Vitrine Cultural estreia 2º módulo,
com 4 peças no Teatro Imprensa
Projeto de formação de público entra em sua segunda fase e apresenta quatro espetáculos - Quase Nada e os inéditos, Anatomia Frozen, Music Hall (os três na Sala Vitrine, respectivamente, dias 10, 11 e 13 de junho ) e Amanhã é Natal, no Teatro Imprensa (dia 10 de junho). No primeiro mês de temporada de todas as peças o ingresso é uma lata de leite em pó. Toda a arrecadação será enviada para as vítimas das enchentes no Nordeste . Nos segundo e terceiro meses o ingresso custa R$ 10,00
Depois de três meses de temporada das peças Comunicação a uma Academia, Eldorado, Cachorro Morto e Bartleby, o ambicioso projeto de formação de público - que envolve, uma parcela significativa da produção mais experimental do teatro brasileiro - entra em sua segunda fase. Iniciado em março de 2009, o Projeto Vitrine Cultural/2009 do Centro Cultural Grupo Silvio Santos estreia agora mais quatro espetáculos para público adulto que ocuparão a Sala Vitrine e a Sala Imprensa: Quase Nada (pré-estreia dia 9 de junho, com temporada às terças e quartas, às 21h), Anatomia Frozen (dia 11 de junho, às quintas e sextas, às 21h), Music-Hall (dia 13, aos sábados, às 21h e domingos, às 19h30) e Amanhã é Natal (dia 10 de junho, às quartas e quintas, às 21h).
Sobre o Projeto
Os curadores do projeto, os jornalistas Valmir Santos e Kil Abreu, selecionaram 12 espetáculos entre as mais de 400 propostas recebidas pelo Centro Cultural Grupo Silvio Santos. Ao longo de 2009, serão subsidiadas 9 produções teatrais para o Espaço Vitrine e 3 para a Sala Imprensa. Idealizado pelo Centro Cultural Grupo Silvio Santos, entidade social sem fins lucrativos, o projeto tem como propostas incentivar grupos com pesquisas teatrais inovadoras, formar plateias por meio de ingressos oferecidos a preços populares (R$ 10,00 e R$ 5,00) e realizar ação social baseada na troca de ingressos por doações - sempre no primeiro mês das temporadas. Trata-se de um projeto de incentivo cultural que une ação social e oferece aos grupos e às produções estrutura de espaço e subsídio financeiro.
Os espetáculos selecionados recebem apoio para apresentar suas produções, que cumprem temporada de três meses, cada um. Iniciado em 4 de março, o Vitrine Cultural funciona com peças no Espaço Vitrine (48 lugares), às terças e quartas, outras às quintas e sextas e ainda mais uma aos sábados e domingos; e também uma produção na Sala Imprensa (452 lugares), às quartas e quintas-feiras. O Projeto Vitrine Cultural contempla quatro espetáculos em cartaz simultaneamente.
Programação do segundo trimestre - junho, julho e agosto de 2009 - releases em anexo
QUASE NADA
restreia dia 10 de junho na Sala Vitrine. Temporada - terças e quartas, 21h, até 26 de agosto
Autor - Marcos Barbosa. Direção - Direção de Alain Brum. Elenco - Com a Cia dos 7 - Rubia Reame, Luiz Luccas, Gisele Freire e Henrique Zanoni
De 10/6 a 1/7 - campanha (leite em pó a ser doado às vítimas dos alagamentos da região Nordeste).
De 7/7/2009 a 26/8 - bilheteria (inteira R$ 10,00 e meia R$ 5,00)
Terças e quartas, às 21h.
Sinopse - Numa cidade grande, um casal da alta sociedade, em pleno trânsito, é abordado por um menino no semáforo. Envolvidos em acontecimento trágico, o casal, a mãe do menino e um matador profissional se relacionam movidos movidos pelo imediatismo de seus desejos. Individualismo, falta de afeto familiar e má distribuição de renda são alguns dos temas abordados pela peça.
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ANATOMIA FROZEN
Estreia dia 11 de junho na Sala Vitrine. Temporada - quintas e sextas, às 21h, até até 28 de agosto
Autor - Bryony Lavery. Direção - Marcio Aurelio. Elenco - Elenco - Joca Andreazza e Paulo Marcello. Tradução de Rachel Ripani.
De 11/06 a 03/07 - campanha (leite em pó a ser doado às vítimas dos alagamentos da região Nordeste).
De 09/07/2009 a 28/08 - bilheteria (inteira R$ 10,00 e meia R$ 5,00)
Quintas e sextas, às 21h.
Sinopse - Numa noite, uma garotinha de dez anos chamada Rhona desaparece. Sua mãe, Nancy, se recolhe a um estado de "esperança congelada". Corajosa, humana e cheia de compaixão, Anatomia Frozen é uma peça extraordinária que enlaça as vidas de um assassino, à de uma mãe de uma de suas vítimas e à uma psiquiatra para explorar capacidade humana de perdoar, sentir remorso e de se transformar, depois de um ato que, aparentemente, impossibilitaria quaisquer desses sentimentos.
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MUSIC-HALL
Estreia dia 13 de junho na Sala Vitrine. Temporada - sábados às 21h e domingo às 19h, até 30 de agosto
Autor - Jean-Luc Lagarce. Tradução e direção - Luiz Päetow. Elenco - Cia da Mentira - Donizeti Mazonas, Gabriela Flores, Gilda Nomacce, Priscila Gontijo e Sílvio Restiffe.
De 13/06 a 05/07 - campanha (leite em pó a ser doado às vítimas dos alagamentos da região Nordeste)
De 11/07/2009 a 30/08 - bilheteria (inteira R$ 10,00 e meia R$ 5,00)
Sinopse - Ancorada no seu banquinho e nas suas recordações, uma artista de music-hall repassa sem descanso a vida que levou, de noite em noite, com um público cada vez mais grosseiro e desinteressado. Procurando sobreviver nos arrabaldes cinzentos, essa menina e seus dois auxiliares agarram-se como podem a um mundo que os rejeita, na vaga esperança de reencontrarem um lugar, uma réstia de glória, um refletor de luz que os tire do anonimato.
