Com direção de Lavínia Pannunzio, Pelos Ares
estreia dia 17 de julho no Teatro Cacilda Becker
A peça infantil – com música de Daniel Maia e cenários e figurinos de Cássio Brasil - é inspirada no livro O Menino que Sabia Voar, de Sally Gardner, sobre um garoto que recebeu o dom mágico de voar. A partir daí, trata de maneira descontraída da aceitação da diversidade e da superação de dificuldades
Em seu oitavo trabalho, a Cia. Provisório-Definitivo apresenta a peça infantil Pelos Ares, com estreia marcada para sábado, 17 de julho, às 16 horas, no Teatro Cacilda Becker. O espetáculo - que concorreu no 14º Cultura Inglesa Festival, ganhando o prêmio de melhor peça de teatro infantil - conta com texto de Pedro Guilherme, direção de Lavínia Pannunzio e é inspirado no livro O Menino que Sabia Voar, de Sally Gardner. No elenco estão Carlos Baldim, Paula Arruda, Pedro Guilherme e Thaís Medeiros.
Thomas Máximo (Paulinha Arruda) é um garoto que vê seu mundo virar de ponta-cabeça em seu aniversário de nove anos, quando recebe de uma fada gorda (Carlos Baldin) um presente muito especial: o dom de voar. A partir daí, o garoto, que detestava as aulas de Educação Física do colégio, se envolve em uma série de aventuras e problemas – Thomas é expulso da escola, seus pais se separam e ele muda de casa. Mas a crescente admiração dos colegas pelo novo dom do amigo e a chegada de um adulto voador, o Senhor Vinicius (Carlos Baldin), o ajudam a enfrentar esses diversos problemas que começam a surgir, já que os adultos, diferente das crianças, não conseguem aceitar esse novo poder fora do comum.
A maravilha de estar vivo
A peça trata da maravilha de estar vivo, com todas as suas conseqüências, sejam elas positivas ou negativas. Em segundo plano, o espetáculo mostra a importância de fazer o que se gosta, como cada um lida com a vida e com suas opções de maneiras diferentes. E como isso tudo se relaciona com liberdade. O autor Pedro Guilherme comenta que gostaria que as crianças que assistissem à peça se encantassem com a possibilidade do impossível e, com isso, com a capacidade de imaginar, de criar, de sonhar, de inventar, de trabalhar, de brincar e de viver. Tudo sem ter medo das coisas ruins que podem e vão acontecer.
Por trás da história de um garoto que voa, o espetáculo pretende trazer para o público infantil, de forma descontraída e poética, a importância da diversidade e da construção de identidade. Para tanto, busca a aceitação do fora do comum – presente no espetáculo na forma do diferente poder recebido pelo garoto e na maneira como essa habilidade não é aceita por muitos, incluindo sua própria família. Pelos Ares quer mostrar para as crianças que o que parece diferente, pode ser muito interessante.
Sobre a direção
De acordo com a diretora Lavínia Pannunzio, “o elenco foi minha prioridade na montagem, mas o trabalho é alquímico. Cada elemento e cada pessoa foi fundamental para a produção do espetáculo”. Na iluminação, por exemplo, Vinicius de Andrade criou uma luz que dialoga tanto com a trilha sonora quanto com o cenário, criando zonas temperadas pela emoção de cada cena.”
Como recurso para criar o clima lúdico e onírico da montagem, a direção, em conjunto com Rafael Frazão, optou por usar a linguagem de vídeo no palco. Uma câmera registra a interpretação do personagem ao vivo e a transmite em tempo real no cenário de fundo. Embora o menino esteja de fato no chão, “poeticamente ele está voando”, afirma Lavínia.
Responsável pela cenografia e figurino, na composição do cenário Cássio Brasil preocupou-se em utilizar elementos que realçam a relação com o espaço da peça e o desejo de viajar. Para reforçar isso, o tecido utilizado é o mesmo encontrado em paraquedas e o formato do palco tenta lembrar um observatório. Ao fundo, como parte do efeito especial que faz o garoto voar, são projetadas imagens de paisagens urbanas de Londres e imagens do vôo.
A trilha sonora foi composta especialmente para a peça por Daniel Maia. Como fonte de inspiração, o músico ouviu muito Beatles e criou temas com os mesmos instrumentos usados pelos músicos de Liverpool. "Isso por conta da referência londrina, pois no livro original a história se passa na Inglaterra", explica Daniel.
