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Com João Miguel em cena, Só traz ao Brasil 1a. montagem de premiada dramaturga italiana

Com direção de Alvise Camozzi, a peça - inédita no Brasil - aborda a trajetória de um homem que, depois de anos longe, retorna à sua cidade natal. Com uma estrutura dramatúrgica inovadora, o monólogo desvenda o passado de um homem que se revela aos poucos para o público, após encontrar seu primeiro amor em um bar qualquer

Primeira montagem, no Brasil, de um texto da jovem dramaturga italiana Letizia Russo (vencedora do Prêmio Ubu - um dos mais importantes da dramaturgia contemporânea), o monólogo Só estreia na Unidade Provisória SESC Avenida Paulista dia 20 de março, sexta-feira, às 20h30. Com direção de Alvise Camozzi, o espetáculo, interpretado por João Miguel, trata de retorno, transformação, amor e, principalmente, da precariedade das relações que determinam nossas vidas.

Só é a história de um homem que volta à sua cidade natal depois de mais de 20 anos de ausência. Entrando em um bar, ele reconhece a pessoa com quem dividiu, na adolescência, uma intensa relação, o seu primeiro amor. A partir desse encontro casual, o narrador surpreende o espectador com o seu passado, capturando-o com suas lembranças, nunca retóricas, nunca sentimentais, lembranças que o mudaram profundamente, da sua inesperada descoberta do amor, precipitadamente esquecido, bruscamente interrompido, violentamente silenciado.

A supremacia da palavra
Na apresentação do texto, Letizia Russo o define como "um pequeno 'nostos', uma volta ao lar depois de muitos anos. Há um homem que uma vez já foi menino e que depois de muitos anos reencontra num bar um outro homem que uma vez já foi menino e que de maneira fugaz amou com toda a vida dos quinze anos". A autora afirma, porém, que a peça não é um funeral do passado, mas uma celebração da juventude e "uma pedra lançada contra qualquer confinamento dos sentimentos".

Com sua geometria dramática inusitada, descomposta, Só é um texto que devolve à palavra a supremacia da representação. Uma palavra que se apresenta como "uma ondulada partitura musical em versos livres", de acordo com o crítico Franco Quadri na introdução da antologia dedicada a Letizia Russo, publicada pela UBU Libri em 2007. "A Letizia propõe um desafio aos criadores, pois é um texto com uma vida muito forte, que entra em contraste com a arquitetura poética singular que ela propõe. Esse discurso dos opostos que ela cria me fascinou muito", explica o diretor Alvise Camozzi.

A palavra - sua construção, seu uso - obriga o ator a uma performance rigorosa, à conquista técnica da modulação de diversos e contrastantes registros, do lírico ao minimalista, essencial, cômico, hiper-naturalista, dramático. "O personagem é extremamente vivo, dialogando com uma partitura difícil de ser executada", conta Alvise.

Jogo de contrastes
A direção, seguindo o caminho apontado pela própria arquitetura textual, foi concebida como um diálogo entre opostos: "A peça fala de solidão, mas ao mesmo tempo é um trabalho que leva ao diálogo pelos contrastes. A concepção do trabalho foi realizada a partir dessas oposições", explica o diretor. O contraste inicial, uma estrutura poética fixa em contraposição a um personagem extremamente vivo e dinâmico, é complementada por muitos outros, como transições vertiginosas entre passado e presente, entre o local atual e um da memória (suas diferenças e semelhanças com o lugar real), entre o tempo presente e tempo metafísico. "O personagem vê um lugar e reconhece nele coisas que não pertencem ao presente. Tudo faz parte desse jogo", complementa o diretor.

Todos os elementos cênicos são utilizados de modo a amplificar essa contraposição entre memória e presente, pensamento e ação. "O espetáculo é uma evocação, o homem vai percorrer os porquês, do tempo e espaço. Assim, o espaço e a luz ora são reais, presentes, ora são da memória", afirma Alvise. Dessa forma, tanto a iluminação como a cenografia da artista plástica Laura Vinci e o figurino trabalham o nível material, concreto, mas também o onírico, que pertence às suas lembranças.

O espaço cênico é minimalista: um chão de mármore de onde, em determinado momento, mina água, que escorre por parte do cenário. Além disso, a própria estrutura do SESC Avenida Paulista foi aproveitada como elemento para a cenografia: "Como o espaço do SESC não é um teatro e tem muita tubulação em cima, vamos fazer com que a água venha do teto. A idéia é que a estrutura do lugar passe a fazer parte da situação cênica", explica a artista Laura Vinci. O cenário conta também com escoras metálicas, de construção, utilizadas tanto para fornecer um apoio ao ator quanto para sustentar a iluminação.