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AMANHÃ É NATAL
Estreia dia 10 de junho no Teatro Imprensa, Sala Imprensa. Temporada - Quartas e quintas, às 21 horas, até 27 de agosto
Autor - Mario Viana. Direção - Jairo Mattos. Elenco - Álvaro Gomes, Cinthia Zaccariotto e Nádia de Lion. Trilha Sonora - Marcello Amalfi. Cenário e figurinos - Leopoldo Pacheco
De 10/06 a 2 de julho - campanha (leite em pó a ser doado às vítimas dos alagamentos da região Nordeste).
De 08/07 a 27/08 - bilheteria (inteira R$ 10,00 e meia R$ 5,00).
Sinopse - Os viúvos Edgar e Cecília estão ansiosos com os preparativos de uma ceia de Natal. Para ela, o evento representa uma forma de rever os filhos. Para ele, a oportunidade de oficializar a união com Cecília. Na tarde que antecede a festa, tudo dá errado: a faxina está atrasada, uma chuva torrencial inundou o caminho e a padaria não assou o pernil que Edgar encomendou. Para complicar, ele recebe a visita de Joelma, filha com quem o viúvo não falava há quase 20 anos, que vem falar de um irmão, Andinho, cuja existência Cecília ignorava até então.
Sobre o Projeto Vitrine Cultural 2009
De acordo com Valmir Santos, foram recebidos 401 projetos, 286 para o Espaço Vitrine e 115 para a Sala Imprensa. Os dois especialistas convidados fizeram escolhas separadas e depois se reuniram para fechar a lista de selecionados. "Na primeira leitura, pelo menos 90 projetos poderiam ser selecionados. Dos 90 fui verticalizando até chegar a 20", afirma Valmir. Nessa altura, os dois curadores se encontraram e, dos 9 espetáculos para o Espaço Vitrine, foram cinco selecionados em comum.
Kil Abreu concorda que chegaram muitos projetos de qualidade: "O maior trabalho não foi ler as propostas de espetáculos, pois uma parte considerável interessava muito. Obedecemos aos critérios de excelência artística, originalidade, currículos e compatibilidade técnica para as salas. Foi um trabalho muito interessante, recompensador. As escolhas foram feitas diante de um universo generoso". Valmir lembra que "à vocação de teatro de grupo e de pesquisa se junta o fato de que essa programação do Imprensa para 2009 vai dialogar com os espaços vizinhos, dos grupos Os Fofos Encenam e do Teatro Oficina". Valmir termina elogiando a iniciativa do Centro Cultural Grupo Silvio Santos, "que dá um passo sofisticado em direção à cidade e à classe teatral".
Feliz com o resultado, Cintia Abravanel - diretora-presidente do Centro Cultural Grupo Silvio Santos há 6 anos e há 16 à frente do Teatro Imprensa - lembra as propostas principais do Projeto Vitrine: incentivar o trabalho de grupos, a formação de plateia e a vertente social. "Ao mesmo tempo em que os grupos receberão apoio financeiro (o CCGSS pagará para cada peça selecionada os valores de R$ 36 mil, para a temporada na Sala Vitrine, correspondente a 24 sessões; e R$ 20 mil para as 8 sessões no Teatro Imprensa) também darão oportunidade do público participar de campanhas sociais. Nessa etapa doaremos, com auxílio da Cruz Vermelha, as latas de leite arrecadadas para os desabrigados vítimas dos graves alagamentos da região Nordeste. Estamos usando com bom senso a lei de incentivo para fazer um teatro de qualidade a preços populares." O gestor cultural do CCGSS, professor Wilton Ormundo conclui dizendo que "Valmir Santos e Kil Abreu fizeram um trabalho sério e muito rigoroso, levando em conta realmente a qualidade e importância dos espetáculos selecionados para a mostra. Os curadores se preocuparam em escolher peças que problematizam a realidade e inquietam o público".
As inscrições para o projeto começaram em 21 de novembro e seguiram até 21 de dezembro de 2008. Cada proponente pôde inscrever até dois espetáculos, inéditos ou não, compatíveis com os critérios de seleção do projeto: excelência artística, originalidade, currículo dos integrantes e compatibilidade técnica com o teatro e os recursos disponíveis.
PROJETOS SELECIONADOS - para o Vitrine Cultural 2009
Espaço Vitrine
3º trimestre de 2009
1. Festa de separação - Janaina Leite
2. Ensaio sobre Carolina - Gal Quaresma
3. Henfil já! - Nena Inoue
Sala Imprensa
3º trimestre
1. O livro dos monstros guardados - Zé Henrique de Paula
Texto de Mário Viana, Amanhã é Natal estreia
no Teatro Imprensa com direção de Jairo Mattos
O amor e as relações humanas na terceira idade são temas do
texto de Mário Viana. Jairo Mattos assina a direção. Leopoldo Pacheco
é o responsável pelo cenário e figurinos
A terceira idade, tratada de maneira leve, otimista e contemporânea, é o ponto de partida do texto de Mário Viana para o espetáculo Amanhã é Natal, que estreia dia 10 de junho, quarta às 21 horas, no Teatro Imprensa. Em cena Álvaro Gomes, Cinthia Zaccariotto e Nádia De Lion, sob direção de Jairo Mattos. No primeiro mês da temporada, o ingresso é uma lata de leite em pó, dentro do Projeto Vitrine Cultural 2009, do Centro Cultural Grupo Silvio Santos. (A peça tem pré-estreia para convidados no dia 9 de junho, terça, às 21 horas).
