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Peça do norueguês Henrik Ibsen, Imperador e Galileu reestréia no Teatro Imprensa, com direção de Sérgio Ferrara

Caco Ciocler é o protagonista da montagem dirigida por Sérgio Ferrara do texto de Ibsen, que trata sobre cristianismo e paganismo. Escrito em 1873, é considerado pelo próprio Ibsen a sua obra-prima

Cristianismo e paganismo, intolerância religiosa e preconceito, as relações sinuosas da Igreja com o Estado. Estas são algumas das polêmicas debatidas em Imperador e Galileu, peça do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), que reestréia dia 3 de outubro, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro Imprensa. Como protagonista, o ator Caco Ciocler vive o papel do imperador Juliano, com direção de Sérgio Ferrara. Escrito em 1873, o texto trata da vida do imperador Juliano (século IV d.C), que se tornou figura polêmica ao tentar destituir a igreja católica como religião oficial do império romano e resgatar os cultos pagãos. "Ibsen é considerado o pai da dramaturgia contemporânea, e eu tenho no meu trabalho de diretor uma fascinação pelo texto teatral e as possibilidades de jogo dos atores com a dramaturgia", conta Sérgio Ferrara, diretor da montagem que estreou no SESC Santana em julho. “O Imperador Juliano acreditava numa sociedade mais justa e equilibrada. Esse é o tema central da peça”, completa. Ferrara explica que não seguiu uma realidade histórica para a confecção do cenário e figurinos da peça. “Procurei manter com a equipe uma atemporalidade nos figurinos e na cenografia com o mínimo possível de elementos para destacar a interpretação e o texto.” Tons de cores relacionadas à terra foram explorados dado o paganismo do Juliano seguir um estilo helênico, voltado para a natureza. Painéis de divindades gregas que eram adorados pelo imperador, como Apolo, Afrodite, Athena, Dionísio, são usados na peça para definir a divisão do Cristianismo para o Paganismo.

Trajetória de Juliano ao trono
A peça, traduzida por Fernando Paz e adaptada por Sérgio Ferrara, cobre um período de 12 anos, de 351 a 363, época de conflito entre o Cristianismo e o Helenismo. Na abertura da peça, Juliano tem 19 anos e com o seu meio-irmão Galo, herdeiro do trono, vive sob o período de terror instaurado pelo imperador cristão Constâncio. Juliano fora educado como cristão, mas é perseguido pela dúvida. Sob a influência do seu tutor, o filósofo Libânio, vai para Atenas estudar filosofia e aprender sobre a religião dos pagãos. Porém, também não consegue alívio na adoração dos antigos deuses.

A segunda parte da peça, trata sobre a ascensão de Juliano ao trono, quando ele declara liberdade religiosa a todos os cidadãos. Quando assumiu o império romano, a primeira coisa que fez foi tentar extinguir a igreja católica como igreja oficial do Estado. Órfão de pai e mãe, Juliano viveu 32 anos (331-363) e governou por apenas 20 meses. Considerado um anticristo, terminou assassinado num deserto por um criado e amigo cristão. A peça, que se passa no século IV, discute, dentre outros tópicos, a intolerância religiosa; segundo Ferrara, “a fé misturada com assuntos políticos, nos leva a declarar guerras em nome de Deus, gerando um fanatismo religioso e um excesso de intolerância que está muito presente nos nossos dias atuais”.

Sobre Henrik Ibsen
Apelidado de pai do teatro moderno, criador do chamado "teatro de idéias", a obra do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) se caracteriza pelo estudo psicológico dos personagens, pela crítica à burguesia e ao capitalismo e pelo encontro do indivíduo com a sociedade. Foi um dos revolucionários do teatro moderno ao colocar em cena não um mundo idealizado, povoado de heróis e heroínas sobre-humanas, mas, sobretudo, as angústias e sentimentos comuns à maioria das pessoas da classe média de seu tempo. Sua obra é dividida em 4 períodos e 25 peças. Em 1863, fez sucesso com A Matéria de que se Fazem Reis, ambientada na Noruega medieval e apresentada na Itália, onde escreveu outras três peças, entre elas: Peer Gynt (1865), uma crítica ao homem moderno através da trajetória de um aventureiro que abandona seus princípios morais em nome da fama; Casa de Bonecas (1879), sobre uma mulher que abandona o marido e os filhos para ser independente. Também fazem parte de sua obra A Comédia do Amor (1862) e Os Pilares da Comunidade (1877).

Sobre Sérgio Ferrara
Depois que deixou o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) supervisionado pelo diretor Antunes Filho, Sérgio Ferrara dirigiu espetáculos como Antígona, de Sófocles, na jornada Sesc de teatro com o ator Paulo Autran, Tarsila, de Maria Adelaide Amaral, Barrela e Abajur Lilás, de Plínio Marcos, Mãe Coragem e seus filhos, de Brecht, com a atriz Maria Alice Vergueiro. Recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor diretor pelo espetáculo Pobre Super-Homem, de Brad Fraser. Com o ator Raul Cortez realizou a peça Fica Frio, do dramaturgo Mario Bortoloto, e recentemente no seu espetáculo O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, o ator Luis Damasceno recebeu o Prêmio Shell de melhor ator. Em 2005, em parceria com o escritor Ignácio de Loyola Brandão e a artista plástica Maria Bonomi realizou o espetáculo A Última Viagem de Borges, indicado ao Prêmio Shell de melhor cenografia. Seu trabalho mais recente foi O Inimigo do Povo (2007), de Henrik Ibsen, em comemoração ao centenário de morte do dramaturgo norueguês, e que contou com o apoio da Embaixada Real da Noruega no Brasil.

Para roteiro
Imperador e Galileu – Reestréia dia 3 de outubro. Temporada - até 30 de novembro. Sextas e sábados às 21hs e domingos às 19 horas. Ingressos - R$ 50,00 sextas e domingos. R$ 70,00 sábados. Censura - Recomendado para maiores de 16 anos. Duração – 120 minutos. Autor - Henrik Ibsen. Direção e adaptação – Sérgio Ferrara. Assistência de direção - Joaz Campos. Elenco - Caco Ciocler (Imperador Juliano), Sylvio Zilber (Máximo - O Mago), Abrahão Farc (Bispo Maris), Nelson Peres (Gregório de Nazianzo), Julio Machado (Decêncio), Joaz Campos (Persa), Ronaldo Oliva (Salúcio), Igor Kovalewski (Joviano), Liza Scavone (Faustina-Imperatriz ), Dan Rosseto (Criado). Tradução - Fernando Paz. Cenário - Carlos Pedreanez e Leonardo Ceolin. Figurino - Marcia Orsini. Iluminação - Caetano Vilela. Sonoplastia - Sérgio Ferrara. Fotos - Marcio Scavone. Preparação vocal - Edi Montechi. Operador de luz - Emerson Fernandez. Operador de som - Eduardo Guedes. Contra-regra -Emerson Nigro. Produção executiva - João Roncatto. Direção de produção - Elder Fraga e Roberto Malta. Realização - Fraga e Ferrara Produções Ltda. - Mais Cultura e Entretenimento.

Teatro Imprensa - Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista - São Paulo - São Paulo. Fone - 11 3241- 4203. Capacidade – 449 Funcionamento da bilheteria - De terça a domingo a partir das 14 horas. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Formas de pagamento - Aceita pagamento em dinheiro, cheques e cartões de débito. Estacionamento conveniado na rua Jaceguai, 454 – Preço único R$ 5,00. Ingressos por telefone – Ticketmaster – (11) 6846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.

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