Cia Le Plat du Jour em poço
cheio de água dentro do Cofre do CCBB
O Centro Cultural Banco do Brasil traz ao público o espetáculo teatral
O Poço, que reafirma sua busca por diversidade e inovação. Encenadas
pela Cia. Le Plat du Jour, as apresentações ocorrem no subsolo, fora do
espaço convencional, onde originalmente ficava o cofre da primeira agência do
BB em São Paulo. Fazendo um paralelo entre o fim do amor e a escassez crescente dos recursos hídricos do planeta, as atrizes Alexandra Golik e Carla Candiotto encenam seu primeiro espetáculo que foge do tom da comédia, O POÇO, o sétimo do repertório. Fica em temporada de 17 de maio a 15 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil
Dentro do cofre original da primeira agência do Banco do Brasil em São Paulo, inaugurada em 1927, um poço com mais de 300 litros de água é o cenário inusitado escolhido pelas atrizes Alexandra Golik e Carla Candiotto, da Cia Le Plat du Jour, para a apresentação de seu mais novo espetáculo. Com direção do bailarino e coreógrafo Sandro Borelli, a montagem de O POÇO - que estréia dia 17 de maio, quinta, às 19h30, com patrocínio do Banco do Brasil, onde fica em temporada no CCBB de quarta a domingo até 15 de julho – é um marco na carreira das atrizes.
Identificadas com a linguagem do humor, da comédia, tom que até hoje pontuou seus espetáculos, tanto adultos como infantis, Alexandra Golik e Carla Candiotto esperam surpreender o público com um trabalho mais poético e introspectivo, o primeiro do grupo nesta linha do drama. Elas estão se colocando à prova, ousando, arriscando, "no caminho de uma maturidade como atrizes", esperam.
Instalado no subsolo do prédio, o cofre, que funcionou ali até 1996, vai abrigar pequenas platéias – serão 20 pessoas por sessão, acomodadas em um espaço de 8m80cm x 4m20cm. A peça apresenta as duas atrizes durante 55 minutos em cena, molhadas, com o figurino – jeans, camiseta e tênis - encharcado. "Ao fim da sessão, saímos tremendo", revelam Alexandra e Carla, dando uma idéia do desafio.
O POÇO é um projeto de teatro físico. O tema principal é a água, ou mais precisamente a falta de água, assunto abordado a partir do esgotamento de recursos hídricos e, conseqüentemente, da consciência ecológica. A concepção, bem como a direção, tem como base a improvisação teatral e o uso de imagens, sem perder de vista o trabalho que a Cia já vem desenvolvendo desde sua criação: teatro físico e dinâmico. “O amor é a água e a água é a metáfora daquilo que é vivo”, dizem Alexandra Golik e Carla Candiotto, explicando que a reflexão em torno do esgotamento da água ficou distante. "O texto enfoca mesmo os sentimentos, as lembranças."
Alexandra e Carla contam que a partir do tema (o amor) e tendo a água como pano de fundo, estas duas personagens – "que não são homem, nem mulher, não têm sexo, nem nome, e podem ser apenas uma em um conflito absurdo, contracenando com sua própria consciência" – desenvolvem uma relação simbiótica entre si e com o poço. "Um não sobrevive sem o outro. E as personagens alimentam a água por meio de suas lembranças. Tudo gira em torno da água. Quanto mais emoção, mais água."
Sai o humor, entra a emoção
Em cena, a história das duas últimas pessoas que restaram no planeta vivendo no último lugar que restou do mundo: o poço. A relação entre elas e o poço é de grande dependência, pois sobrevivem da água que elas mesmas fazem brotar, por meio de seus sentimentos. E para que haja sentimento é preciso haver lembrança. Assim, toda a ação existente é um registro de suas lembranças. Passam o tempo lembrando, tentando resgatar seus sentimentos para, assim, alimentar o poço e conseqüentemente continuarem vivas. Precisam gerar emoção suficiente para manter o sistema funcionando. Mas é preciso ter muito cuidado. Se a emoção for muito grande, o poço transbordará; se não for suficiente, o poço secará.