Edgar e Cecília estão ansiosos nos preparativos da ceia de Natal. Para ela, é uma forma de rever os filhos. Para ele, é a oportunidade de oficializar a união com Cecília - ambos são viúvos. Na tarde que antecede a festa, tudo está dando errado: a faxina está atrasada, uma chuva torrencial inundou o caminho e a padaria não assou o pernil que Edgar encomendou. Para complicar, Edgar recebe a visita de Joelma, a filha com quem ele não falava havia quase 20 anos. E ela vem falar de um irmão, Andinho, cuja existência Cecília ignorava.
Os protagonistas da trama são personagens maduros, que vivem uma história de amor, experimentam as dúvidas de uma relação a dois, encaram seus fantasmas e aprendem com a vida. "A principal ambição do texto é afastar-se do sentimentalismo, da idéia de que os pobres velhinhos merecem nossa consideração pelo fato de terem cabelos brancos", conta o autor. Edgar e Cecília são dois personagens ativos, que tomam sua história nas mãos e a modificam, conforme suas necessidades e carências.
O diretor Jairo Mattos centraliza a ação no trabalho dos atores. "Cenário, figurinos, luz, tudo estará a favor dos atores, colaborando com eles no processo de construção das personagens e da concepção das cenas", explica. "O publico vai acompanhar a evolução das personagens através de objetos, adereços e luz", conclui.
Sobre Mário Viana
Paulistano, 47 anos, formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Trabalhou no jornal Folha de S. Paulo, na revista Veja São Paulo, foi editor de turismo do jornal O Estado de S. Paulo e colaborou com várias outras publicações. Dramaturgo, formou o Núcleo dos 10, sob orientação do também dramaturgo Luís Alberto de Abreu. Recebeu menção honrosa no concurso nacional de textos teatrais inéditos de 2000, promovido pelo Ministério da Cultura, com a peça Flechadas do teu Olhar. Os textos Vamos? e Vestir o Pai receberam prêmios em duas edições do concurso de dramaturgia promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, em 2000 e 2001.
Teve montados quatro espetáculos com o Grupo Parlapatões: Mistérios Gulosos, Pantagruel, Um Chopes, Dois Pastel & Uma Porção de Bobagens e O Pior de São Paulo. Também foram montadas as peças Ifigônia, com as atrizes Rosi Campos e Zezeh Barbosa, e Verdades, Canalhas, dirigida por Hugo Possolo. O monólogo Natureza Morta, inspirado numa tela do norueguês Edvard Munch, é montado no Recife, em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em abril de 2003, estreiam em São Paulo as peças Vestir o Pai, dirigida por Paulo Autran, e Carro de Paulista, dirigida por Jairo Mattos - em cartaz há quatro anos. Classificado em segundo lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia da Funarte (Sudeste), com Galeria Metrópole (Prêmio Cidadania em Teatro, da Associação da Parada GLBT, junho de 2005). Ganhou o prêmio de melhor texto por voto popular no Ciclo de Leituras Apart-Satyros, com Hoje tem Mazzaropi. Em junho de 2004, o Festival de Intercity São Paulo, em Florença, realizou leitura dramática da peça Vestir o Pai (Onora il Padre) em Florença e Roma.
Em televisão, foi colaborador de Aimar Labaki nas novelas Seus Olhos (SBT, 2004) e Paixões Proibidas (Band-RTP, 2007). De 2005 a 2007, participou do núcleo de autores do Nunca se Sábado, no Teatro Folha. Integra também o quadro de autores do seriado de TV Avassaladoras, para a Total Filmes. Em 2006, estreou no Teatro Stella, Montevidéu, a peça Vistiendo a Papá, com direção de Jorge Denevi. Em São Paulo, estreou Assim com Rose, dirigida por Jairo Matos, e o infantil Bruxo Pontocom, dirigido por Hugo Possolo. Em 2007, estreou Segunda-feira: o Amor do Sim, com direção de Alexandre Reinecke, no Espaço dos Satyros. Galeria Metrópole ganhou leitura dramática no projeto Viva a Língua de Camões, no Porto, Portugal. Integrou a equipe de colaboradores da novela Dance Dance Dance (Band) e atualmente é um dos colaboradores de Lauro César Muniz, na novela Poder Paralelo (Record).
Sobre Jairo Mattos
Ator, diretor e produtor, nascido em Porto Alegre (RS), Jairo é co-fundador do Grupo Parlapatões Patifes e Paspalhões e do Teatro de Câmara de São Paulo. Largou a escola de teatro para "fugir" com o circo Tenda Tela Teatro, da cidade de Campinas (SP). O circo apresentava espetáculos baseados em textos de Maiakovski (1893-1930) e Meyerhold (1874-1940) [autores russos que se aproximaram da estética circense em seus trabalhos]. Interessado na proposta do Tenda Tela Teatro, Jairo resolve, em meados dos anos 80, montar o próprio circo, chamado Metrópole Arte Circo. Assim, Jairo Mattos iniciou sua carreira no circo, vivendo o palhaço Chimarrão.
Como ator, atuou em diversas peças, como Concílio do Amor, dirigido por Gabriel Villela. Em 94 foi indicado para o prêmio Molière como melhor ator com a montagem Budro, de Bosco Brasil. Em 95, encenou Atos e Omissões, de Bosco Brasil e Sonho de um Homem Ridículo, de Dostoyevsk no Teatro de Câmara de São Paulo. Trabalhou também sob a direção de nomes como Jorge Takla, Emilio Di Biasi, Hugo Possolo, Carla Camuratti e Mário Bortolotto em peças como, O Cara que Dançou Comigo, Novas Diretrizes em Tempo de Paz, Barrela, Os Coveiros, Esperando Godot, Participou também de peças com autoria e direção de Mário Bortoloto, entre elas, Medusa de Rayba, A Queima Roupa, Fuck You, Baby, Uma Fábula Podre e Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet.
