NÚCLEO ARGONAUTAS DE TEATRO,
COORDENADO POR FRANCISCO
MEDEIROS, APRESENTA ENSAIOS
ABERTOS DO PROJETO TERRA SEM LEI
A partir do dia 14 de maio, no Studio Mil & 56, o público poderá conferir, em apresentações gratuitas, os exercícios cênicos do projeto Terra Sem Lei, com os atores Bel Kowarick, Luah Guimarãez, Luciano Gatti, Mariana Senne, Plínio Soares, Rodrigo Bolzan e Thiago Antunes. O grupo apresenta o resultado do trabalho contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. A proposta do projeto é pesquisar todas as etapas de criação teatral, da dramaturgia até a preparação corporal e teórica, passando pelo figurino e cenário.
Com coordenação geral do diretor teatral Francisco Medeiros, o Núcleo Argonautas da Cooperativa Paulista de Teatro parte para mais uma fase do Projeto Terra Sem Lei – selecionado pela Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo – a partir do dia 14 de maio, segunda-feira, às 20 horas, no Studio Mil & 56. Sempre às segundas e terças, o grupo realiza ensaios abertos para apresentar os exercícios cênicos resultantes da pesquisa teatral iniciada em agosto de 2006. Após as sessões, a platéia é convidada a conversar com o elenco e toda equipe do projeto. Terra Sem Lei dá continuidade ao trabalho de pesquisa iniciado, em 2006, com o projeto anterior do grupo, Pode Entrar que a Casa é Sua, indicado ao Prêmio Shell na categoria especial.
Os ensaios abertos acontecem em uma casa no bairro de Pinheiros. As cenas acontecem em vários espaços: um corredor, uma sala, um quintal e um galpão, que servem de cenário para os setes atores. “A cada apresentação, o espectador assistirá uma "peça" nova (digo peça entre aspas, pois não é um espetáculo pronto, trata-se de um work in progress), com mudanças introduzidas na cena gradativamente”, explica o coordenador geral Francisco Medeiros. O Projeto Terra Sem Lei será apresentado ao público ao mesmo tempo que em que os atores experimentam novas possibilidades cênicas. “O resultado destas pesquisas vai sendo incorporado às apresentações públicas. É muito mais do que um ensaio aberto. É um processo de criação aberto", fala Francisco Medeiros.
O ensaio é dividido em sete exercícios cênicos (nem sempre os sete serão apresentados em um mesmo dia), cada um criado por um ator. Bel Kowarick se inspirou nos diários de Santa Tereza d'Avila e documentos referentes à bomba de Hiroshima para falar sobre como o ser humano reage diante de situações como a guerra. Luah Guimarãez usa o processo criativo da ceramista Kimi Nii para fazer uma analogia com o trabalho do ator. Luciano Gatti, inspirado em depoimentos de artistas contemporâneos, lança um olhar sobre o ser humano em diferentes situações-limite. A história do canibal de Rotemburgo inspira Plinio Soares em sua cena. O espaço conturbado das minorias, a memória e o engajamento do homem na sociedade são os temas explorados por Rodrigo Bolzan. Mariana Senne fala sobre verdade, justiça e liberdade inspirada no relatório policial do crime da Mala, ocorrido na São Paulo de 1928. Os seres invisíveis da cidade de São Paulo e a possibilidade de existir vida pulsante em meio ao esgoto da metrópole são os pontos de partida para Thiago Antunes.
Sobre o Projeto Terra Sem Lei
“É possível extrair uma poética a partir da edição da realidade documental?” Esta pergunta inicial guia todo o projeto. Provocados por este questionamento, os atores partiram em busca de documentos que serviriam como pontapé inicial para a pesquisa. Em seguida, de acordo com Francisco Medeiros, os atores investigaram as possibilidades de tradução cênica das idéias extraídas do material citado acima. "Cada intérprete editou os dados coletados e partiu para a investigação das possibilidades de encenação destas idéias, e escolheu uma linguagem um estilo, e pesquisando sobre a convivência de gêneros teatrais (épico, dramático, lírico)", explica.
Na próxima fase, que começa agora e segue até o final de julho, ocorrem interferências da equipe em diferentes setores do projeto. Agora, o público poderá ver as conseqüências das sugestões da dramaturgia, área coordenada por Lucienne Guedes. Alguns projetos sofreram alterações significativas. O mesmo deverá ocorrer com as futuras intromissões: figurino, interpretação, teoria, corpo, luz e direção. “Mesmo que estes exercícios teatrais tenham sido criados por uma única pessoa não teremos, obrigatoriamente, monólogos ou solos. Os atores convidaram seus companheiros de projeto para integrar os elencos de cada experimento”, conta Francisco Medeiros.
Antes de chegar na etapa atual, o Núcleo Argonautas da Cooperativa Paulista de Teatro promoveu debates com pessoas das mais diversas áreas para responder à pergunta O que é terra sem lei para você?. Os participantes foram o escritor Ferrez, a professora de arquitetura da USP Ermínia Maricato, a professora do curso de filosofia da USP Iná Camargo Costa, o psicanalista Jacques Stifelman, os jornalistas Marcelo Tas e Xico Sá, o músico José Miguel Wisnik, o investigador de polícia da divisão anti-seqüestro do DEIC Rainer Kamrowski, o coordenador científico do Núcleo de Estudos da Violência da USP Sergio Adorno e o escritor Frei Betto, além de uma conversa informal com o ator Norberto Presta.
A cada semana, o público verá o amadurecimento progressivo das cenas. O Núcleo Argonautas não tem a preocupação de transformar essa pesquisa em uma peça teatral. “Acreditamos que a Lei de Fomento é uma oportunidade do ator desenvolver seu trabalho de pesquisa e dividir suas descobertas e experiência com o seu público. Assim como em trabalhos anteriores, Terra Sem Lei mostra que isso pode acontecer de outras maneiras que não uma peça” afirmam.
Para roteiro:
PROJETO TERRA SEM LEI – Ensaios abertos de 14 de maio a 24 de julho, sempre às segundas e terças, às 20 horas. Entrada gratuita. Studio Mil & 56 - Rua Ferreira de Araújo, 1056 – Pinheiros. Telefone - 3331 8897/84472264. Capacidade - 40 lugares. Não é necessário fazer reservas. Duração – 90 minutos.
Ficha técnica do projeto Terra Sem Lei - Elenco - Bel Kowarick, Luah Guimarãez, Luciano Gatti, Mariana Senne, Plinio Soares, Rodrigo Bolzan e Thiago Antunes. Dramaturgia - Lucienne Guedes. Corpo - Thiago Antunes. Estudos Teóricos - Arturo Gamero. Figurinos - Marichilene Artsevskis. Documentação - Ana Lúcia Ferraz. Estagiários - Anderson de Almeida, Carlos Canessa, Chico Brasil, Daniel B. Pinto, Flavio Pontes, Lais Bolsonaro, Marcello Girotti Callas, Rita Tatiana Cavassana e Talma Salem. Coordenação Geral - Francisco Medeiros.