Grupo Tapa reestreia Credores no
Viga, com Chris Couto, Sergio
Mastropasqua e José Roberto Jardim
Espetáculo trabalha com os conflitos conjugais de texto de August Strindberg. O elenco conta com Chris Couto, Sergio Mastropasqua e José Roberto Jardim, além da direção de Eduardo Tolentino de Araújo
Além de voltar aos palcos com 12 Homens e Uma Sentença, o diretor Eduardo Tolentino de Araújo retorna a temporada teatral 2012 com a peça Credores dia 12 de janeiro, quinta-feira, às 21h30 no Viga Espaço Cênico. Essa é mais uma produção do Grupo Tapa, com texto do sueco August Strindberg (1849-1912). O elenco reúne os atores Sergio Mastropasqua, Chris Couto e José Roberto Jardim.
Na trama, a chegada de um desconhecido chamado Adolfo (José Roberto Jardim) em um hotel de veraneio abala o equilíbrio delicado da relação do casal Tekla (Chris Couto) e Gustavo (Sergio Mastropasqua). O encontro evidencia marcas do passo que nunca cicatrizaram. "Essa é uma peça que se aprofunda nos dilemas entre os personagens, que expõem seus conflitos, questão longe de se resolver nos tempos contemporâneos", diz o diretor.
Essa é a segunda vez que o Grupo Tapa trabalha com as palavras de Strindberg. A primeira ocorreu em 2006 com Camaradagem, onde um casal de pintores vivia um casamento de conveniência que se desequilibrou por causa de uma disputa artística. Em Credores, existe um retorno à discussão sobre a guerra dos sexos com um tom mais aprofundado. Para Tolentino, "Camaradagem tinha um caráter mais sinfônico pela multiplicidade de temas. Já Credores é um texto mais concentrado, forte, uma espécie de cirurgia nessas relações".
O espetáculo mexe com a ideia de "o inferno são os outros", uma questão do filósofo francês Jean-Paul Sartre que se fundamenta no reconhecimento da relação com outro. O visual da montagem ganhou um ar escultural com a composição da luz e o corpo dos atores. Anteriormente, Camaradagem também tinha uma aparência focada na arte com o expressionismo.
Sergio Mastropasqua e Chris Couto atuaram juntos no espetáculo Casa/Cabul, do Núcleo Experimental, em 2011. Já o ator José Roberto Jardim integra o grupo Fofos Encenam, com o diretor Newton Moreno.
"Trabalhei com o Tolentino em Camaradagem e sempre quisemos fazer um novo projeto juntos. Existe uma admiração entre a equipe deste espetáculo, o que gera um entrosamento prazeroso na hora da encenação", fala Mastropasqua.
Sempre atual
Credores foi escrito em 1888. Apesar do tempo, a história dialoga bem com a época contemporânea, característica que comprova o lado visionário do dramaturgo sueco. O autor tem peças montadas constantemente no Brasil e no mundo.
"Strindberg é pai do teatro moderno, presenciou momentos importantes como o nascimento da psicanálise de Sigmund Freud, a teoria da relatividade com Albert Einstein, o mundo passava por intensas mudanças. Ele é um autor que sabe tocar em sentimentos profundos da alma", conta Tolentino.
Para o ator Sergio Mastropasqua, o texto desse dramaturgo é simples e poderoso ao mesmo tempo. "A montagem é uma mistura de riso e choro, interessa qualquer plateia que tenha se envolvido em uma relação. Essa peça reflete a maravilha da complexidade do mundo real".
Puro jazz
Uma "jam session" de jazz existencialista é uma metáfora perfeita para os conflitos conjugais de Credores. A encenação de Tolentino já foi encenada em diversos espaços, sempre com um frescor, evidenciando uma nova camada da trama, característica que aproxima o teatro das notas musicais desse gênero americano.
"No jazz, o músico interpreta a música de forma peculiar, nunca executando uma composição exatamente da mesma forma mais de uma vez. A peça tem uma partitura, porém os três atores têm uma liberdade, o que faz cada apresentação ser diferente uma da outra"; finaliza o diretor.
Sobre o autor
August Strindberg (1849/1912), sueco, nascido em Estocolmo, é conhecido mundialmente como escritor, ensaísta e dramaturgo. Foi isso e muito mais: jornalista, crítico social, profundamente interessado tanto na ciência (química, medicina, ciências políticas) quanto no ocultismo e na estética. É um dos mais importantes dramaturgos da história, ao lado de Henrik Ibsen e Anton Tchecov. Homem de letras, novelista, poeta, pintor, idealizador do "teatro íntimo", que funcionou de 1907 a 1910, escreveu a maior parte dos dramas intimistas quase sempre referidos ao casal, ao casamento como armadilha, explorando-se ao infinito as contradições e ambivalências entre o pensar, o sentir e o agir.
Com suas obras em prosa e seus dramas, foi o precursor do naturalismo na Suécia e, ao mesmo tempo, o grande destaque do expressionismo e do surrealismo no mundo. Em suas peças autobiográficas, recriou ainda a sua problemática pessoal: três fracassos matrimoniais, solidão e abatimento espiritual. As suas obras impregnadas pela tristeza "O Pai" (1887) e "Senhorita Júlia" (1888), assim como as peças "Páscoa" e "A Dança da Morte" (ambas de 1891), ilustram esses conflitos. "O Pelicano", "Sonata dos Espectros", "Casa Queimada" e "A Tempestade" (de 1907) já assinalam o caminho para o simbolismo. Após ter passado um longo período na França, na Suíça, na Alemanha e na Dinamarca, Strindberg regressou a Estocolmo em 1899, onde fundou, em 1907, o Teatro Íntimo. Morreu em 1912, de câncer no estômago, deixando romances autobiográficos, peças teatrais, poesia, pintura e ensaios sobre os mais diversos assuntos.
PARA ROTEIRO:
CREDORES - Reestreia dia 12 de janeiro, quinta-feira, às 21h30 no Espaço Viga Cênica Texto: August Strindberg Direção e tradução: Eduardo Tolentino de Araújo Elenco: Chris Couto, Sergio Mastropasqua e José Roberto Jardim Cenários e figurinos: Lola Tolentino Iluminação: Nelson Ferreira Produção: Grupo Tapa
VIGA ESPAÇO CÊNICO - Rua Capote Valente, 1.323 (Próximo ao metrô Sumaré) - São Paulo/SP Telefone: 3801-1843. De 12 de janeiro a 19 de fevereiro. Quintas, Sextas e Sábados às 21h30 e domingos às 20h. Ingressos: R$ 40 e meia R$ 20. Lotação: 74 lugares. Classificação: 14 anos Duração: 60 minutos.
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