Dirigiu as peças Tem Café no Bule, As Mais Fortes e Lágrimas de Vidro. Além dessas montagens, dirigiu textos de Mario Viana (Carro de Paulista e Assim como Rose), Mario Bortolotto (Leila Baby e Getsemani), Hugo Possolo (Sobre a Arte de Cortar Bifes), Alexandra Golik (O Sequestro) e Viviane Dias (Em Alguma Margem no Rio Bargaia). Recentemente dirigiu as peças Amor por Nelson e Cata-dores, ambas estreadas em 2007. Ainda em 2007 atua na peça Don Juan de Molière.
No cinema fez mais de dez curtas e longa metragens, entre eles Loucos por Cinema (André Luís de Oliveira), que conquistou os prêmios de melhor filme, ator, trilha sonora e coadjuvantes no Festival de Brasília. Destacam-se ainda filmes como Tainá (Tânia Lamarca), Bicho de Sete Cabeças (Laís Bodanski) e O Viajante (Paulo César Saraceni), ganhador do Prêmio da Crítica de Melhor Filme do Festival de Moscou.
Jairo Mattos teve sua estréia na TV em 1990, na telenovela Barriga de Aluguel. Ainda na Rede Globo, integrou o elenco das novelas Celebridade e Dono do Mundo (Gilberto Braga), Rei do Gado, (Benedito Rui Barbosa), Deus Nos Acuda (Sílvio de Abreu) e Bang Bang (Mario Prata). Trabalhou como ator convidado da série Sob Nova Direção. Fez participação na novela Bicho do Mato, da Record (2006).
Em 2008, estreou o espetáculo Ilustríssimo Filho da Mãe, texto de Leilah Assumpção. Ainda em 2008, Jairo Mattos faz uma participação especial na novela Beleza Pura, da Rede Globo.
(Adriana Balsanelli/abril 2009)
AMANHÃ É NATAL - Estreia dia 10 de junho, quarta, às 21 horas, no Teatro Imprensa. Temporada - quartas e quintas às 21 horas. Texto - Mário Viana. Direção - Jairo Mattos. Assistente de Direção - Carlos Baldin. Elenco - Álvaro Gomes, Cinthia Zaccariotto e Nádia De Lion. Iluminação - Aluisio Burtin. Trilha Sonora - Marcello Amalfi. Cenário e figurinos - Leopoldo Pacheco. Fotos - João Caldas. Produção Executiva - Cinthia Zaccariotto e Nádia De Lion. Realização - Núcleo Teatral III Sinal da Cooperativa Paulista de Teatro. Duração - 60 minutos.
Ingressos - de 10 de junho a 2 de julho o ingresso é uma lata de leite em pó. De 8 de julho a 27 de agosto - R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia-entrada). Censura - Recomendado para maiores de 14 anos. Até 27 de agosto.
Teatro Imprensa - Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista - São Paulo - São Paulo. Fone - 11 3241- 4203. Capacidade - 452 luagres. Funcionamento da bilheteria - De terça a domingo a partir das 14 horas. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Formas de pagamento - Aceita pagamento em dinheiro e cheques. Estacionamento conveniado na rua Jaceguai, 454 - Preço único R$ 8,00. Ingressos por telefone - Ticketmaster - (11) 2846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.
Espetáculo Quase Nada reestreia no
segundo módulo do Projeto Vitrine Cultural
Texto do dramaturgo brasileiro Marcos Barbosa fala sobre a
incomunicabilidade do mundo moderno e a superficialidade das relações. Com direção de Alain Brum, montagem é encenada pela Cia dos 7. No primeiro mês de temporada o ingresso é 1 lata de leite em pó
Questões da vida contemporânea como a superficialidade das relações, a incomunicabilidade, a falta de afeto, a individualidade e a solidão são assuntos tratados na peça Quase Nada, texto do dramaturgo Marcos Barbosa, que reestreia dia 10 de junho, quarta, às 21 horas, na Sala Vitrine do Teatro Imprensa. (A peça tem pré-estreia para convidados dia 9 de junho, terça, às 21h).
Com direção de Alain Brum, a montagem é encenada pela Cia dos 7, que reúne os atores Rubia Reame, Luiz Luccas, Gisele Freire e Henrique Zanoni. O espetáculo marca a abertura do segundo módulo do Projeto Vitrine Cultural 2009, do Centro Cultural Grupo Silvio Santos. No primeiro mês da temporada, o ingresso é uma lata de leite em pó.
Numa cidade grande, um casal da alta sociedade, em pleno trânsito, é abordado por um menino no semáforo. Envolvidos em acontecimento trágico, o casal, a mãe do menino e um matador profissional se relacionam movidos pela solução imediata de seus desejos. Individualidade, imediatismo, falta de afeto no âmbito familiar e distribuição de renda são alguns dos temas abordados.
"Escrevi o texto em 2002, a partir de um esboço intitulado Quase Três. A peça trata dos desdobramentos de um exemplo corriqueiro de violência urbana", afirma o autor Marcos Barbosa. "Pretendemos com a montagem suscitar a discussão, desde questões políticas, ideológicas e sociais até o papel que o Teatro ocupa no Mundo de hoje, estimulando um olhar crítico sobre nossa sociedade e o universo em que vivemos", afirma o diretor Alain Brum.
A montagem utiliza como proposta uma encenação fisicalizada, construindo um espaço de comunhão entre quem faz e quem vê. "É um texto musical, em que silêncios e pausas fazem parte da estrutura da peça. Minha intenção é explorar esta musicalidade, sugerida pelo autor, e traçar um paralelo do texto com o mundo contemporâneo", finaliza o diretor. O espetáculo estreou em 2007 no Teatro Augusta.
