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Com 4 indicações ao Femsa, Pinóquio, volta em cartaz a partir de 6 de fevereiro

Produção infantil do Centro Cultural Grupo Sílvio Santos, o espetáculo retoma a obra de Carlo Collodi e acresce a desconstrução que marca o trabalho da Cia Le Plat du Jour - grupo sinônimo de qualidade no quesito teatro infantil.

A peça infantil PINÓQUIO - cuja trama se passa numa sala de aula com espaço para comédia, drama, teatro de bonecos, de sombras e teatro físico e que estreou no segundo semestre de 2009 - volta em cartaz diz 6 de fevereiro, às 16 horas, no Teatro Imprensa, ficando em temporada até 25 de abril, aos sábados e domingos.

Com sete indicações ao Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem, o espetáculo está concorrendo como finalista em quatro categorias: Autor de Texto Adaptado (Alexandra Golik e Carla Candiotto), Cenógrafo (Fabio Namatame), Ator (Daniel Costa) e Ator Revelação (Romulo Bonfim).

PINÓQUIO é resultado de parceria entre a premiada produtora Cintia Abravanel (presidente do Centro Cultural Grupo Silvio Santos) e as atrizes-criadoras Alexandra Golik e Carla Candiotto, que assinam a concepção, direção e livre adaptação do clássico de Carlo Collodi.

Baseado na obra de Carlo Collodi (criador do boneco de madeira mais famoso de todos os tempos), com seis atores no elenco, cenários de Fábio Namatame, figurinos de Chris Aizner, música de Carlo Bauzys e adereços de Ivaldo Melo, Pinóquio - assim como as produções anteriores do Centro Cultural (O Poeta e as Andorinhas, A Flauta Mágica e O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá) - também fará sessões gratuitas para escolas públicas conveniadas, às terças e quartas-feiras, no Projeto Escola.

A Cia Le Plat du Jour, ao longo de 17 anos, construiu uma trajetória baseada na releitura de clássicos infantis. Está indicada ao Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem pelo trabalho de integração de técnicas circenses à linguagem teatral do espetáculo Alice no País das Maravilhas, que estreou também em 2009.

Depois de Chapeuzinho Vermelho e João e Maria, a Le Plat du Jour caminha para agregar à companhia outros atores em suas peças. Com uma carreira de sucessos (incluindo prêmios importantes), o estilo irreverente e o processo criativo focado no trabalho do ator e na comédia, Alexandra e Carla têm trajetória consolidada. "O convite da Cintia Abravanel coincidiu com o desejo do Le Plat de trilhar novos caminhos", afirmam.

Criação, direção e sinopse
Assim que estudaram o livro original, embasadas também na leitura de algumas obras de cabeceira (como Fadas no Divã e Psicanálise dos Contos de Fada), as criadoras fizeram uma síntese de cada capítulo, um roteiro de ações. Na sequência, passaram ao trabalho com os atores. Somados ao resumo, os diálogos foram compondo cada cena. "Nesse momento, tiramos o diálogo original e fomos substituindo pelo nosso texto", afirmam Alexandra e Carla, explicando sua livre adaptação. A Cia Le Plat du Jour respeitou a história e os personagens, mas imprimiu seu olhar ao espetáculo

Nasceu, então, a idéia de inserir a história em uma escola, já que a peça fala de um menino que não gosta de estudar. Ambientada em uma sala de aula, a trama dessa montagem de Pinóquio brinca de teatro dentro do teatro, metalinguagem, pois na festa de formatura os alunos decidem encenar o clássico da literatura infantil. "É metateatro infantil", conta Alexandra, completando que "a história de Pinóquio é contada por meio de personagens que são alunos de uma escola e vão encenar a peça ".

Em 70 minutos de duração e 30 personagens, tem espaço para teatro físico, comédia, drama, oito bonecos utilizados de várias formas, teatro de sombras e música, tudo com o olhar irreverente da Le Plat du Jour. Alexandra e Carla comparam a direção a uma partitura musical que os atores têm de seguir. "Somos perfeccionistas, existe uma marcação", dizem, explicando que se trata de um "road movie, uma história de transformação. A mudança de atitude é o começo da transformação".