Sobre o texto - à luz de Sally Gardner
Pedro Guilherme não se preocupou em ser fiel ao livro O Menino que Sabia Voar. “O mote da história da Sally é deslumbrante, mas, a meu ver (claro, que subjetivo e eu respeito e admiro o olhar da Sally), a condução do enredo pecava quando existia a tentativa de moralizar a história”, comenta. “Não poderia, por exemplo, considerar a ideia de que ele é mais importante que os outros personagens por ter o seu dom. Todos os personagens são vivos e estão tentando acertar”, coloca o autor, que também se diz contrário ao happy end clássico de filmes americanos e de histórias infantis onde tudo dá certo e termina bem, característica marcante no livro de Gardner.
“Na nossa peça, coisas boas e más acontecem a partir das situações que surgem pela necessidade de Thomas voar. E ele tem que arcar com isso. Assim é a vida. E se a proposta era de encantamento com a vida, também é necessário se encantar com o lado negro que ela tem, com as coisas difíceis. As crianças também têm dificuldades, e claro que o aprofundamento de reflexão varia com a idade, mas é preciso fornecer também para elas as ferramentas necessárias para desvendar esse nosso complexo mundo contemporâneo. As histórias onde tudo acaba bem também podem ser importantes, mas elas já existem desde o século XIX. Repaginar isso, na minha opinião, não é algo pretensioso, é necessidade”, coloca o autor.
Não foi apenas em O Menino que Sabia Voar e em Sally Gardner que Pedro Guilherme buscou inspiração para escrever seu roteiro. Entre as principais influências encontradas em seus trabalhos está principalmente o seu contato com o universo “infantil” de Oscar Wilde, mas também podemos observar traços de Gabriel García Marquez, João do Rio, passando por Carlos Drummond de Andrade e chegando a Clarice Lispector.
Sobre a Cia. Provisório-Definitivo
Criada em 2001 por alunos que se formavam em Artes Cênicas na ECA-USP. Paula Arruda, Pedro Guilherme e Vinícius Andrade sempre tiveram como foco de seus trabalhos a efetiva comunicação com o público. Uma característica do grupo é buscar um diretor diferente a cada novo trabalho. Isso possibilita um aprendizado e uma ampliação no “olhar teatral”. Cada diretor traz uma visão de mundo e uma nova diretriz em relação ao nosso trabalho, que está no caminho constante de renovação.
O primeiro trabalho do grupo é VERDADES, CANALHAS (2001), texto escrito por Mário Viana especialmente para a Cia., sob direção de Hugo Possolo. A peça recebeu vários prêmios em festivais nacionais e foi muito bem recebida pela crítica e público. Depois disso resolveram se dedicar ao público infantil e Hugo Possolo apresentou-os ao texto BULGÓIA, REPENIQUE & TROPEÇO (2003). Depois de idas e vindas entre o teatro infantil e adulto a Cia, agora com Lavínia Pannunzio no comando, estreou PELOS ARES, peça que ganhou o PRÊMIO DE MELHOR PEÇA INFANTIL NO 14º CULTURA INGLESA FESTIVAL e que entra em cartaz sábado, 17 de julho.
FICHA TÉCNICA
Autor: Pedro Guilherme. Direção: Lavínia Pannunzio. Elenco: Carlos Baldim (fada gorda, diretor, o amigo do colégio e o senhor Vinícius), Paula Arruda (Thomas Máximo), Pedro Guilherme (pai do Thomas e o Batatinha) e Thaís Medeiros (mãe Rita Máximo e a professora Rosa). Cenário e Figurinos: Cássio Brasil. Trilha sonora composta: Daniel Maia. Iluminação: Vinícius Andrade. Audiovisual: FILMES PARA BAILAR Coordenação: Paula Alves Direção: Rafael Frazão. Fotógrafos: Daniel Spalato, Cau Vianna e Salvador Cordaro. Programação Visual: Márcio Araújo. Operador de luz – Débora Sperl. Operador de som: Victor Merseguel. Produção: Cia. Provisório-Definitivo.
PARA ROTEIRO
Temporada: de 17 de julho a 22 de agosto no Teatro Cacilda Becker. Endereço: Rua Tito, 295 – Vila Romana – Tel.: 3864-4513. Sábados e domingos às 16 horas. Duração: 55 minutos. Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 – Bilheteria aberta com uma hora de antecedência. Faixa Etária Recomendada: A partir de 5 anos. Capacidade - 195 lugares.
Teatro Cacilda Becker – Rua Tito, 295 – Vila Romana. Telefone – 3864-4513. Capacidade – 195 lugares.
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