Sobre a Cia dos 7
Surgiu com o objetivo de pesquisar o universo e a linguagem do Teatro Contemporâneo no Brasil, reunindo atores que participaram de diferentes experiências, desde trabalhos com autores contemporâneos como Sarah Kane, Jon Fosse, Bernard-Marie Koltès e Heiner Muller, até envolvimento com Núcleos de Pesquisa (Laboratório Dramático do Ator, coordenado por Antonio Januzelli/USP, Núcleo de Pesquisa em Teatro Contemporâneo pelo Ágora Teatro, coordenado por Celso Frateschi e Roberto Lage, e Núcleo Experimental do Teatro Popular do Sesi, coordenado por Isabel Setti) sobre esta nova vertente teatral. Após uma pesquisa focada na Dramaturgia Contemporânea, decidiu-se trabalhar com a peça brasileira Quase Nada, de Marcos Barbosa.
Sobre Marcos Barbosa
Formou-se dramaturgo pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará. Professor do curso de artes e ciências da Faculdade Social da Bahia e aluno de doutorado do Programa de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. É autor de mais de dez textos, tais como: Braseiro Minha Irmã, Auto de Angicos e Quase Nada. Entre as suas obras ainda inéditas estão o resultado prático de sua tese de mestrado, o drama histórico Curral Grande e a comédia Avental Todo Sujo de Ovo. Inclui-se a encenação de Quase Nada no Intercity Festival (Teatro Della Limonaia, Florença, 2004), uma participação na Residência Internacional de Dramaturgia do Royal Court Theatre (Londres, 2003) e a encenação de duas peças Quase Nada e À Mesa, também no Royal Court Theatre, em 2004. Tradutor para o português de obras de José Triana, Marius von Meyenburg, Dea Loher e Georges Feydeau, e desenvolve atualmente uma pesquisa voltada para a tradução do verso dramático shakespeariano.
Sobre Alain Brum
Ator, produtor, diretor e professor de teatro. Formado pelo INDAC - Instituto de Arte e Ciência, participou de montagens como: O Nome, de Jon Fosse, com direção de Denise Weinberg e Purificados, de Sarah Kane, com direção de Paula Coelho. Como produtor promoveu debates envolvendo intelectuais como Bárbara Heliodora, Nelson de Sá, Maria Silvia Betti e Renato Borghi.
Para roteiro:
QUASE NADA - Reestreia dia 10 de junho, quarta, às 21 horas, no Sala Vitrine do Teatro Imprensa. Texto - Marcos Barbosa. Direção - Alain Brum. Elenco - Com a Cia dos 7 - Rubia Reame, Luiz Luccas, Gisele Freire e Henrique Zanoni. Duração - 50 minutos. Recomendação - 14 anos.
Ingressos - De 10 de junho a 1º de julho - 1 lata de leite em pó, que deve ser trocada por 1 ingresso na bilheteria do Teatro. De 7 de julho a 26 de agosto - R$10,00 e R$ 5,00 (meia entrada). Temporada - terças e quartas às 21 horas. Até 26 de agosto.
Teatro Imprensa - Sala Vitrine - Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista - São Paulo - São Paulo. Fone - 11 3241- 4203. Capacidade - 48 lugares. Funcionamento da bilheteria - De terça a domingo a partir das 14 horas. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Formas de pagamento - Aceita pagamento em dinheiro e cheques. Estacionamento conveniado na rua Jaceguai, 454 - Preço único R$ 8,00. Ingressos por telefone - Ticketmaster - (11) 2846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.
Anatomia Frozen estreia no Projeto Vitrine
Cultural 2009 com direção de Marcio Aurelio
Rachel Ripani assina a tradução do texto inédito no Brasil
que trata da violência contra crianças. No elenco, Joca Andreazza
e Paulo Marcello, ambos da peça Agreste
O texto Frozen, da autora inglesa Bryony Lavery, ganha montagem inédita no Brasil com a Cia Razões Inversas, sob a direção de Marcio Aurelio. A peça Anatomia Frozen estreia dia 11 de junho, quinta, às 21 horas, na Sala Vitrine do Teatro Imprensa e integra o Projeto Vitrine Cultural 2009, do Centro Cultural Grupo Silvio Santos. No primeiro mês da temporada o ingresso é uma lata de leite em pó.
A montagem faz parte do projeto Anatomia Comparada da Cia Razões Inversas (a mesma de Agreste, Senhorita Else, A Bilha Quebrada) em uma parceria com a atriz e produtora Rachel Ripani, responsável pela tradução inédita no Brasil. Em cena, Joca Andreazza e Paulo Marcello (ambos de Agreste). O projeto, cujo tema é a esquizofrenia social, prevê ainda a montagem de outra peça a partir dos fragmentos Woyzeck, de Büchner, primeira tragédia proletária envolvendo assassinato.
Anatomia Frozen trata da violência contra crianças. Lida com a vida e com a morte e com os efeitos que o abuso causa nas pessoas. Todos são afetados pelo abuso. O abusador, a vítima e as suas respectivas famílias. "O estupro e o assassinato brutal que acontece com uma das personagens da peça, infelizmente tem eco no Brasil de hoje, como o caso Isabela Nardoni e a menina que foi encontrada morta numa mala em Curitiba, além ser um assunto mundial, como o horroroso caso da Elisabeth Fritzl", afirma Rachel. "Acho que a arte também deve falar daquilo que incomoda, e apontar o espelho para nossa realidade, às vezes terrível."
Corajosa, humana e cheia de compaixão, Anatomia Frozen é uma peça que enlaça as vidas de um assassino, a mãe de uma de suas vítimas e uma psiquiatra para explorar nossa capacidade de perdoar, sentir remorso e mudar, depois de um ato que aparentemente impossibilitaria qualquer desses sentimentos. "Frozen é um texto que permite a leitura radical de uma sociedade que produz deformações e associabilidades", aponta Marcio Aurelio. O diretor propõe um jogo ao espectador. Diferente de entrar no teatro e encontrar a peça acabada. "Esse jogo vai ser construído com ele, espectador, e vai depender da sua disponibilidade para tanto", explica.
