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DIRIGIDA POR FABIO NAMATAME,
SELMA EGREI HOMENAGEIA GUIMARÃES ROSA

Ao som de Villa-Lobos, durante uma hora, a atriz leva para o centro do palco o homem do campo e convida o espectador a conhecer histórias da gente simples que vive em meio à natureza

Um livro de crônicas de João Guimarães Rosa, há 25 anos na cabeceira de Selma Egrei, foi o ponto de partida para a atriz montar SIRIMIM, livremente inspirado na obra do escritor mineiro sobre o riacho do título. O espetáculo reestréia dia 18 de maio no SESC Pinheiros, com direção, cenografia e figurino de Fábio Namatame.

Concepção, dramaturgia e interpretação de Selma Egrei, SIRIMIM nasceu da paixão da atriz por Guimarães Rosa e pela natureza. Nascida em São Paulo e mineira de coração, Selma sempre foi ligada nas coisas da roça e das pessoas simples com quem convive há mais de 30 anos (“pessoas que me ensinaram o amor e o respeito pela natureza e por tudo que nela habita”) no Interior de Minas, para onde, mesmo antes de lá instalar seu sítio, já ia com frequência.

SIRIMIM foi concebido aliando a vivência da atriz com o mundo rural à contribuição de Fábio Namatame com o universo da lenda, da magia, da fábula, presentes no teatro e na literatura orientais, amplamente pesquisados pelo diretor e cenógrafo. Assim, o texto aproveita a maneira simples e poética da narrativa de Guimarães Rosa para contar histórias pesquisadas ou vivenciadas pela atriz.

Para dar forma à montagem, o diretor utiliza várias linguagens. Do gestual concreto ao abstrato, passando pelo teatro de sombras. Ao som de temas de Villa-Lobos, durante uma hora, Selma leva para o centro do palco o homem simples do campo contando suas próprias histórias e mantendo boa parte da estrutura das crônicas do autor.

O espetáculo segue o curso do riacho Sirimim, durante as quatro estações do ano, atravessando a paisagem e a vida dos moradores locais, envolvendo o público nesse imaginário de pessoas, animais, vegetação. Elementos da natureza e o homem que habita as regiões interioranas transformam-se em personagens, vivendo suas sensações e emoções, sua cultura, religiosidade e sua relação com o meio ambiente.

Assinando sua segunda direção de teatro (em dança também soma experiências), Fábio Namatame imaginou uma encenação simples. No cenário, três painéis brancos, piso branco e um banco de madeira lisa. Suave, a luz ajuda a criar o clima sutil da montagem. “Como o cenário é todo branco, o Cizo de Souza fez um desenho de luz muito suave, com uma variação de cores claras, que combinam perfeitamente com a delicada e leve interpretação de Selma, e o clima é de relaxamento e contemplação”, explica Fábio, que tem uma lembrança muito forte do ator Cacá Carvalho interpretando Meu Tio Iauaretê, de Guimarães Rosa (“absolutamente encantador, nunca esqueci”).

Selma conta que “de início não tinha idéia de como transpor esta idéia para palco, transformar contos de Guimarães Rosa, ao lado de minhas vivências. Até que o texto foi tomando forma quando o mostrei ao Fábio Namatame. Sua delicadeza, sua relação com a beleza, aspecto tão bem desenvolvido por ele através do visagismo, do figurino e do cenário em sua longa carreira, deram vida ao espetáculo SIRIMIM”.

Fábio Namatame procura trabalhar o ator ou a atriz, buscando elementos pessoais para desenvolver a interpretação, compreendendo os recursos e materiais apresentados pelo artista - vocabulários corporais, vocais e expressivos. “E, assim, descobrir juntamente uma dramaturgia própria para cada tipo de idéia ou texto.” Para ele, o monólogo é um grande desafio para o diretor e para o intérprete. “Quanto mais ricos os recursos de interpretação, mais interessante fica a montagem.”

Selma Egrei já conhecia o potencial de diretor de Namatame. “Tinha visto o trabalho que ele fez para “Dom Quixote”, com Carlos Moreno, que me encantou. De fato ele conseguiu trazer a SIRIMIM a magia, a fábula , a preciosidade do teatro oriental com seu gestual, seu ritmo e sua intensidade.” Ela não poupa elogios a Namatame: “ O cuidado que ele tem com o ator é único. Detalhista com cada entonação, cada gesto, cada postura. Ele coloca sua marca de amor, de firmeza e de total dedicação. É um privilégio”.

Para roteiro:
SIRIMIM – Reestréia 18 de maio, sexta-feira, às 20 horas, no Auditório do Sesc Pinheiros.
Direção - Fabio Namatame. Concepção, Dramaturgia e Interpretação - Selma Egrei. Iluminação - Cizo de Souza. Sinopse – Monólogo com a atriz Selma Egrei que presta homenagem a Guimarães Rosa, à reinvenção da palavra e à redescoberta da vida. O espetáculo cria uma atmosfera de intimidade e cumplicidade, através do diálogo direto e de um prosear informal, como propõem a obra de Guimarães Rosa. O público é levado ao universo mágico do encontro do homem com a natureza. Temporada – Sexta às 20h, sábado às 19 horas. Ingressos – R$ 10,00; R$ 7,50 (usuário matriculado); R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes, a partir de 60 anos e estudantes com carteirinha). Capacidade - 101 lugares. Recomendável para maiores de 14 anos. Até 16 de junho.

SESC PINHEIROS – Rua Paes Leme, 195. Telefone (11) 3095-9400. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos. Bilheteria – Terça a sexta das 10h às 21h30, aos sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30. Aceitam-se cartões de crédito (todas as bandeiras) e cheques de todos os bancos. Informações: 0800 118220. Estacionamento – Com Manobrista – Vagas Limitadas - Veículos, motos e bicicletas - Terça a sexta, das 7h às 22h; Sábado, domingo, feriado, das 10h às 19h - Horários especiais para a programação do teatro. Taxas: Matriculados no SESC: R$ 5,00 as três primeiras horas e R$0,50 - a cada hora adicional // Não matriculados no SESC: R$7,00 as três primeiras horas e R$1,00 - a cada hora adicional // Para atividades no Teatro: Preço único: R$ 5,00.

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