A inspiração para a cenografia veio do fato de se tratar de um texto italiano, que se passa em uma cidade que experimentou um processo de industrialização: "O que me veio à mente é que na Itália sempre há um piso de mármore, mesmo que embaixo do chão da cidade industrial. É só escavar um pouco que você acha", brinca a cenógrafa. "Por ser uma cidade moderna, aproveitei o material de construção e a estrutura do teto. Como se tivesse um desejo de juntar esses dois tempos, um da realidade e outro da história, que também pode ser encarado como o da memória".

O diretor optou, também, pela ausência de trilha sonora: "A trilha seria algo de gravado, de artificial. Não seria algo que acontece naquele momento, durante a apresentação. Não iremos utilizá-la pela vontade de deixar tudo ser vivo, uma das diretrizes dessa montagem."

Retorno aos palcos
A peça representa a volta de João Miguel ao teatro. Depois do sucesso de Bispo, monólogo sobre o artista Bispo do Rosário que apresentou por quatro anos em diversas cidades do Brasil, o ator se dedicou quase exclusivamente ao cinema por cinco anos. Quando entrou em contato com Alvise e, por intermédio dele, com o texto de Letizia, sentiu-se imediatamente atraído a participar do projeto, por suas qualidades próprias e pelo diálogo que percebeu entre as duas peças.

"Este trabalho segue o caminho avesso ao do Bispo. No Bispo eu tive um processo longo, anos de preparação nos quais entrei em contato com muito material, muita pesquisa. Só é o inverso complementar. Enquanto no Bispo a dramaturgia veio depois, neste trabalho criamos a partitura a partir das palavras, algo novo para mim", conta João. "Considero este espetáculo muito minimalista, porque é um homem revelando algo muito íntimo. E no teatro existe algo único, o rito diário do exercício do teatro, da palavra, do corpo. E o dia-a-dia desse exercício cria o próprio corpo, faz o personagem se formar."

Para o ator, o título do espetáculo está intimamente ligado ao estado emocional do personagem e também do homem que ele encontra no bar. "Pensando nessa peça e no Bispo, acho que estou começando a fazer uma trilogia sobre a solidão", comenta João. "De alguma maneira, o meu interesse é falar desses escondidos do ser humano, desse estado de solidão que acaba se revelando em algumas situações. Acho que existe um lado de isolamento na contemporaneidade, da falta de comunicabilidade. E o texto fala, também, da necessidade de comunicação."

Sobre encontros: a equipe
O diretor Alvise Camozzi e a dramaturga Letizia Russo se conheceram pessoalmente em 2008, quando ela veio ao Brasil para participar de um ciclo de leituras. Nessa época, decidiram criar um projeto em parceria. "Ela me deu o texto de Só para ler e nos comprometemos, com a Rachel Brumana, produtora e tradutora, a fazer um trabalho conjunto. Esta peça é a primeira experiência, mas já planejamos outro trabalho, que irá começar no final de maio", conta Alvise.

A volta ao teatro do ator João Miguel, representada por esse espetáculo, se deu, de certa forma, através do cinema. Foi na gravação O Louco do Viaduto, de Eliane Caffè, que conheceu Alvise Camozzi, ator e corroteirista do telefilme que faz parte da série Direções, da TV Cultura. "Nós ficamos bem próximos e começamos a conversar sobre Pasolini, uma figura que me interessa muito. Foi quando ele me apresentou o texto da Letizia", conta João. Imediatamente atraído pela maneira como a autora escreveu a história, "como se fosse pensamento falado", aceitou assumir com Alvise o desafio da montagem.

"Acho que o projeto, por mais que não seja relacionado com Pasolini, faz sentido dentro de nossas conversas iniciais, por sua atualidade e pela falta emotiva de que trata", complementa o diretor. Alvise conta que escolheu mostrar o texto para João Miguel por ver no trabalho do ator uma particularidade: uma presença cênica marcante, uma vida singular em tudo o que faz. "O texto da Letizia se baseia na força da palavra. Achei incrível poder trabalhar com um ator de presença cênica e gama emotiva tão intensa dentro de um texto que é muito sensível. O encontro entre esses dois aspectos está sendo muito bonito", afirma.