Sobre o figurino
O figurino segue a concepção da peça, que pede velocidade dos atores na troca de personagens e roupas. "Aproximamos os personagens de nosso cotidiano - então, a professora se transforma na fada, um dos alunos no próprio Pinóquio, e assim por diante. Alunos vestem um casaco e um chapéu e viram outros personagens, para brincar de contar esta fábula. Convidamos nossos pequenos espectadores a brincar conosco de maneira lúdica e de fácil acesso", diz Chris Aizner, responsável pelo figurino da peça.

Foram usados materiais distintos, desde tecidos de estofamento e cortina até os mais leves, como organza cristal, tafetás etc. A chapelaria partiu de formas e bases facilmente encontradas e, então, customizadas. A partir da ideia de aproximar o espectador dos personagens (e sabendo que os alunos desta escola contam esta história), Pinóquio usa um macacão que transita entre a mistura da madeira (bordada no macacão ) e o uniforme escolar. "No decorrer da história, ganha um coletinho que o acompanha até o final. A professora, ao se transformar em fada, continua com as mesmas cores do vestido da professora, mas na estrutura de uma capa street wear, como se seu vestido de fada estivesse protegido pelo casaco. Saímos da estrutura clássica de fada para uma fada moderna e mais urbana", explica Aizner.

Sobre a música
Criada por Carlos Bauzys, as 30 músicas foram compostas especialmente para o espetáculo, a partir de cada cena e de cada personagem. Sobre seu processo de criação, Bauzys diz que assistia a ensaios e contava também com uma gravação em DVD da peça. Assim, compunha cada música já sincronizando-a com o tempo, o clima e as nuances da cena. "Depois, levava as músicas em midi (som do programa de computador onde escrevo as partituras) para o ensaio. As diretoras opinavam, aprovavam ou sugeriam alguns ajustes. Depois de ter as formas já fechadas, levava para gravar no estúdio", explica.

"As necessidades da peça me levaram a uma orquestração bem diversificada, pois são muitos personagens, localidades e climas diferentes." Carlos utilizou desde uma orquestra clássica (violinos, viola, cello, contrabaixo, cravo e sopros) a formações mais intimistas (piano, violão, acordeão) e instrumentações divertidas (marimba, piccolo, banjo, percussão). O tema do Pinóquio tem duas versões. Na primeira, quando ele ainda é um boneco de madeira, a melodia principal é feita por um instrumento também de madeira, a marimba. A instrumentação é mais simples e divertida. Na segunda versão, quando ele vira menino de verdade, tudo fica mais grandioso, com cordas, metais e tímpanos e a guitarra fazendo o tema principal.

Sobre o cenário
Bem estruturado e de grandes dimensões, com rodas e placas de madeira, o cenário criado por Fábio Namatame segue a concepção da peça, que sugere agilidade de transformação, rápidas trocas de ambientação e simplicidade. "Minha cenografia agiliza e acelera as mudanças exigidas pelo espetáculo", informa Fábio, contando que a ideia é mostrar para público e educadores que o cenário é simples e a encenação da peça é possível e viável.

Aparentando uma estrutura simples, o cenário tem a função de sugerir outros elementos à plateia. "Gostaria que ele parecesse simples, fácil de ser construído. Eu sugiro e o público imagina, só um elemento já conta o resto da cenografia e os espectadores completam a história." Fábio descreve que um tecido de grandes proporções envolve a moldura e o fundo da caixa cênica. "De 10 por 10 metros, ele é feito à mão, de retalhos, um patchwork mesmo, em tons de azul. Optamos pela simplicidade no cenário para dar prioridade à encenação e ter agilidade na montagem."De acordo com Namatame, o cenário vai se transformando - a carteira da escola vira um pedestal ou a cadeira do Gepeto.

História original
Escrita originalmente em estrutura folhetinesca no jornal infantil italiano Gionarle per i Bambini, entre julho de 1881 e janeiro de 1883, a história de Pinóquio foi publicada em livro, inicialmente, em 1883, com o título História de um boneco. Nessa publicação, aparecem os primeiros capítulos da narrativa. Completados os 36 episódios que compõem a obra tal qual a conhecemos hoje, Carlo Collodi a publica com o famoso título As Aventuras de Pinóquio.

Embora Carlo Collodi tenha sido o criador da história do popular boneco de madeira que ganha vida após uma série de percalços, quem a popularizou entre crianças e adultos de todo o mundo foi o desenhista Walt Disney com sua versão animada de 1940. Para dar conta do universo de sonho que predomina em suas obras, Disney alterou consideravelmente a narrativa original de Collodi, sobretudo seu começo e final.