"É uma situação, não uma história com começo, meio e fim", diz Alexandra, completando que o poço é um elemento simbólico. Depois que ele estava construído é que ela escreveu o texto. Sobre o tema, Carla comenta que a peça fala de amor como o único sentimento necessário neste planeta; e sobre a água, como o elemento mais essencial. Você não vive sem água, nem sem amor", diz, complementando que as duas vão arranjar uma maneira de tratar a água do poço cenográfico
A montagem expõe a falta de perspectivas das personagens que, sozinhas, tentam sobreviver à ausência de horizontes. “Não podemos deixar de citar também a irreverência das situações e o fato de ser uma dupla de palhaças que tratam de um assunto tão sério. Porém, vamos além dos limites da falta de água e atingimos o sentimento de solidão, de ausência e de indefinição como a vida contemporânea passar a nos resumir.”
Carla e Alexandra ressaltam a junção de linguagens da Cia Le Plat du Jour com a do diretor Sandro Borelli. "Trabalhamos em cima de movimentos e fazemos teatro. Sandro também trabalha com movimento e faz dança. A forma como a gente cria é parecida", comparam elas.
Carla e Alexandra estavam querendo mudar ou variar. Tinham a certeza de que não gostariam de fazer humor desta vez. Chamaram o conceituado bailarino e coreógrafo Sandro Borelli, 29 anos de carreira – que assina sua segunda direção de teatro - para dar forma a este desejo e deixar a peça mais física, com mais movimentos, aproveitando a experiência de Borelli. Carla e Alexandra agora se colocam à prova, ousando, arriscando, "no caminho de uma maturidade como atrizes".
Com marcações e ritmo bastante roteirizados O POÇO é um espetáculo "humano e emocional, denso, totalmente diferente do que elas estão acostumadas a fazer", como observa o diretor. "Bebi na fonte delas e elas na minha." Se o resultado é drama, emoção latente, o mesmo não se pode dizer do processo de criação. "Ríamos muito. Elas têm um humor cáustico muito aflorado, semelhante ao meu. Foi muito engraçado", finaliza Sandro Borelli, comentando que quem acompanha a carreira do Plat du Jour se surpreenderá.
Com O Poço, o Banco do Brasil reafirma seu compromisso de apoiar e fomentar a cultura realizando espetáculos que tragam informação, formem platéias e discutam importantes questões presentes no mundo contemporâneo.
Cia. Le Plat du Jour
A Cia Le Plat du Jour, formada por Alexandra Golik e Carla Candiotto, surgiu em Paris no ano de 1991, onde começou a desenvolver uma linguagem cômica física, mais especificamente ligada ao palhaço. Lá atuaram na peça Coup de Chance, de Jean Henri Blumel. Ainda em Paris, foi concebida a primeira versão da peça As Filhas de Lear, uma adaptação da tragédia Rei Lear, de Shakespeare. O espetáculo foi trazido para São Paulo onde foram realizadas apresentações durante um ano. Carla Candiotto retornou à Europa, onde atuou e criou espetáculos com a Cia Théâtre Sans Frontieres. Entre eles Candido (Voltaire) – Prêmio Eletric Award no Festival de Edimburgo; O Corcunda de Notredame (Victor Hugo); Le Roi Fou e The Day of the Dead, com turnê pela Inglaterra, Escócia e França. Em Paris, trabalhou com a Cia Fleur de Peau e Cia Paris 21. Alexandra Golik continuou no Brasil e produziu alguns espetáculos pela cia. Le Plat du Jour, como Comédias Exemplares (Miguel de Cervantes); Filme B ( Le Plat du Jour); Woyzeck (Georg Büchner); Na Selva das Cidades (Bertold Brecht); Um Deus Cruel (Alberto Guzik) e Kilocaloria (Alexandra Golik). De volta ao Brasil, Carla Candiotto retomou a parceria com Alexandra Golik e a Cia Le Plat du Jour tem hoje em seu repertório a produção dos espetáculos: As Filhas de Lear; Chapeuzinho Vermelho (premiado pela APCA 2001 como melhor espetáculo infantil e participação do Festival Teatrália em Madrid, na Espanha); Os Três Porquinhos (Prêmio APCA 2003 e Panamco Femsa de Teatro); Insônia (Alexandra Golik) e Aladim e a Lâmpada Maravilhosa (criação com a cia Inglesa Théâtre Sans Frontiéres com turnê pela Inglaterra, Escócia, Irlanda, França e China). A Cia também criou números cômicos como Abracadabra e Sinsalabim, Criador e Criatura, As Panteras, As Irmãs Siamesas e Meyre Moracy.