Rachel Ripani fez um curso de dramaturgia com Bryony Lavery, autora do texto, quando ela esteve no Brasil. "Achei fascinante seu trabalho, ela tem uma história de vida incrível, muitos textos montados na Inglaterra, e é inédita no Brasil. Ela, como autora, gosta de misturar emoções contraditórias e difíceis de se encontrar e explorar na dramaturgia moderna - o terror, o grotesco, misturado com o patético e o humor. Dos vários textos dela, o que mais me chamou a atenção foi Frozen, uma idéia corajosa e muito tocante, " conta.
Sobre a autora Bryony Lavery
Antes de escrever Frozen, Bryony Lavery procurou artigos de jornais e livros como O assassinato da infância, de Ray Wyre. Mas ela foi mais tocada por uma matéria sobre Lucy Partington, estudante inglesa desaparecida em 1973 cujo corpo foi encontrado em 1994 entre as vítimas dos serial killers Fred e Rose West. Bryony ficou sensibilizada com o modo como a família de Lucy lidou com o assassinato dela, e o conforto que eles obtiveram pelo simples fato de que, ao contrário das outras vítimas do casal West, Lucy tinha tido "uma infância feliz".
Nascida em 1947, Bryony Lavery iniciou sua carreira nos anos 70 e escreveu mais de vinte peças (entre elas A Wedding Story, More Light, Goliath and The Magic Toyshop), produziu filmes para a televisão, peças para rádio e escreveu livros. Foi diretora artística do Gay Sweatshop e Female Trouble, e professora de dramaturgia na universidade de Birmingham. A sua obra mais aclamada, Frozen, é classificada pela crítica como um "conto negro sobre um assassino e a mãe da sua vítima".
O espetáculo Frozen estreou em Londres no Royal National Theatre, em Julho de 2002, e recebeu o Prêmio de Melhor Novo Texto pela Theatrical Management Association.
Sobre a Companhia Razões Inversas
Criada em 1990 pelo premiado diretor Marcio Aurelio e pela primeira turma de formandos do curso de Artes Cênicas da UNICAMP, a Companhia Razões Inversas obteve o reconhecimento da qualidade de seu trabalho pela crítica, prêmios e pelo público que acompanha suas criações, como as premiadas Senhorita Else, A Bilha Quebrada, A Arte da Comédia, entre tantos espetáculos apresentados no Brasil e no exterior. A Cia Razões Inversas é formada hoje por Marcio Aurelio, Joca Andreazza e Paulo Marcello.
Sobre Marcio Aurelio
Professor doutor pelo Departamento de Teatro da Escola de Comunicações e Artes da USP e livre-docente pelo Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da UNICAMP, é um dos mais premiados e reconhecidos diretores de teatro brasileiro. Como encenador, montou espetáculos no Brasil e no exterior a partir de textos de Sófocles, Shakespeare, Bertolt Brecht, Nelson Rodrigues, Alcides Nogueira, entre outros. Em 1990, criou a Companhia Razões Inversas com a primeira turma de formandos da Unicamp, na qual dirigiu espetáculos premiados como Senhorita Else, de Arthur Schnitzler, A Bilha Quebrada, de Kleist, e Agreste, de Newton Moreno. Em 2009, dirigiu Ballo, com a São Paulo Companhia de Dança. Sua primeira colaboração com a dança foi com a bailarina Marilena Ansaldi, em 1987, com o premiado espetáculo, Hamelt-Machine. Entre 1997 e 2000, dirigiu o bailarino e coreógrafo Ismael Ivo, no Deutsches National Theater, em Weimar, na Alemanha. Já recebeu prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, do Troféu Mambembe, do Prêmio Molière e do Prêmio Shell, em diversos espetáculos, como Lua de Cetim, Pássaro do Poente e Pólvora e Poesia.
(Adriana Balsanelli/abril 2009)
Para roteiro:
ANATOMIA FROZEN - Estreia dia 11 de junho, quinta, às 21 horas, na Sala Vitrine do Teatro Imprensa. Texto - Bryony Lavery. Direção - Marcio Aurelio. Assistente de direção - Lígia Pereira. Elenco - Joca Andreazza e Paulo Marcello. Tradução - Rachel Ripani. Iluminação, Cenário e Trilha Sonora - Marcio Aurelio. Fotos - Pedro Palhares. Projeto Gráfico - Pedo Penafiel. Idealização - Rachel Ripani. Realização - Razões Inversas Marketing Cultural em associação a Rachel Ripani Produções. Censura - 14 Anos. Duração - 90 minutos.
Ingressos - De 11 de junho a 3 de julho - 1 lata de leite em pó que deve ser trocada por 1 ingresso na bilheteria do Teatro. De 9 de julho a 28 de agosto - R$10,00 e R$5,00 (meia entrada). Temporada - quintas e sextas às 21 horas. Até 28 de agosto.
Teatro Imprensa - Sala Vitrine - Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista - São Paulo. Fone - 11 3241- 4203. Capacidade - 48 lugares. Funcionamento da bilheteria - De terça a domingo a partir das 14 horas. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Formas de pagamento - Aceita pagamento em dinheiro e cheques. Estacionamento conveniado na Rua Jaceguai, 454 - Preço único R$ 8,00. Ingressos por telefone - Ticketmaster - (11) 2846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.
Music-Hall, texto de Jean-Luc Lagarce,
estreia no Projeto Vitrine Cultural 2009
Sob direção de Luiz Päetow, a Companhia da Mentira
estreia texto inédito no Brasil de Jean-Luc Lagarce que questiona o
fazer teatral e a relação público-artista
O texto Music-Hall, de Jean-Luc Lagarce, ganha sua primeira montagem brasileira, com a Companhia da Mentira, sob a direção de Luiz Päetow. A peça estreia dia 13 de junho, sábado, às 21 horas, na Sala Vitrine do Teatro Imprensa. O espetáculo integra o projeto Vitrine Cultural 2009, do Centro Cultural Grupo Silvio Santos. No primeiro mês da temporada o ingresso é uma lata de leite em pó.