Sobre o autor
Carlo Collodi é um escritor italiano que eternizou seu nome ao presentear o mundo com a narrativa de um boneco de madeira que sonhava ser menino. Escrita em 1881, sob forma de folhetim, foi posteriormente transformada em livro e traduzida para mais de duzentos idiomas, o que a tornou uma das obras infantis mais adaptadas para o cinema e teatro no mundo.

Espetáculo
"Nosso Pinóquio narra a trajetória de um boneco que, aos poucos, transforma-se em gente por meio da aquisição de uma autonomia conquistada à custa de aventuras e desventuras. Em outras palavras, nosso Pinóquio narra a trajetória mágica de um menino que se torna Homem e vive desafios e aventuras fantásticas ao lado de uma Fada, um Grilo Falante, um enorme tubarão, amigos humanos, um Gato e uma Raposa e muitos outros personagens até merecer ver seu desejo realizado. O conhecimento - representado, na história de Collodi, pela instituição escolar - humaniza e responsabiliza Pinóquio" afirma o professor de literatura Wilton Ormundo, gestor cultural do Centro Cultural Grupo Silvio Santos.

"O espetáculo Pinóquio retoma o clássico italiano e acresce a ele a irreverência e desconstrução que marcam o trabalho das atrizes-criadoras da Cia. Le Plat du Jour, sem que, entretanto, se perca o fio condutor principal dessa bela narrativa infantil. Alexandra Golik e Carla Candiotto adaptaram o texto original e dirigiram seis experientes atores nessa empreitada", diz Cíntia Abravanel.

Cia. Le Plat du Jour
Há mais de 17 anos a crítica especializada e - principalmente - o público reconhecem e prestigiam as peças criadas pela Cia. como uma das produções mais expressivas do teatro nacional. Formada por Alexandra Golik e Carla Candiotto, foi criada em Paris, em 1992, onde começou a desenvolver uma linguagem cômica física mais especificamente ligada ao palhaço. Lá, atuaram na peça Coup de Chance (de Jean Henri Blumel). Em Paris, foi concebida a primeira versão da peça As Filhas de Lear (adaptação da tragédia Rei Lear, dirigida por Gabriel Chamé Buendia). Na Europa, Carla Candiotto atuou e criou os espetáculos com a Cia Théâtre Sans Frontières: Candido, de Voltaire (prêmio Eletric Award no Festival de Edimburgo), O Corcunda de Notredame, de Victor Hugo, La Belle et La Bête, Le Roi Fou, The Day of the Dead, em turnê pela Inglaterra, Escócia e França. Em Paris, Carla trabalhou com a Cia Fleur de Peau em Scarlett e, com a Cia Paris 21, com A Sala no. 6 e Cem anos de Solidão. Alexandra Golik produziu, pela Cia. Le Plat du Jour, as peças: Comédias Exemplares, de Cervantes, Filme B, da Cia., Woyzeck, de Büchner, Na Selva das Cidades, de Brecht, Um Deus Cruel, de Alberto Guzik, e Kilocaloria, dela mesma.

A Cia Le Plat du Jour tem hoje em seu repertório os espetáculos: As Filhas de Lear, dirigido por Gabriel Chamé e Roberto Camargo, Chapeuzinho Vermelho, dirigido por Fernando Scrich (Prêmio APCA 2001 - Melhor espetáculo infantil; participação no Festival Teatrália, em Madrid, na Espanha), Os Três Porquinhos, dirigido por Alexandre Roit (Prêmio APCA 2003 de Melhor Texto Adaptado e Prêmio Cola-Cola Femsa 2003 Melhor de Direção - Alexandre Roit e Melhores Atrizes - Alexandra Golik e Carla Candiotto); Insônia, de Alexandra Golik, dirigido por Alexandre Roit e Le Plat du Jour; Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, criação em conjunto com a companhia inglesa Théâtre Sans Frontiéres (turnê pela Inglaterra, Escócia, Irlanda, França e China), O Poço, de Alexandra Golik, dirigido por Sandro Borelli (contemplado com o prêmio Myrian Muniz de Teatro), João e Maria, texto e direção de Le Plat du Jour (Prêmio Femsa de Teatro 2007 de Melhor Cenografia - Le Plat du Jour e Nani Brisque) e Peter Pan e Wendy, texto de Le Plat du Jour e dirigido por Pedro Pires (Prêmios APCA e Femsa 2007 de Melhor atriz - Alexandra Golik).