Sobre a equipe
Alvise Camozzi
Iniciou-se na carreira de ator em Veneza, com a companhia de comédia Dell´arte a l´Avogaria. Formou-se pela Escola de Arte Dramática Paolo Grassi em Milão, onde trabalhou em diversas produções como ator e diretor até sua vinda ao Brasil, em 2001. Em São Paulo, alterna seu trabalho de ator com a direção de espetáculos e música. Encenou alguns textos contemporâneos inéditos como A noite de Molly Bloom, de J.S.Sinisterra (2003) e Bar, de Spiro Scimone (2005). Dirigiu a Ópera Popular de rua Honestamente (2005), baseado em contos de Monteiro Lobato, e a ópera pastiche Rossini Hits (2007), entre outras peças e leituras. Como ator, foi dirigido por Gabriel Villela, Elcio Nogueira Seixas, Mauricio Paroni de Castro e Marcus Alvisi e Diogo Vilela. Em 2009 estreia pela TV Cultura o telefime O Louco do viaduto, de Eliane Caffè, do qual é protagonista ao lado de João Miguel e corroteirista.

João Miguel
Nascido em Salvador em 1970, João Miguel tornou-se conhecido do publico com o monólogo Bispo, sobre o artista Bispo do Rosário, que encenou por quatro anos em várias cidades brasileiras e pelo qual recebeu indicação ao Prêmio Shell de melhor ator. Tornou-se, nos últimos cinco anos, um dos atores mais expressivos do cinema nacional. Atuou em filmes como Estômago (2008), Mutum e Deserto feliz (2007), O céu de Suely e Eu me lembro (2006), Cinema, aspirinas e urubus e Cidade baixa (2005). Recebeu duas indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Ator e 2 Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Ator Coadjuvante. Ganhou o premio melhor ator da mostra internacional de cinema de São Paulo de 2005, ganhou 2 vezes o Troféu Redentor de Melhor Ator no Festival do Rio, além do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cuiabá e o de Melhor Ator no Festival de Guadalajara.

Letizia Russo
Nasceu em Roma em 1980. Vence o Premio Grinzane-Cavour 1998. Niente e nessuno (una cosa finita) é encenado em 2000 em Roma. Em 2001 escreve Tomba di cani (Tumba de Cães), vencedor do Prêmio Tondelli 2001. Em 2003 vence o Prêmio Ubu. Escreve, entre outros, para o National Theatre di Londra, para o festival Petrolio e para o Festival Garofano Verde. Como autora residente da companhia Artistas Unidos de Lisboa, escreve Os Animais Domésticos. Em 2006 escreve The Black Cat - Il gatto nero, Festival Kals'Art di Palermo 2006. Em 2007 reescreve Il Feudatario, de Carlo Goldoni, Biennale di Venezia. Em 2007 escreve Dare al buio (la fine l'inizio) para o Teatro di Milano. Em 2008, para Antonio Latella, com a Schauspielhaus de Colônia, Alemanha, reescreveu La trilogia della villeggiatura. Seus textos já foram traduzidos para o inglês, francês, alemão, turco, espanhol e português.

Para roteiro
SÓ - Estréia dia 20 de março, sexta-feira, às 20h30, no Espaço Quinto Andar. Direção - Alvise Camozzi. Texto - Letizia Russo. Tradução - Rachel Brumana. Elenco - João Miguel. Cenografia - Laura Vinci. Desenho de Luz - Alessandra Domingues. Figurino - Marina Reis. Direção de Produção - Rachel Brumana. Produção Executiva - Olívia Barcellos. Apoio Institucional - ICIB (Instituto Cultural Itali-Brasileiro) e Oficina Cultural Oswald de Andrade (ASSAOC). Apoio - TV Cultura e Radio Eldorado FM. Temporada - De 20/3 a 17/5. Sexta a domingo às 20h30. Ingressos - R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 5,00 (trabalhador no comércio de bens e serviços matriculado no SESC e dependentes). Capacidade - 65 lugares. Duração - 90 minutos. Não recomendado para menores de 16 anos. Sinopse - Um homem volta à sua cidade natal após anos de ausência. Ao percorrer lugares e paisagens de sua memória, revista lembranças que o marcaram profundamente.

UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA - Avenida Paulista, 119 - Estação Brigadeiro - Fone: (11) 3179-3700. www.sescsp.org.br. Estacionamento conveniado - R. Leôncio de Carvalho, 98. - R$ 5,00 pelo período de 4 horas.

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