Music-Hall oferece uma reflexão sobre a resistência dos artistas face à perda da própria função nessa "vida-máquina" de entretenimento. Para o diretor, "após o teatro já ter atravessado tantas metamorfoses de linguagens e bifurcações da relação ator-espectador, a pergunta que se faz é o que realmente ainda nos resta a oferecer uns aos outros? Vale ressaltar que o surgimento do teatro de variedades, de grande apelo popular, chamado de music-hall, está na própria origem de toda essa atual confusão ideológica, envolvendo a relação viciosa entre a criação e o sistema". Luiz Päetow continua: "A partir de então, os artistas foram sendo, paulatinamente, escravizados pelas leis abusivas, taxas exorbitantes e pelos produtores e proprietários de teatro que têm como único interesse investir no lucro-garantido, manipulando as expectativas da platéia."
Ancorada no seu banquinho e nas suas recordações, uma artista de music-hall repassa sem descanso a vida que levou, de noite em noite, com um público cada vez mais grosseiro e desinteressado. Tentando sobreviver nos arrabaldes cinzentos, essa menina e seus dois auxiliares agarram-se como podem a um mundo que os rejeita, na vaga esperança de reencontrarem um lugar, uma réstia de glória, um refletor de luz que os tire do anonimato.
Através desta metáfora, o autor Jean-Luc Lagarce nos interroga sobre o sentido do destino humano. "Afinal de contas, não estaremos todos nós confrontados, inclusive fora do palco, ao êxito, ao fracasso, à dúvida e à incompreensão total?", questiona o diretor.
Proposta de encenação
O convite ao projeto partiu dos atores da Cia da Mentira, após assistirem ao monólogo Peças, de Luiz Päetow, criado por ele sobre uma palestra de Gertrude Stein. "Esse trabalho investigava a raiz do teatro, a busca da essência", explica Päetow. "Foi só bater o olho no texto de Lagarce que a minha decisão foi imediata. Essa peça é uma daquelas obras raríssimas, fruto de uma silenciosa sabedoria", conta o diretor.
Päetow assina também a tradução do texto e explica que o processo de pesquisa é essencial para entender o pensamento do autor. "A pesquisa da tradução é fundamental para que possamos defender a sensibilidade do autor no momento de levá-lo à cena e na maneira de conduzirmos os atores." O diretor privilegiou o texto na construção do ambiente que permite ao público se defrontar com esses "números musicais-sem-músicas", esse music-hall no qual os artistas são convocados para a missão de abastecer vida na vida de inúmeros desconhecidos. O cenário é vazio e a luz tem papel importante para guiar o espectador. "Optamos por dividir o texto entre cinco atores de modo a evitarmos a definição de um único personagem. Respeitando os códigos do teatro-de-revista e seus números de entretenimento, mas ao invés de dança e comédia, os atores realizam números de introspecção e desvario, essências que alimentam a verdadeira happy-hour", conclui.
Sobre o autor
Jean-Luc Lagarce (1957-1995) é, hoje, um dos autores mais encenados no mundo, ficando atrás somente de Shakespeare e Molière. Foi também ator, diretor e editor. Escreveu 24 peças, 3 ensaios, 1 libreto de ópera, 1 roteiro de cinema, 1 diário composto por 23 volumes e diversos artigos e editoriais. Em todos os textos que escreveu, sempre questionou a eficácia da linguagem, a capacidade de cada um em dizer, realmente, as coisas. Logo, essa busca lhe aproxima bastante da poesia. Uma escrita delicada, sofrida, dolorosa, que fala dos conflitos permanentes e da dor do não-dito. A simplicidade nas palavras, a profundidade no pensamento e a originalidade da sintaxe fazem dele um autor, ao mesmo tempo, contemporâneo e clássico. Faleceu, precocemente, aos 38 anos de vida, vítima da AIDS, assim como outro grande dramaturgo francês de sua geração, Bernard Marie-Koltès.
Sobre Luiz Päetow
Pesquisa a escrita da poesia no corpo e na voz do performer. Sempre com o foco na liberdade e radicalidade de expressões, vem trazendo à cena as obras de Sarah Kane, Gertrude Stein, Hilda Hilst, Clarice Lispector, Nathalie Sarraute, Georg Büchner, Samuel Beckett e, agora, Jean-Luc Lagarce. Em 1997, no CPT, começou uma investigação de dramaturgia aliada à interpretação, que culminaria no projeto Prêt-à-Porter. Criou, dirigiu e atuou em cinco textos: Passageiros, Debaixo da Ponte, Cem Concerto, Horas de Castigo e Asas da Sombra, apresentados nas primeiras versões do projeto. Em 1999, inaugurou o Círculo de Dramaturgia, coordenando o primeiro ano do curso e dirigindo a Oficina de Dramaturgia Atoral. Trabalhou como ator e assistente de direção de Antunes Filho no espetáculo premiado com o Shell e o APCA de melhor direção de 1999: Fragmentos Troianos de Eurípides, excursionando pela Turquia e Japão.
Paralelamente, foi assistente de Daniela Thomas na montagem Da Gaivota, de Anton Tchekhov, com Fernanda Montenegro, Fernanda Torres e Antonio Abujamra. Em 2000, assinou a encenação e a dramaturgia da ópera The Fairy Queen de Henry Purcell. Em 2003-2004, atuou na primeira montagem brasileira do derradeiro texto de Sarah Kane, 4.48 Psicose, direção Nelson de Sá. Em 2005, excursionou pela Alemanha com Os Sertões, recriação musical da obra de Euclides da Cunha pelo Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa. Em 2006, criou o espetáculo-solo intitulado Peças, sua tradução para o texto inédito de Gertrude Stein com encenação de Marcio Aurelio, realizando temporadas em SP durante três anos e com passagens por diversos festivais. Em seguida, protagonizou o espetáculo Leonce e Lena, de Georg Büchner, dirigido por Gabriel Villela. No final do mesmo ano, assinou a criação, produção e atuação do Ciclo Gertrude Stein, composto por palestras e performances de traduções suas para diversos textos de Gertrude Stein. Em 2007, atuou no espetáculo Matamoros, de Hilda Hilst, direção Beatriz Azevedo; e assinou a direção e adaptação da obra Água Viva, de Clarice Lispector, em Goiânia. Em 2008, a convite do diretor Rubens Rusche, protagonizou sua encenação intitulada Calando, composta por duas peças radiofônicas inéditas de Samuel Beckett: Palavras & Música e Cascando.