Alexandra Golik
Formada em artes-cênicas pela ECA-USP, morou quatro anos em Paris onde estudou nas Escolas Internacionais de Jacques Lecoq, Philippe Gaulier e na L’Université de La Sorbonne onde fez a maitrîse Le Geste en Fin de Partie, peça de Samuel Beckett. Em 1991 fundou em Paris, com Carla Candiotto, a Cia Le Plat du Jour. Alexandra trabalhou durante oito anos no Programa Doutores da Alegria e dirigiu o espetáculo infantil Medinho Medão da Cia Viralata. Como atriz atuou nos espetáculos: Longo Jantar de Natal (Thorton Wilder), Pinóquio (Carlos Collodi), As Três Irmãs (Anton Tchecov) Liolá (Luigi Pirandello), As Criadas (Jean Genet), Bodas de Sangue (Federico Garcia Lorca), Casa Tomada (Júlio Cortazar - Prêmio Governador do Estado), O Dia dos Prodígios (Lídia Jorge - participação no FITEI em Portugal), Comédias Exemplares (Miguel de Cervantes), Filme B (Le Plat du Jour), Woyzeck (Georg Büchnner), Na Selva das Cidades (Bertold Brecht), Um Deus Cruel (Alberto Guzik), Kilocaloria e Seqüestro (Alexandra Golik). Também protagonizou comerciais para a TV e fez participações no programa Retrato Falado da Rede Globo. Entre outras, escreveu as peças Insônia, Mamy (inédita adulta), O Poço, A Fairy Cocktale (inédita infantil), e as esquetes Sarah Benê e Meyre Moracy.
Carla Candiotto
Iniciou sua carreira na Europa, onde morou 10 anos e se formou em Teatro na Ecole International Philippe Gaulier. Estudou com Monika Pagneux, Arianne Mnouskine (Théâtre du Soleil), Desmond Jones, John Wright, Frank Armstrong e grupos de Teatro Físico Théâtré de Cumplicité e The Rigth Size. É praticante do método de consciência corporal Moshe Feldenkrais. Trabalhou com a Cia Théâtre Sans Frontiéres nos espetáculos Candido (Prêmio Eletric Award no Festival de Edimburgo), O Corcunda de Notre Dame (Victor Hugo) e Le Roi Fou (turnê pela Inglaterra, Escócia e França). Em Paris atuou na Cia Fleur de Peau na peça Scarllet e na Cia Paris 21 em Cem Anos de Solidão e em A Sala Número 6 (Gabriel Garcia Marques). Em 1991 fundou em Paris, com Alexandra Golik, a Cia Le Plat du Jour. A atriz já dirigiu os seguintes espetáculos: Sardanapalo (primeira versão), De cá prá lá de lá prá cá (Prêmio Coca-cola de Teatro), Parlapatões Patifes e Paspalhões, Gigantes de Ar (Pia Fraus Teatro), Orgulho, João e o Pé de Feijão e Road Movie (Circo Mínimo), Galinhas Aéreas (Linhas Aéreas), e A La Carte, da Cia La Mínima de Teatro como direção de ator. Carla também trabalhou durante sete anos no Programa Doutores da Alegria.
Para roteiro
O POÇO – Estréia dia 17 de maio, quinta-feira, às 19h30, no COFRE do Centro Cultural Banco do Brasil (dia 16, quarta-feira, às 20 horas apenas para convidados). Criação - Le Plat Du Jour. Texto - Alexandra Golik. Direção - Sandro Borelli. Elenco - Alexandra Golik e Carla Candiotto. Trilha Sonora - Tunica. Iluminação - Sandro Borelli. Cenografia e figurinos - Le Plat Du Jour. Direção de Produção - Fernanda Signorini. Produção - Le Plat Du Jour. Realização - Centro Cultural banco do Brasil. Temporada – Quarta às 16h. Quinta a sábado às 19h30. Domingo às 18h. Temporada de quarta a domingo até 15 de julho. Duração – 55 minutos. Classificação etária: 14 anos. Ingressos a R$ 15,00 e R$ 7,00 (para estudantes e idosos). www.bb.com.br/cultura
Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. Aberto de terça a domingo – das 9h às 20h (próximo às estações Sé e São Bento do Metrô). Informações: (11) 3113-3651 / 3652. Capacidade: 20 lugares. Acesso liberado para trânsito de veículos (proibido estacionar). Opções de estacionamento na rua Líbero Badaró.
Assessoria de Imprensa – CCBB
Camila do Val - 3113-3623
camila.val@bb.com.br
www.bb.com.br/cultura