeu a ele a fama de excêntrico. No ano de 1781, mudou-se para Viena e passou a trabalhar autonomamente; em 1782, casou-se com Constanza com quem teve filhos. A platéia da época de Mozart não compreendia inteiramente sua música, pois composições apoiadas na forma sonata (linguagem moderna que consistia na aplicação do raciocínio lógico a materiais sonoros a fim de ampliá-los) eram demasiadamente vanguardistas para os ouvidos dos contemporâneos do gênio.
Até mesmo a morte prematura de Mozart deu margem ao mito que se criou sobre a figura do artista. Mozart acreditou até morrer que havia sido envenenado pelo seu inimigo maior: o compositor Antonio Salieri. Para Mozart, Salieri havia preparado uma poção capaz de matá-lo lentamente. No final da vida, Mozart ainda trabalhou intensamente na partitura de um Réquiem encomendado. Morreu à meia-noite e 55minutos do dia cinco de dezembro de 1791, aos trinta e cinco anos, em agonia, segundo sua esposa, tentando imitar o som dos tímpanos do Réquiem e cantando algumas passagens de A Flauta Mágica, ópera que mais amou escrever.
Para roteiro
A FLAUTA MÁGICA – Estréia dia 10 de março, sábado, às 16 horas, no Teatro Imprensa. Texto – Dionísio Jacob. Adaptação – Vladimir Capella. Direção – Roberto Lage. Elenco – Renata Zhaneta, Mariana Eleizabetsky, Ricardo Monastero, Daniel Costa, Gabriel Godoy, Ando Camargo, Bia Borin, Érika Altimeyer, Fábio Cador, Fabiano Amigucci, Fausto Franco, Helder Mariani, Ligia Paula Machado, Luciana Ramazini, Paula Flaiban e Roberto Marques. Músicos – Mani (viola clássica), Ney Aguiar (violino) e Otávio Colella (violino). Cenários e figurinos – JC Serroni. Direção Musical – Sérvulo Augusto. Sonoplastia – Aline Meyer. Iluminação – Cizo. Preparação corporal – Vivian Buckup. Preparação vocal – Guilherme Terra. Visagismo – Leopoldo Pacheco. Produção Geral – Cíntia Abravanel. Temporada – Sábados e domingos às 16 horas. Ingressos – R$ 40,00 (meia-entrada para estudantes). Duração – 75 minutos. Espetáculo recomendável para maiores de 8 anos. Até 25 de novembro.
TEATRO IMPRENSA – Rua Jaceguai, 400 – Bela Vista. Informações – (11) 3241-4203. Capacidade – 449 lugares. Aceita cartões de crédito e débito. Bilheteria – terças e quartas, das 14 às 19 horas. Dias de espetáculo – das 14 horas até o início da apresentação. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Ingressos por telefone – Ticketmaster – (11) 6846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.