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Mudança no elenco da peça AS MENINAS, de Lygia Fagundes Telles, em cartaz no Eva Herz

Clara Carvalho e Patrícia Gasppar entram no elenco da peça adaptada por Maria Adelaide Amaral, com direção de Yara de Novaes. As meninas do texto são vividas no palco por Clarissa Rockenbach, Luciana Brites e Silvia Lourenço

As atrizes Clara Carvalho e Patrícia Gasppar entram no elenco da peça As Meninas, a partir de 6 de fevereiro, substituindo Clarisse Abujamra e Tuna Dwek, respectivamente. O espetáculo segue em cartaz no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, aos sábados, às 18 horas e domingos, às 17 horas.

Com adaptação para o teatro de Maria Adelaide Amaral, e direção de Yara de Novaes, o espetáculo traz no elenco Clarissa Rockenbach (Lorena), Luciana Brites (Ana Clara), Silvia Lourenço (Lia) e Julio Machado (Max, Guga e M.N.). Clara Carvalho (Mãezinha) e Patrícia Gasppar (Irmã Priscila) fazem participação especial. Os cenários são de André Cortez, figurinos e visagismo de Fábio Namatame, iluminação de Fábio Retti, trilha-sonora de Dr Morris, preparação corporal de Miriam Rinaldi, preparação e arranjo vocal de Daniel Maia.

Realização da Pad Rok Produções, com iniciativa e idealização dos produtores Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha, o espetáculo começou a ser gerado em 2007, depois que a dupla teve conhecimento da obra de Lygia, após um trabalho universitário, tendo como base o livro As Meninas. Um ano depois, Padilha telefonou para Lygia Fagundes Telles, que gostaria muito de contar com o talento de Maria Adelaide Amaral para a adaptação. Ela terminava a minissérie Queridos Amigos. Maria Adelaide, que tinha lido a obra havia anos, recebeu o novo exemplar autografado, e decidiu prestar uma grande homenagem a Lygia, adaptando o romance. O espetáculo estreou em 31 de outubro de 2009 e cumpriu dois meses de bem-sucedida temporada.

Sinopse do espetáculo
Na São Paulo no final dos anos 60, auge da ditadura militar, três jovens universitárias convivem num pensionato de freiras relativamente liberais e progressistas - Lia, Lorena e Ana Clara. O livro narra os encontros e desencontros dessas três garotas com o conturbado mundo que as cerca. Ano da publicação do romance: 1973. Ano também do governo Médici, de censura, de silêncio.

Com lucidez e técnica contundente, Lygia Fagundes Telles retrata esse tempo por meio dos sonhos e da ótica dessas três meninas: a aristocrática e romântica Lorena, que transpira generosidade e aspira viver um grande amor com um homem mais velho e casado; Lia, idealista e guerrilheira, a subversiva e flamante Lião, tranca a matrícula na faculdade e vai à luta pela causa da liberdade, sonhando em reencontrar o namorado, preso político e torturado; e Ana Clara, a bela modelo que mergulha nas drogas, chamada de Ana Turva pelas outras, mas acredita que um rico casamento possa libertá-la da dependência e do pavor da miséria.

Somando-se e entrelaçando-se à história principal, destaque para a Mãezinha de Lorena, tão fútil quanto atormentada pelos sinais de velhice, e com eles o terror de perder seu jovem namorado. Max; o belo e frágil amante de Ana Clara, que trafica para garantir a própria droga; Guga, colega de faculdade de Lorena, que abandona o curso de Direito para se tornar um despreocupado militante do movimento Paz e Amor; e Irmã Priscila, a freira perplexa com a revolução dos costumes que atinge a todos, leigos e os religiosos. Como pano de fundo em AS MENINAS, um apaixonante retrato político do Brasil e de um mundo em transformação. Nada será como antes. Nunca mais.

Lygia Fagundes Telles homenageou Paulo Emílio Salles Gomes
Para celebrar a homenagem, a escritora recebeu a equipe do espetáculo em sua casa. Como num ritual, diretora, produtores, atrizes e ator sentaram-se ao seu redor na sala e ouviram atentamente o que ela tinha a dizer sobre o livro. Testemunha de seu tempo, Lygia logo revelou: "Acho maravilhoso As Meninas irem para o teatro", disse com seu jeito simples. Entre os relatos, contou ter começado a escrever o livro em 1970, auge da ditadura militar, falou da campanha feita atualmente em busca dos desaparecidos, considerados na época subversivos, terminando por detalhar cada personagem.

"Casei duas vezes e este livro é dedicado a meu segundo marido, o ensaísta e crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, morto em 1977." Quando terminou o livro estava em Barra de São João, "onde está enterrado Casemiro de Abreu", disse. Todos ficaram sabendo que Lygia caiu em prantos ao terminar de escrever o livro. A contadora de histórias estava se despedindo de suas personagens, que voltam com outra roupagem no decorrer de sua obra.