Cintia Abravanel e seu trabalho no CCGSS
Diretora-presidente do Centro Cultural Grupo Silvio Santos, a produtora teatral produziu o premiado No Reino das Águas Claras, adaptado da obra Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, visto por mais de 100 mil espectadores. O espetáculo ganhou, pela APETESP, 6 prêmios (Coreografia, Iluminação, Cenografia, Figurino, Atriz e Melhor espetáculo infantil). Dando continuidade à proposta de resgate da obra de nosso maior pré-modernista, em 1999 foi a vez de O terror dos mares, adaptação da obra Geografia de Dona Benta, de Monteiro Lobato, assistido por mais de 75 mil espectadores. Prêmio APCA de Melhor infantil. Em seguida, veio A hora da Estrela, adaptada da obra homônima de Clarice Lispector. Em 2004, já como Centro Cultural Grupo Silvio Santos, produziu a peça O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, adaptada por Vladimir Capella do texto homônimo de Jorge Amado. O espetáculo inaugurou o projeto Literatura no Teatro. A peça recebeu os prêmios - APCA 2003: Melhor espetáculo infantil e Direção; e COCA-COLA FEMSA 2003: Melhor espetáculo infantil, Produção, Direção e Figurino.

Em 2006, no projeto No princípio era ação, foi montado o espetáculo Rapsódia dos divinos, direcionado à formação intelectual gratuita de professores. Ainda em 2006, foi encenado o musical folclórico Avoar, clássico da Vladimir Capella. O projeto Vitrine, em 2007, foi responsável pela apresentação de seis espetáculos (O barril, Uma praiazinha de areia...., A pomba enamorada, Os crimes do preto Amaral, Amor e Avatar) subsidiados pelo Centro Cultural em sua sala experimental. A ação sócio-cultural arrecadou alimentos e agasalhos em troca de ingressos das peças beneficiadas pelo projeto. Em 2007, o Centro Cultural produziu e estreou a segunda edição do projeto Literatura no Teatro com A Flauta Mágica, de Dionisio Jacob, baseado no libreto da ópera de Mozart (sob direção de Roberto Lage). A peça, vista por mais de 65 mil espectadores, ganhou o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor espetáculo infantil. Em 2008, estreou a 3a. edição do projeto com O Poeta e as Andorinhas (prêmios de Melhor figurinos pela APCA e Coca-Cola Femsa e melhor produção pela Coca-Cola Femsa), baseado na obra de Oscar Wilde. Em 2009, lançou a terceira edição do Projeto Vitrine, apresentando 12 espetáculos selecionados por uma curadoria especializada (em curso).

Para roteiro:
Pinóquio - Reestreia dia 6 de fevereiro, sábado, às 16 horas , no Teatro Imprensa. Concepção, livre adaptação e direção - Cia Le Plat Du Jour (Alexandra Golik e Carla Candiotto). Elenco - Ana Saguia, Luciana Ramanzini, Carolina Parra, Daniel Costa, Igor Miranda, e Romulo Bonfim. Assistente de direção - Bebel Ribeiro. Cenários - Fábio Namatame. Assistente de cenografia - Laura di Marc. Figurinos - Chris Aizner. Figurinista Assistente - Marcos Januário. Direção musical e música original - Carlos Bauzys. Adereços - Ivaldo Melo. Iluminação - Cizo de Souza. Produção Geral - Cintia Abravanel. Realização - Centro Cultural Grupo Silvio Santos. Temporada - Sábados e domingos, às 16 horas. Ingressos - R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia entrada). Duração - 70 minutos. Espetáculo recomendável para maiores de 5 anos. Patrocínio do Banco Panamericano. Até 25 de abril.

TEATRO IMPRENSA - Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista. Informações - (11) 3241-4203. Capacidade - 449 lugares. Aceita cartões de crédito e débito. Ar condicionado, acesso para portadores de necessidades especiais. Estacionamento conveniado na Rua Jaceguai, 454 - Preço único R$ 10,00. Bilheteria - de terça a sexta-feira, das 14 às 19 horas. Dias de espetáculo - das 14 horas até o início da apresentação. Ingressos por telefone - Ticketmaster - (11) 2846-6000 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.ticketmaster.com.br

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