Sobre a Companhia da Mentira
A Companhia da Mentira é formada pelos atores Donizeti Mazonas, Gabriela Flores, Gilda Nomacce, Priscila Gontijo e Sílvio Restiffe. Integraram o Centro de Pesquisa Teatral - CPT, coordenado por Antunes Filho, onde desenvolveram uma intensa pesquisa de interpretação e dramaturgia através do projeto Prêt-à-Porter. Nele, o ator é peça fundamental de todo o processo criativo. As cenas são escritas, dirigidas e interpretadas pelos próprios atores. Em 2003, com a finalidade de ampliar essa pesquisa, fundaram a Companhia da Mentira. Para a criação do primeiro espetáculo, a Companhia se uniu a um dos maiores nomes da HQ no Brasil, o desenhista e escritor Lourenço Mutarelli, e dessa parceria surgiu a peça O que você foi quando era criança? Considerado um dos melhores espetáculos de teatro de 2005, foi indicado para o Prêmio Shell como melhor texto.
Após várias temporadas em SP e RJ, a peça foi selecionada para participar do projeto Viagem Teatral-2006, realizando apresentações no interior de SP. Em seguida, participou do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto - SP. Em 2007, estreou o segundo espetáculo: Soslaio, texto escrito por Priscila Gontijo, atriz integrante da Companhia. A peça realizou, igualmente, temporadas na capital e no interior de SP, até o final de 2008. Após os mergulhos no circo e no cinema, propiciados respectivamente pelos dois primeiros trabalhos, chegou a hora de o próprio teatro ter seus organismos revelados. Assim, a Companhia escolheu o texto Music-Hall e convidou para este trabalho o ator e diretor Luiz Päetow.
Donizeti Mazonas
Formado em Artes Cênicas pela UNICAMP, participou do CPT, coordenado por Antunes Filho, de 1998 a 2002. Participa do Núcleo de Improvisação, coordenado por Zélia Monteiro, contemplado com Programa Municipal de Fomento à Dança em 2008. Trabalhos em dança: Récita... de um movimento só, concepção e direção Donizeti Mazonas e Wellington Duarte.
Gabriela Flores
Formada em Artes Cênicas na ECA/USP - 1994, participou do CPT, de 1997 a 2001: Prêt-à-Porter 1, 3 e 4. Protagonizou a tragédia grega Fragmentos Troianos, com adaptação e direção de Antunes Filho. Em 2002, assinou sua primeira direção com o monólogo 1974/SMPNF. Atualmente, integra o projeto Teatro Vocacional, da Secretaria Municipal de Cultura, como artista-orientadora.
Gilda Nomacce
Formada em Artes Cênicas pela Faculdade de Belas Artes SP. Em Londres, estudou na City Lit School of Art. Trabalhos em teatro: Fragmentos Troianos e Medéia de Eurípedes, direção Antunes Filho; Engraçadinha e Perdoa-me por me Traíres de Nelson Rodrigues, direção Ben Lavender (em Londres). Em 2009, participou de uma oficina internacional de atores no Studio Tabacov, em Moscou.
Priscila Gontijo
No Rio de Janeiro, participou durante seis anos da companhia Os Privilegiados, de Antonio Abujamra, como atriz e assistente de direção. Em SP, integrou durante três anos o CPT. Trabalhos em teatro: Medéia de Eurípedes, direção Antunes Filho; O Casamento de Nelson Rodrigues, direção Antonio Abujamra; Boca de Ouro de Nelson Rodrigues, direção Marco Antônio Braz.
Sílvio Restiffe
Formado em História pela USP. Fez o curso de ator do INDAC. Em 1995, passou a integrar o Círculo dos Comediantes, com coordenação e direção de Marco Antônio Braz, atuando em diversas peças de Nelson Rodrigues: Bonitinha, mas ordinária, Valsa nº6 e O beijo no asfalto, direção de Marco Antônio Braz; e Barrela de Plínio Marcos, direção Sérgio Ferrara.
(Adriana Balsanelli/abril 2009)
Ficha Técnica
MUSIC-HALL - Estreia dia 13 de junho, sábado, 21 horas, na Sala Vitrine. Texto - Jean-Luc Lagarce. Tradução, direção, espaço e luz - Luiz Päetow. Elenco - Donizeti Mazonas, Gabriela Flores, Gilda Nomacce, Priscila Gontijo e Sílvio Restiffe. Fotos - Cacá Bernardes. Produção - Companhia da Mentira. Duração - 70 minutos. Censura - recomendado para maiores de 14 anos. Temporada - sábados às 21 horas e domingos às 19h.
Ingressos - De 13 de junho a 5 de julho - 1 lata de leite em pó, que deve ser trocada por 1 ingresso na bilheteria do Teatro. De 11 de julho a 30 de agosto - R$10,00 e R$ 5,00 (meia entrada). Até 30 de agosto.
Teatro Imprensa - Sala Vitrine - Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista - São Paulo. Fone - 11 3241- 4203. Capacidade - 48 lugares. Funcionamento da bilheteria - De terça a domingo a partir das 14 horas. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Ar-condicionado. Formas de pagamento - Aceita pagamento em dinheiro e cheques. Estacionamento conveniado na rua Jaceguai, 454 - Preço único R$ 8,00. Ingressos por telefone - Ticketmaster - (11) 2846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br.
Assessoria de Imprensa
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Jornalista responsável - Fernanda Teixeira
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