Para o palco - Qualidade literária estimulou Maria Adelaide
O universo da obra, repleta de detalhes minuciosos e sedutores, é agora transportado para o teatro, pelas mãos habilidosas de Maria Adelaide Amaral, que transformou o belo romance em um texto teatral forte e emocionante. Seu reconhecido talento já foi colocado à prova diversas vezes, com destaque para suas obras mais reconhecidas e competentes, seja no teatro ou em teledramaturgia: as peças teatrais Mademoiselle Chanel, Tarsila, Querida Mamãe, De Braços Abertos e as minisséries globais Queridos Amigos e A casa das Sete Mulheres, sendo ganhadora do prêmio Jabuti, pelo romance Luiza - Quase uma história de amor.

Maria Adelaide Amaral conta: "Foi o Fernando Padilha quem me convidou, estava ocupadíssima, mas sendo texto da Lygia não havia como recusar". O que mais a estimulou em seu trabalho? "A qualidade literária e a contemporaneidade com os personagens do meu romance Aos Meus Amigos, que acabava de ser transformado na minissérie Queridos Amigos." Sobre o trabalho, Maria Adelaide conta que "foi muito fácil, porque as qualidades dramáticas de As Meninas revelam-se imediatamente". Ela explica que se tratou de uma adaptação: "Minhas interferências foram mínimas. Teatro é a arte da síntese. É exatamente o contrário de uma narrativa literária. O que fiz foi pinçar e destacar do romance da Lygia os momentos mais reveladores e dramáticos da história e das personagens".

Sobre o pano de fundo serem os anos 70, Maria Adelaide diz que ele é indissociável do drama de As Meninas. "As ações das personagens são resultado do momento histórico em que a trama se passa, e não apenas os fatos políticos, mas os hábitos e comportamentos. Enfim, a cultura do período", completa. A respeito da diferença entre escrever e adaptar, ela explica: "Quando escrevo, a liberdade é total e a reverência, nula. Quando adapto um texto de um autor, como O Evangelho Segundo Jesus Cristo (de José Saramago), a liberdade é relativa e a reverência pelo texto (original), total. Mas se não houvesse a reverência não teria aceitado a incumbência. Só adapto textos (e escritores) que admiro muito. Junto-me aos bons para aprender com eles", finaliza.

A montagem da diretora Yara Novaes
A diretora Yara de Novaes (O Caminho para Meca, A Mulher que Ri e A Serpente) - que tem alma sensível e compreensão absoluta do universo do livro de Lygia - adorou a oportunidade de trabalhar com Maria Adelaide Amaral. Honrada pelo convite do produtor Fernando Padilha, que aceitou a indicação de Maria Adelaide Amaral, Yara de Novaes conta estar sendo inspirada pela adaptação de Adelaide. "Uma adaptação maravilhosa que não só respeita, mas, sobretudo, dialoga com o romance, condensando ou deslocando personagens e ações, num fluxo teatral muito propiciador da boa cena. Das falas ao encadeamento das cenas, passando pelas rubricas, tudo na adaptação tem o legado humano e estético criado por Lygia Fagundes Telles, no livro As Meninas", segundo ela.

A encenação optou por um caminho onde o discurso dramático mescla-se com ações ou falas narrativas. "Os atores/personagens serão os donos soberanos da cena, deles virão a voz, a música, a luz, o espaço modificado ou resignificado. São personagens que se presentificam além de sua cena, participando, em composição, nas cenas que originalmente não seriam as suas. Isso nada mais é do que uma atitude reverente ao romance original, onde há mais de um narrador, mais de uma voz", afirma a diretora.

Sobre a conversa com Lygia Fagundes Telles, naquela tarde, Yara fala: "Mais do que uma colaboração pragmática, aquela conversa foi uma epifania, uma experiência sem precedentes. Algo parecido com o meu primeiro dia de ensaio com a Cleyde Yáconis. As duas são mulheres políticas, artistas provocadoras, seres humanos exemplares. Na montagem, Yara privilegia o universo humano criado pela Lygia e transposto para o teatro pela Adelaide. "Tento expressar isso em todos os elementos criadores da cena: atores, gestos, música, luz, espaço, cores, figurinos. E nesse universo o tempo e a geografia são determinantes: Brasil no final dos anos 60, o Brasil das transformações, do calabouço, do desbunde, do sol e da noite, do liberado e do escondido".

A simbiose entre essas três artistas - Lygia, Adelaide e Yara - molda o projeto, que desde seu princípio foi pensado para ser um espetáculo de rigor artístico, com identidade nacional, próprios da autora da obra homônima e com matéria-prima de altíssima qualidade.

As atrizes
A atriz Clarissa Rockenbach, que vive Lorena e também é uma das produtoras da peça - conta que "tudo começou com um trabalho de análise de estéticas literárias, que eu e o Fernando Padilha, meu parceiro querido, tínhamos que fazer para a faculdade de Rádio e TV. Mergulharmos no universo de As Meninas, de Lygia Fagundes Telles". Clarissa conta que leu o livro e encantou-se com as três personagens, a riqueza dos detalhes, o fluxo dos pensamentos, o cenário do país naquele momento. "Tudo me envolveu de tal maneira que não pensava em outra coisa: queria montar esse espetáculo e viver a Lorena." A atriz também ficou marcada pelo encontro com a autora: "A Lygia é uma sumidade. Ter a oportunidade de vê-la dissecar as personagens representa um dos ápices deste projeto, foi um momento sem precedentes. E tudo o que estará em cena é resultado de nossos mergulhos, o livro é a nossa bíblia. São personagens que carregam uma humanidade, tão complexas, que faz parte da minha investigação reconhecer na criadora traços da Lorena".

Luciana Brites, convidada pelo produtor para viver Ana Clara, escancara o entusiasmo: "Lygia é dessas artistas que estão na categoria: conjunto da obra. Minha admiração é tanta que chego a me desconsertar, não consigo nem disfarçar. Eu não me dei ao luxo nem de piscar ao seu lado. Bebi cada sílaba das suas palavras. Sua fala sobre as personagens é mais íntima do que a de uma mãe falando da cria. É uma fala que é, ao mesmo tempo, a cria e aquela que a pariu. Ela falou sobre a noite em que terminou de escrever o romance. Que chorava por ter de se despedir das meninas e contou que Ana, em uma miragem ali, acordada naquela noite, voltou, sentou no seu colo e perguntou: Por que você me deixou morrer? Eu ainda tinha tanto a fazer. Foi bonito demais ouvir isto daquela mulher. Sou uma privilegiada".

Silvia Lourenço aceitou imediatamente o convite da produção para viver a personagem Lia. "A Yara já tinha ouvido falar do meu trabalho. Adoro o livro e estava morta de vontade de voltar para o teatro depois de mais de três anos envolvida com cinema." Seu mais recente papel em teatro foi Essa Nossa Juventude, com direção de Laís Bodansky. Sobre o encontro com Lygia, Sílvia afirma: "50% do discurso dela foi dedicado à Lia, pois ela é quem traz para a obra todo o contexto sócio-político daquele período negro de ditadura. A Lia carrega a incumbência de ser a porta-voz daquele momento histórico. Segundo Lygia, a Lia surgiu da necessidade dela como escritora de contar por meio de um personagem as atrocidades que o governo militar cometia com quem se opunha ao regime. Lia foi criada para que Lygia pudesse ser uma verdadeira testemunha do seu tempo através de sua obra literária, como ela queria".

Para roteiro
AS MENINAS - Reestreou dia 23 de janeiro de 2010, sábado, às 18 horas, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Avenida Paulista, 2073, Metrô Consolação. Horário: Sábados, às 18 horas, e domingos, às 17 horas. Bilheteria: (11) 3170-4059. De segunda a sábado, das 14 às 21 horas e aos domingos e feriados, das 12 às 20 horas. Ingressos à venda pela Internet: www.teatroevaherz.com.br ou www.ingresso.com.br. Call-center: 4003-2330. Ingressos - R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Compras através do sistema da ingresso.com, funciona da seguinte maneira: Call-center: (adicional de 20%) Inteira: R$ 60,00 - Meia: R$ 30,00. Internet: (adicional de 15%) Inteira: R$ 57,50 - Meia: R$ 28,75. Os ingressos são retirados na bilheteria do próprio teatro. Formas de pagamento: dinheiro e todos os cartões de débito e crédito - NÃO ACEITAMOS CHEQUE. Classificação etária: a partir de 14 anos. Estreou em 31 de outubro. Temporada: até 28 de fevereiro. Duração: 80 minutos. Capacidade do teatro: 166 lugares.

Ficha técnica
Texto de LYGIA FAGUNDES TELLES. Adaptação e dramaturgia de MARIA ADELAIDE AMARAL. Concepção e direção de YARA DE NOVAES. ELENCO: CLARISSA ROCKENBACH (Lorena), LUCIANA BRITES (Ana Clara), SILVIA LOURENÇO (Lia), JULIO MACHADO (Max, Guga e M.N). PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: CLARA CARVALHO como Mãezinha e PATRICIA GASPPAR como Irmã Priscila. Cenário de ANDRÉ CORTEZ. Figurinos e visagismo de FÁBIO NAMATAME. Iluminação de FÁBIO RETTI. Trilha-sonora de DR MORRIS. Preparação corporal de MIRIAM RINALDI. Preparação e arranjo vocal de DANIEL MAIA. Assessoria de imprensa - FERNANDA TEIXEIRA - ARTE PLURAL. Fotografia de RONALDO AGUIAR. Programação visual - HALLAN MOULIN. Idealização - CLARISSA ROCKENBACH e FERNANDO PADILHA. Direção de Produção - FERNANDO PADILHA. Realização - PAD ROK PRODUÇÕES CULTURAIS.

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